Odysseia (2021)

de Rian Johnson
coproduzido por Constância’s Haus of Bürger e Júlia Fraga
com Daniel Craig e Vanessa Redgrave
6 de fevereiro de 2021 (4º Festival de Veneza)
🇬🇧 Reino Unido

Western / Ficção Científica
Sinopse: Uma rapsódia de um homem solitário em busca de uma noção moral de territorialidade e pertencimento.

Vencedor de 11 prêmios, incluindo o Leão de Prata (Direção) em Veneza para Rian Johnson (ex aequo).


Consenso da Crítica: Excitante, épico e extremamente sexy, “Odysseia” combina de maneira magistral a direção sólida de Rian Johnson, o competente roteiro escrito a seis mãos, o estelar design de produção espacial e uma dobradinha deliciosa entre Daniel Craig e John David Washington.

Média da crítica

84

Média do público

8.8

Tomatômetro

100%

Pipocômetro

100%

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Ficha Técnica

Direção: Rian Johnson
Roteiro: Rian Johnson, Luís Ortega & Greta Gerwig
Produção: Constância’s Haus of Bürger e Júlia Fraga
Fotografia: Rachel Morrison
Música: Michael Giacchino
Figurinos: Janty Yates
Distribuição: TriStar Pictures
Plataformas: Catflix e Constant+

Elenco

Daniel Craig como Castor / Damian
John David Washington como Petronilio
Vanessa Redgrave
como Salácia
Maggie Cheung como Cybele


Proposta Estética

Construído a partir da colaboração de Rian Johnson com Luís Ortega e Greta Gerwig, Odysseia mistura elementos do Western com a Space Opera, a mitologia grega e a tragédia shakespeariana em uma aventura futurista eletrizante. Ao imaginar uma sociedade humana expulsa do paraíso terrestre por seus próprios impulsos autodestrutivos, a equipe criativa se baseia nos conceitos de nostalgia e ancestralidade para construir a estética e a sonorização do filme.

A fotografia do filme, assinada por Rachel Morrison, faz uso da experiência da fotógrafa em trabalhar em climas extremos e com rápidas e imprevisíveis mudanças climáticas. Há enquadramentos grandiosos, que capturam vastas paisagens desérticas e espaciais, entretanto ao mesmo tempo a câmera busca planos médios para se aproximar dos personagens e para aproximá-los, criando uma sensação de pertencimento e acolhimento, em contraste com as paisagens desoladas.

O vestuário criado por Janty Yates traz elementos de culturas da Idade Antiga – Babilônia, Egito, Roma, China – ressignificados com materiais modernos – látex, plástico, nylon – e mesclado com elementos futuristas – trajes espaciais, tecidos metalizados, recortes geométricos, botas de cano alto. Entre os rebeldes predomina o preto, para assegurar-les calor no clima relativamente mais frio de Marte, enquanto que a TELLUS predomina o branco, para refletir a radiação espacial danosa. Os figurinos de Salacia tem destaque especial, trazendo elementos orgânicos que referenciam o paraíso terrestre destruído pela humanidade.

Michael Giacchino constrói a trilha sonora trazendo elementos da música erudita, de uma tradição que remonta à 2001 – Uma Odisséia no Espaço e Star Wars, em conjunção com músicas da cultura pop do final do século XX, a fim de emular a grandiosidade e ao mesmo tempo o acolhimento humano e a nostalgia da vida na Terra.


Narrativa

¹ Sistema Solar, 2218. Com a vida na Terra insustentável, a humanidade partiu para se estabelecer em outros planetas sob o comando autoritário da organização ecofascista TELLUS. 

A população dividiu-se entre Phobos, lua marciana onde se instalou a elite e o comando da TELLUS, e a superfície de Marte, onde dez bilhões de operários vivem em condições sub-humanas minerando asteroides.

Enquanto piratas espaciais e Rebeldes reúnem forças para atacar e destruir a ordem vigente, um homem tenta encontrar seu lugar no universo.

Phobos, Centro Administrativo Lunar de Marte.

² Sentado sozinho, Castor (Daniel Craig) destoa da atmosfera brilhante e barulhenta da casa noturna Nix: enquanto ele degusta meticulosamente sua bebida, uma profusão de corpos solitários como o dele balançam pela pista de dança em busca de algum contato involuntário. Recordações de sua missão recém finalizada irrompem sucessivamente lhe causando dor: naves de batalha rasgam o céu marciano, rebeldes kamikazes atiram suas naves sobre as da TELLUS, no solo, rebeldes desarmados são massacrados. Castor não percebe o silêncio gradual se instalando no salão enquanto passos certeiros se aproximam. Salacia (Vanessa Redgrave), secretária-geral da TELLUS, encosta a mão no ombro de Castor e a música retorna gradualmente enquanto os dois trocam olhares.

Corte brusco, e vemos Castor sozinho, já em sua embarcação espacial, contemplando a escuridão do espaço e o gigante vermelho que se apresenta à sua frente. Ele insere o totem brilhante que recebeu de Salacia e carrega o plano da missão: levar uma carga de alimentos para a superfície do Lado Escuro de Marte. As naves que formam o comboio por ele comandado levantam voo, e Castor observa os contrastes entre o luxo decadente de Phobos e a aridez do solo marciano.

De volta a Phobos, Salacia está sozinha em seu luxuoso escritório na sede da TELLUS, observando melancolicamente por uma enorme janela o tráfego das naves, no qual Castor é somente mais um naquele enorme vai-e-vem de motores.

³ Os créditos de abertura se desenrolam sobre a seguinte sequência: a embarcação de Castor se aproxima da linha de termidor, onde os raios de sol tocam a superfície do planeta pela última vez. As luzes coloridas do painel de controle refletem sobre o rosto de Castor conforme ele maneja a nave em direção ao Lado Escuro de Marte, e vemos uma multitude de sentimentos passar sutilmente pelo seu rosto endurecido. A nave de Castor é lentamente engolida pela escuridão, e o título do filme surge na tela num lento fade in.

Já navegando pelo Lado Escuro de Marte, Castor parece não se importar quando duas naves pequenas e rápidas tiram proveito do breu para aproximar-se da sua embarcação. Elas cercam Castor, e ele tenta escapar com manobras vertiginosas; as luzes vermelhas do painel banham seu rosto suado, as têmporas pulsantes e os olhos furiosos. Ele tenta adentrar na atmosfera marciana para escapar, mas é tarde demais: utilizando ondas eletromagnéticas, as naves piratas desestabilizam a embarcação de Castor, fazendo com que ele perca o controle e veja o solo desertificado de Marte se aproximar rapidamente. Com dificuldade, ele se liberta dos cintos de segurança e se ejeta para fora, numa queda rápida e caótica que é interrompida pelo paraquedas a poucos metros do solo. Atordoado, Castor se vê sendo engolido pela areia vermelha enquanto vultos se aproximam.

Valles Marineris, Reduto Rebelde na superfície de Marte.

Sons metálicos e sussurros invadem a tela preta. Castor abre os olhos desorientado, assim que aos poucos percebe-se capturado pelos piratas. Ele perde os sentidos quando um dos seus raptores se aproxima e tira o capacete preto. Petronilio (John David Washington) analisa cuidadosamente o rosto do agente da TELLUS antes de declarar, com um leve sorriso: “você é mesmo igual ao seu irmão”. Naquela profusão de vultos mal iluminados uma figura se destaca. Cybele (Maggie Cheung) se aproxima de Castor, analisando seu rosto. Ela olha para Petronilio e, com um sorriso, assente com a cabeça. Ela informa a Castor que tem pleno conhecimento que a real missão que o levou ali é se infiltrar entre os rebeldes e entregar seu irmão gêmeo prodígio, Damian, símbolo da resistência, à TELLUS. Ele ri, debochado, a perguntando por qual motivo ela ainda não o matou. Ela então lhe revela que tampouco os rebeldes sabem do paradeiro de Damian. Castor continua a debochar e a recorda que não tem qualquer contato com o irmão há 20 anos. Ela o corta, com seriedade, e retruca que ele não a faça de boba, afinal eles são os primeiros gêmeos em um século, eles têm uma conexão fraternal única e, mesmo que não acredite, ele não tem escolha senão obedecê-la e partir em busca do irmão.

Para acompanhar Castor em sua missão foi designado Petronilio. Castor tenta se manter em sua introspecção, porém o jovem não cessa de tentar romper a concha. A rota é traçada para a Lua Terrestre enquanto Petronilio o explica que Damian, braço-direito de Cybele, sumiu do mapa ao partir para uma missão para estabelecer contato com uma célula rebelde ali. Ele havia se tornado uma espécie de mito entre os piratas por suas investidas bem-sucedidas contra a TELLUS e por isso era importante não deixá-lo cair nas garras da corporação. Castor afirma que a missão será infrutífera, pois existem apenas duas hipóteses: ou Damian está morto ou ele não quer ser encontrado.

Aos poucos os companheiros de jornada se aproximam. Petronilio revela que era amante do irmão de Castor, e que por isso foi o primeiro a se voluntariar para missão, apesar da resistência de Cybele. Logo a missão toma um ar familiar. Castor rememora com carinho os primeiros anos da adolescência ao lado do irmão, os dois descobrindo juntos o universo, os prazeres e as angústias de existir. Ele olha para Petronilio e comenta que o irmão sempre teve bom gosto, lhe roubando um sorriso desconcertado. Após um pequeno silêncio, Petronilio pergunta o que Castor fará quando encontrar o irmão. Olhando para as estrelas, ele não responde.

Mare Serenitatis, Lua Terrestre.

Castor e Petronilio desembarcam na Lua e encontram uma terra arrasada, como se tivesse existido ali, muitos anos antes, uma zona de guerra. Pela conversa entre os dois, entendemos que a Lua foi a primeira casa da humanidade em sua “fuga” da terra: os governos e elites mundiais a terraformaram e se instalaram ali, até que a TELLUS tomou o poder e eliminou os que resistiram. A dupla admira a Terra, pacificamente verde e azul, à distância — quase dois séculos antes, a TELLUS estabelecera que o planeta seria uma Zona de Proteção Ambiental Permanente, proibindo estritamente habitação, comércio e atividade industrial humana; apenas a parcela mais abastada de Phobos podia visitar a Terra, em breves e raros cruzeiros espaciais. Petronilio revela que o objetivo primordial dos rebeldes é guiar os habitantes de Marte de volta à Terra — o tom do discurso dá a entender que os rebeldes vêem o planeta como o chão sagrado, e quando a humanidade retornar ao seu útero será, enfim, capaz de viver em harmonia. Pensativo, Castor olha para o enorme planeta azul que nunca conheceu.

Usando um dispositivo transmissor utilizado pelos rebeldes para comunicar-se, Castor e Petronilio percorrem longas distâncias pelo solo lunar tentando obter alguma resposta de Damian, sem sucesso. A dupla permanece num silêncio sepulcral, pontuado por eventuais trocas de olhares. Depois de dias e muitas horas de busca, os dois param para descansar numa enorme cratera, onde lidam de formas diferentes com a frustração: Castor se sente impotente, enquanto Petronilio se sente abandonado; ele suaviza sua dor ouvindo músicas ancestrais em seu iPod , uma relíquia da Terra. Eles buscam conforto um no outro, com toques e beijos que vão gradualmente se tornando mais voluptuosos; vemos seus corpos despidos suavemente iluminados pela Terra, no plano de fundo, enquanto se movimentam de forma decidida, porém suave. A cena tem seu grau de fisicalidade e erotismo gráfico, mas é também muito terna, com longas observações das expressões de carinho e prazer dos dois amantes.

Horas depois, Castor ouve canções no iPod de Petronilio enquanto observa as estrelas. O ex-agente da TELLUS é surpreendido quando Petronilio o abraça por trás, mas se deixa levar, e os dois bailam juntos. Após alguns minutos Castor se afasta e questiona: Petronilio, quando o abraça, pensa nele ou em Damian?. Petronilio lhe garante que somente pensa nele, ao que Castor lhe confidencia que sempre esteve à sombra do irmão — mesmo quando este traiu a TELLUS e foi para o lado rebelde. O sol começa a nascer enquanto os amantes conversam, e o reflexo de uma superfície metálica atinge o rosto de Castor, vindo do centro da cratera.

Castor e Petronilio adentram túneis subterrâneos através da escotilha que acabaram de descobrir. Encontram um amplo salão que identifica o local como uma base da célula rebelde com a qual Damian tentava estabelecer contato. Petronilio inicia o aparelho holográfico para reportar o achado à Cybele; enquanto a comunicação se inicia, Damian surge de um recanto escuro. O clima se torna tenso. Damian questiona as motivações dos intrusos e principalmente a presença inesperada de Castor. Cybele ordena que ele retorne à Marte com seus enviados, mas Damian recusa veementemente. Ouve-se o som de jatos cruzando o espaço aéreo acima deles. Damian os acusa de ter trazido a TELLUS até ele, no que Cybele orienta a Petronilio e Castor que usem de todas as ferramentas que tenham para impedir que Damian caia nas mãos da organização ecofascista — inclusive matá-lo, se necessário. Damian saca sua arma, e Petronilio responde à altura. Castor se coloca entre os dois, tentando impedi-los de se matarem. Damian dispara, e rapidamente Petronilio dispara de volta. Damian desaparece e seu disparo não faz dano ao ex-amante: era um holograma. Uma bomba da TELLUS explode sobre as cabeças de Castor e Petronilio, desestabilizando a estrutura subterrânea.  

Os dois quase são engolidos pelos escombros, mas conseguem deixar a cratera a tempo. São recebidos por uma dezena de naves da TELLUS, que os ordena que se rendam e entreguem Damian. A dupla troca um breve olhar e se entendem silenciosamente: no mesmo instante, Castor e Petronilio correm para lados opostos, enquanto as naves da TELLUS abrem fogo. Castor faz jus à sua fama em uma frenética cena de ação, ele escapa dos tiros, derruba naves com seus tiros de laser enquanto corre, faz acrobacias para escapar dos agentes da TELLUS e elimina, um a um, seus perseguidores. Ao olhar à distância, entretanto, Castor vê Petronilio capturado. Ele tem o impulso de impedir a captura de seu amado, mas é tarde: Castor está sozinho na Lua.

Salacia está em seu reluzente palácio governamental em Phobos, cercada pelos governantes da humanidade. Eles comemoram o fim do bloqueio aéreo que era imposto pela TELLUS ao planeta vermelho, numa tentativa de controlar as operações dos rebeldes e piratas, e que tanto prejudicava as atividades econômicas. A líder suprema da TELLUS faz uma transmissão informando a população sobre a captura de Damian e o abate do traidor Castor na Lua. Ela mantém a seriedade no tom de fala, enquanto lágrimas tentam irromper de seus olhos: ela não pode demonstrar compaixão a nenhum opositor.

Castor vaga pelo solo lunar de volta à nave. Já fraco e confrontado por seu fracasso, ele se senta para observar a Terra com um olhar melancólico: ele não vê mais esperanças. Alguns momentos depois, ele sente o iPod de Petronilio vibrar em seu bolso. A tela pisca: é Cybele tentando se comunicar com ele. Ela surge holograficamente e diz a Castor que um rebelde nunca se deixa vencer pela desesperança, mesmo derrotado. O ex-agente da Tellus nega ser um rebelde, ela discorda e lhe informa que esteve observando a missão e sua relação com Petronilio. Irritado, ele a pergunta se há algo que ela não saiba, no que ela responde que sim e que por  isso necessita dele para que os rebeldes possam adentrar Phobos e destruir a Tellus de uma vez por todas. Castor pondera que esta é uma missão suicida. Cybele concorda. Ele aceita a missão.

Phobos, Centro Administrativo Lunar de Marte.

Aproximando-se de Phobos, Castor encontra uma zona de guerra: setores do centro administrativo estão em chamas e explosões pontuam o horizonte, fruto de ações de sabotagem e táticas de guerrilha dos rebeldes; naves da Tellus cruzam os céus em perseguição à naves dos piratas, os membros das elites que podem fugir escapam da lua em suas naves de passeio. Ele pousa sua nave na plataforma da casa noturna Nix, onde ninguém se importaria com a origem dela. Castor sabe o que precisa fazer: salvar Petronilio. Em um ambicioso plano-sequência, Castor corre pelos telhados, salta de um prédio a outro, corta caminho entrando em seus interiores e sai pelas ruas do Centro Administrativo de Phobos, eliminando as forças policiais que se colocam em seu caminho, até chegar à sede da TELLUS, um enorme edifício panóptico no epicentro da cidade. A cena de ação contínua dentro do prédio, onde Castor supera seus oponentes e sobe, nível a nível, o edifício até os escritórios de Salacia, no último andar.

Ao entrar na sala, Castor encontra Salacia observando a batalha desde sua enorme janela — a esta altura, as naves rebeldes e da organização estão em um enfrentamento aberto nos ares do centro da cidade. Castor se surpreende ao perceber que, ao lado dela, Damian também acompanha a batalha placidamente, e Petronilio está amordaçado e preso a uma cadeira num canto da sala. Salacia se vira na direção de Castor e pede que se aproxime. Ele se coloca ao lado esquerdo dela, enquanto Damian ocupa o lado direito. “Meus filhos“, diz Salacia, “depois de tantos anos, finalmente reunidos para contemplar a última etapa de nosso plano: a destruição dos rebeldes“. Castor saca sua arma discretamente e a aponta para Salacia, na altura da cintura. Ato contínuo, Damian saca a sua, também silenciosamente, e a aponta para Castor. Salacia sorri: “Brincando juntos de novo depois de tanto tempo. Que alegria”. Castor olha para Damian e balança a cabeça em decepção. Ainda apontando a arma para Castor, Damian diz que, depois de tantos anos longe, já era hora de voltar para casa. Salacia, então, continua: “e você decidiu partir”, diz, olhando para Castor com decepção. Castor responde, duro: “eu nunca estive aqui”.

Damian aproxima-se de Castor. “O maior dos rebeldes”, diz, olhando para o irmão. “Por que você sempre precisa ser o que eu sou?”. O tom de Damian é torturado, como se ele não quisesse fazer aquilo que precisa fazer. Castor logo percebe a realidade da situação: “sua missão é me matar, não é mesmo?”. Damian não responde, mas seu olhar diz tudo. Castor, então, passa a apontar a arma para o irmão: “estamos quites”.

Salacia olha para o impasse com uma infinidade de sentimentos, e a tensão no ar é quase palpável. Tudo é interrompido, entretanto, quando uma pequena nave adentra a enorme janela do escritório e invade o ambiente, atingindo Salacia no processo. De dentro, sai Cybele liderando um grupo de rebeldes armados. Imediatamente, mais forças policiais da TELLUS entram na sala e um enorme confronto se inicia; na confusão, Castor liberta Petronilio e os dois lutam ao lado dos rebeldes, enquanto Damian vai socorrer a mãe, caída no chão. A luta é dura, com muitas perdas para ambos os lados. Damian é atingido e cai inconsciente; um dos rebeldes se aproxima, mas Castor salva o irmão no último instante atirando no rebelde. Salacia, ainda caída e muito machucada, olha com surpresa. Castor vai até Damian para protegê-lo, sem perceber que Cybele se aproxima com uma arma em cada mão. A líder dos rebeldes aponta as armas para as cabeças dos irmãos, e tentando manter a altivez (mas com uma leve tremulação na voz) diz que são traidores e por isso morrerão. Milésimos antes de apertar os gatilhos, entretanto, Cybele recebe um disparo no peito e cai morta. Do outro lado do escritório, Salacia guarda a própria arma nas vestes, respirando com dificuldade. O tiroteio se encerra.

Castor corre até a mãe, que dá os últimos suspiros. Ela entrega uma espécie de chave ao filho e lhe diz com dificuldade: “Leve seu irmão daqui. Esqueça tudo que passou. Eu não posso mais separar vocês”. Ele olha para a mãe, sem conseguir dizer uma palavra. Ela completa: “Vocês não pertencem mais a este lugar. Meus filhos… eu…” — e suspira uma última vez, fechando os olhos.

Atordoado, Castor continua olhando para o corpo da mãe. Petronilio retorna ao escritório com os rebeldes remanescentes e leva alguns instantes para assimilar a cena; em seguida, ele levanta Castor e diz que ele e Damian precisam ir para longe ou serão julgados traidores pelo tribunal dos rebeldes e executados. Castor pede que Petronilio vá com eles. O rebelde hesita, mas olha para seus poucos companheiros de luta e para o corpo de Cybele no chão. “Eu não posso”, diz Petronilio. “Eu sou o líder deles agora”. Castor assente com a cabeça, orgulhoso.  Os amantes se despedem apressadamente, mas de forma sentimental. Castor diz: “Terra. Eu esperarei por você. Eu esperarei por vocês todos”. Petronilio sorri e assente com a cabeça. Castor levanta Damian desacordado e o leva até a nave pessoal de Salacia. Os irmãos embarcam na nave e, usando a chave-mestra entregue pela mãe, partem em direção a Terra. Castor, da janela traseira, observa Phobos e Marte diminuírem conforme se afastam. Tela preta.

Epílogo

Vemos um ambiente de selva, no Planeta Terra. Castor e Damian aparecem, alguns anos mais velhos, com vestes frugais e longas barbas, encarando a sobrevivência em meio à natureza — os dois construíram uma casa rudimentar (que, vista de cima, assemelha-se levemente ao formato de um útero) e vivem suas vidas sem grandes acontecimentos ou emoções. Apesar disso, anos depois, os irmãos finalmente encontraram conforto na companhia um do outro. Vemos os dois olhando para o céu, como fazem todas as manhãs, esperando o dia em que Petronilio chegará com a humanidade de volta para seu chão. Fim. ¹⁰


Oscar Tapes

Daniel Craig: Neste filme o ator demonstra toda a sua versatilidade ao trabalhar tanto com uma atuação mais física e visceral, como pedido pelas cenas de ação, quanto uma atuação mais contida, intimista e preocupada em transmitir emoções e conflitos internos. Além disso, constrói dois personagens distintos, com seus traumas e ressentimentos. Neste sentido, o alcance máximo se pode notar na cena que é o climax do filme, onde enfrenta a sua mãe e seu gêmeo na sede da TELLUS.

John David Washington: Assim como Craig, o personagem de John também requer a versatilidade de transitar entre cenas de ação e diálogos intimistas. Julgamos que sua atuação está ao máximo nas cenas que envolvem o crescendo da relação de Petronilio e Castor na Lua.

Vanessa Redgrave: À atriz veterana cabe o papel de encarnar a líder suprema de uma organização universal ecofacista, mas ao mesmo tempo uma mãe. Duas cenas em específico permitem a Vanessa demonstrar estas duas faces que as vezes são conflitantes e as vezes são a mesma: Na primeira onde discursa anunciando a captura e abate de seus filhos, e na segunda, que se configura como climax do filme, onde se reúne novamente com seus filhos antes de partir.

Maggie Cheung: Sua última cena, no momento em que Cybele aponta as armas para Castor e Damian. Suas motivações são nobres, mas seus atos são terríveis, e a performance de Cheung faz transparecer com maestria essa dualidade de sentimentos conforme ela declara o destino dos irmãos.


Trilha Sonora

Level Plaguing Field: Acompanha os textos que iniciam o filme e o início da cena de abertura, até que seu tom ameaçador é gradualmente substituído pelas batidas de…

Where Do I Begin: Música que toca na casa noturna Nix, na cena inicial. É usada de forma irônica conforme as lembranças de Castor, do massacre dos rebeldes, vão invadindo a tela.

The World is Not Enough: Acompanha os créditos iniciais. Conforme a nave de Castor vai sendo engolida pela escuridão e o título do filme vai surgindo na tela, a música vai sumindo até ser substituída pelo total silêncio.

Jupiter Ascending, 4th Movement: Dá o toque às cenas em que Castor e Petronilio começam a se aproximar e se afeiçoar, primeiro na nave e depois na lua. Em seguida, é utilizada novamente no primeiro surgimento de Damian (como holograma).

Moonraker: A música ouvida por Petronilio no seu iPod. Em seguida, é ouvida também por Castor no mesmo aparelho.

Oh My Love: Marca a cena de sexo entre Castor e Petronilio, dando um tom de ternura e afeto à relação entre os dois.

The Master Switch: Acompanha as duas grandes cenas de ação do filme — primeiro, Castor e Petronilio na lua; depois, a jornada de Castor em Phobos até o escritório de Salacia.

A Change of Heart: O pronunciamento de Salacia aos líderes da humanidade informando sobre a captura de Damian e a morte de Castor, seguido das lágrimas contidas de uma mãe.

Letting Go: A partir dos 1:50. Dá o tom da despedida de Castor e Petronilio, e acompanha a nave dos dois irmãos levantando vôo e sumindo nos céus conforme a música vai ganhando tons mais grandiosos.

Replay: Créditos finais.


Fotografia


Notícias e Imagens

Confira todas as notícias da temporada e imagens de campanha nas revistas Visions e That’s Gossip.


Prêmios

Total de 11 prêmios e 48 indicações. Clique aqui para ver todos os prêmios da 4ª temporada.

4º Festival de Veneza
  • Leão de Prata (Direção), Rian Johnson (empate com Marielle Heller por Robert Patti Blue Star)
1º MTV Movie Awards
  • Luta, Daniel Craig vs. Daniel Craig (venceu)
  • Atuação Cômica, Daniel Craig (indicado)
  • Herói ou Heroína, Daniel Craig (indicado)
  • Herói ou Heroína, John David Washington (indicado)
  • Vilã ou Vilão, Vanessa Redgrave (indicada)
  • Beijo, Daniel Craig e John David Washington (indicados)
  • Dupla ou Time, Daniel Craig e John David Washington (indicados)
  • Momento Musical, “Oh, My Love” (indicado)
  • Momento que poderia ser meme: o tiro inesperado de Salacia, quase morta, em Cybele (indicado)
  • Pôster (indicado)
4º Globo de Ouro
  • Direção, Rian Johnson (venceu)
  • Filme de Drama (indicado)
  • Ator de Drama, Daniel Craig (indicado)
  • Atriz Coadjuvante, Maggie Cheung (indicada)
  • Ator Coadjuvante, John David Washington (indicado)
4º Screen Actors Guild Awards (SAG)
  • Elenco de Dublês (venceu, empate com Baila)
  • Elenco: Daniel Craig, John David Washington, Maggie Cheung e Vanessa Redgrave (indicado)
  • Ator, Daniel Craig (indicado)
  • Atriz Coadjuvante, Vanessa Redgrave (indicada)
  • Ator Coadjuvante, John David Washington (indicado)
4º BAFTA
  • Roteiro Original, Greta Gerwig, Luis Ortega e Rian Johnson (venceram)
  • Filme (indicado)
  • Direção, Rian Johnson (indicado)
  • Ator, Daniel Craig (indicado)
  • Atriz Coadjuvante, Maggie Cheung (indicada)
  • Ator Coadjuvante, John David Washington (indicado)
  • Filme Britânico (indicado)
  • Fotografia, Rachel Morrison (indicada)
  • Figurino, Janty Yates (indicada)
  • Direção de Elenco (indicado)
  • Composição Musical, Michael Giacchino (indicado)
4º Oscar
  • Roteiro Original, Greta Gerwig, Luis Ortega e Rian Johnson (venceram)
  • Fotografia, Rachel Morrison (venceu)
  • Filme (indicado)
  • Direção, Rian Johnson (indicado)
  • Ator, Daniel Craig (indicado)
  • Atriz Coadjuvante, Vanessa Redgrave (indicada)
  • Ator Coadjuvante, John David Washington (indicado)
  • Figurino, Janty Yates (indicada)
  • Trilha Sonora de Compilação, Michael Giacchino (indicado)
Premiações da Crítica
  • Filme (1 prêmio)
  • Direção, Rian Johnson (1 prêmio, 1 vice)
  • Ator, Daniel Craig (1 prêmio)
  • Ator Coadjuvante, John David Washington (1 prêmio, 1 vice)
  • Atriz Coadjuvante, Maggie Cheung (1 vice)
Temporadas Posteriores

Nota: prêmios e indicações recebidos em temporadas posteriores não são contabilizados no ranking da temporada de lançamento do filme.

1ª Mostra de Cinema de São Paulo
  • Prêmio do Público, Melhor Filme Internacional (venceu)
  • Seleção Oficial
1º Prêmio Guarani
  • Melhor Filme Estrangeiro (indicado)

Críticas do Júri


96

Rio Film Critics Circle
O novo longa de Rian Johnson, que conta com um roteiro coescrito por Luís Ortega, Greta Gerwig e o próprio diretor, é inovador e refrescante no âmbito, algo característico de Johnson, basta observar seus trabalhos anteriores. A atmosfera do filme beira o incrível, o trabalho de Rachel Morrison e Michael Giacchino é incrível e de muito respeito, o figurino, assinado por Janty Yates também é muito característico para o visual do filme. O misto tranquilo e conturbado na introdução. O estouro do conflito. O promissor e destoante desfecho. O filme nos convida para algo que conhecemos, um ambiente já trabalhado pelo diretor, porém esse conhecido é completamente um desconhecido também, pela premissa, o filme caminha por uma estrada tensa, que vai nos aliviando e entretendo quando o passar, a saga de Castor. E o erro está no alívio, após a sequência na lua o filme entra em um âmbito de exaustão, que pode ser superado ou se manter, e o que ocorre é que ele se mantém, não há uma emoção, apesar de dolorosa, a morte de Cybele não causa impacto. As atuações são todas boas, para um “pseudo-blockbuster”. Talvez faltou um pouco mais de empenho por parte de Daniel Craig, não que o ator esteja ruim porém a mudança do personagem parece um pouco frágil, ou pode ter sido uma falha roteiro mesmo.

87

Oz Film Critics Society
Odysseia brilha na estética, o figurino é de um primor que merece ser reconhecido. A fotografia esbanja conhecimento técnico e sensibilidade. Quanto a história contada é mais uma versão do mocinho que percebe estar do lado errado o tempo todo e sua luta externa e interna em relação a isso, porém com toques de criatividade que podem surpreender o espectador. Uma ressalva é que o desenvolvimento do protagonista Castor poderia ser melhor trabalhado, mas acredito que para os fãs de filmes de ação isso não será um problema. P.S.: Tellus haha.

85

Associación de Críticos de Cine Pastuzo
Com uma sequência de créditos iniciais que joga as expectativas no espaço (ba dum tss) e uma trilha sonora arrebatadora, Odysseia vence os próprios desafios e não decepciona. É uma história épica que mesmo despida de toda a grandiosidade dos cenários majestosos e ação palpitante ainda emociona. A evolução da mudança de atitude de Castor poderia ter sido melhor desenvolvida? Poderia. Mas a atuação certeira de Craig e a apresentação sensível dos laços que amarram e emancipam seu personagem ao longo da jornada impede que esse incômodo permaneça por muito tempo. Do início ao fim é o espetáculo que se propõe a ser.

84

Cinema Contestado – União Catarinense de Críticos de Cinema
Odysseia é o action-drama épico que a humanidade merece em 2021. Com personagens bem expressivos e cenários deslumbrantes, a obra presta homenagem aos gêneros artístico que referencia. Outro mérito do filme é costurar o simbolismo na trama, sabendo equilibrar a suavidade com alguns elementos gritantes. Odysseia peca pelo excesso – excesso de exposição, de cenas que não avançam a narrativa, de mudanças bruscas de rítmo – mas ainda assim vale cada minuto de tela.

84

San City Film Critics Association
Num longa de ficção-científica de tirar o fôlego, Rian Johnson mostra mais uma vez que sabe muito bem o que está fazendo, dirigindo um elenco excelente e se mantendo sempre um passo a frente do telespectador na narrativa que acompanhamos. Sempre uma mistura certa de drama, momentos reflexivos e cenas de romance delicadas, Odysseia é com certeza um dos melhores do gênero dos últimos tempos.

80

Gotham City Film Critics Secret Society
Um ótimo filme que nivela muito bem as cenas de ação com as cenas de drama na medida em que é necessário, apoiado pela ótima trilha sonora. A fotografia também traz um acréscimo ao longa, destacando as características de cada planeta. Daniel Craig também está muito bem (e gostoso) em ambos os papéis.

80

Rubens Ewald Son Film Critics Association
Odysseia mostra Rian Johnson mais uma vez em uma direção segura e em sintonia com o seu elenco. Rian consegue abordar os temas de ancestralidade e as tensões sociais de maneira orgânica em uma camada acessível do filme em conjunto às cenas de ação de tirar o fôlego. As atuações aqui também são impecáveis, com destaque a Craig e Cheung ambos trabalhando perfeitamente a dualidade de seus personagens em abordagens distintas. Mesmo com uma ótima direção, Rian parece muitas vezes dirigir filmes distintos aqui, com cenas flutuando entre introspecção e explosão o que algumas poucas vezes afetava o ritmo da película. No geral, Rian entrega novamente um ótimo filme que amplia o gênero de scifi e ação nos deixando ansiosos por produções similares.

80

Joseph Wilker Film Critics Association
Odysseia é um filme esteticamente agradável. Traz elementos já conhecidos pela academia, talvez seja um dos favoritos pela corrida das premiações. No entanto, apesar da plot ter um tema interessante a história se perde um pouco ao longo da trama.

79

Deep Sea Film Critics Society
Épicos são filmes que sempre dependem bastante de um bom bocado de estilo, e estilo é algo que vemos bastante aqui. O filme chama atenção logo de cara, mostrando a que veio, em sua cena de abertura. A visão de Daniel Craig em uma boate noturna, com o ambiente preenchido por Where do I Begin, é uma injeção de puro animo e de curiosidade — o tom dramático e irônico promete um filme de ambiguidades, de falsa simplicidade, e essa expectativa é cumprida, em sua maior parte. Entre a seriedade da fotografia e o quase sarcasmo da trama cheia de twists, nunca sabemos exatamente em que pé estamos. Os aspectos técnicos do filme brilham alto acima da história, e o drama familiar se torna até mesmo uma espécie de pano de fundo para o espectáculo de imagens e sons, transformando o filme em atmosfera, mais do que realmente narrativa, em vários pontos. Essa sensação é então prontamente negada com um segundo ato que é, então, quase inteiramente baseado no desenvolvimento de uma relação que nem entendemos direito. Há uma dissonância talvez não tão bem resolvida entre as cenas de ação e os momentos mais pessoais que faz com que ambas as coisas percam um pouco seu impacto: sozinhos, fazem sentido, e funcionam bem, mas colocados lado a lado, não dizem tanto quanto poderiam. Em todo, ficamos aqui no fio da navalha entre um belíssimo filme de arte, e uma grande opera espacial hollywoodiana — o que, honestamente, não é de forma alguma um lugar ruim de se estar. Talvez sejam essas próprias dissonâncias, essa integração imperfeita entre seus diferentes tons, que façam desse um filme especial. É um filmes de nostalgias e novidades que convivem junta, sem nunca se resolver em uma mistura confortável — e por não ser confortável, permanece com a gente. Odysseia é o que é, interessante justamente por suas pequenas incongruências. Talvez tenha faltado apenas algo que costurasse todas as partes em um todo, dando uma direção e um sentido a elas.

Comentários do Público

Em breve.

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