Rio Film Critics Circle


Estatísticas

37 filmes avaliados

30 críticas positivas (81%)

6 críticas mistas (16%)

1 crítica negativa (3%)

Nota média: 77

Na média, esta associação dá notas 0,02 pontos menores do que as outras.

Em suas críticas, esta associação pontuou:

Acima da média 57% das vezes

Na média 3% das vezes

Abaixo da média 40% das vezes


Críticas

Entre parênteses, a média geral do filme.

100

Attraversato (79)
Em todos os sentidos, Attraversato é uma conquista impressionante. Marcado pela direção de arte e elenco impecáveis, é um filme aparenta ter sido feito com cada detalhe milimetricamente pensando, cada cena é uma pintura o que reforça ou restaura a fé no poder do cinema para contar uma história em imagens fascinantes. A troca entre Lupita e Adam Driver é impressionante e inesperada, as cenas entre os dois são de deixar qualquer espectador apaixonado. Tilda, apesar de aparentar ao longo do filme estar em uma zona de conforto, se entrega e destaca no monólogo da Condessa sobre sua fragilidade.

100

Bloodline (91)
Bloodline é, em suma, um filme totalmente brilhante: assustador, cheio de suspense, bonito e muito bem atuado. Lynne Ramsay traz uma obra prima que ficará grudada na mente dos espectadores por bastante tempo, desde a trilha até os figurinos, tudo é executado de uma forma perfeita e sutil.

100

Robert Patti Blue Star (94)
Robert Patti Blue Star’ é um filme transformador e renovador, assim como a biografia na qual ele se baseia, Marielle Heller consegue trazer para a tela toda poesia e delicadeza da escrita de Patti Smith. Este é com certeza uma das pedras preciosas desta award season, um filme para todos, para a família, para os que sofrem, para os que sonham, para os que estão perdidos. A fotografia de Hélène Louvart nos faz viajar por lugares e situações em plena década de 60, 70, em meio a uma efervescente Nova York, um retratação ímpar arrisco dizer. Janie Bryant, conhecida pelo seu espetacular trabalho na série ‘Mad Men’, repete neste longa com maestria o que sabe fazer de melhor, roupas de época que vão ditar o nome e a característica de cada personagem. Rooney Mara interpreta Patti Smith de uma maneira apaixonante e sua química com Lucas Hedges é impressionante e de se aplaudir de pé. Quando os dois entram em cena juntos, somos arrebatados de forma com que nos conectamos com cada acontecimento, literalmente paramos de respirar apenas para observar cada detalhe da cena. A música é um outro fator que faz com a obra torne-se presente, Liza Richardson concebe com talento a sonoridade exata para a época e para cada momento chave do filme. ‘Robert Patti Blue Star’ é aquela obra em que cada detalhe funciona e que pode-se ficar pensando por horas em alguma cena específica.

98

An Unusual Summer (93)
Em “An Unusual Summer”, Julie Delpy transforma o filme em um metabolismo humano, o qual o telespectador consegue dissecar a trama bela beleza e singularidade da abordagem. Mesmo sendo estranho ao conjunto de transformações que ocorrem, assim como Pierre, o olhar sincero da criança nos transporta para um limiar entre a inocência e a gravidade, o que é muito visível na cena entre Julien e Pierre no terraço.
Delpy estrela o filme, o qual ela é responsável pela direção e roteiro, ao lado de Jacob Tremblay e a dupla, mãe e filho, consegue encantar o público com tamanho carisma entregue à respectivos personagens. Mas quem estará com certeza na corrida de melhor atriz coadjuvante será, com certeza, Marion Cotillard, que coloco a sua performance em um patamar acima de ‘A Very Long Engagement’ – um de meus favoritos da atriz. Cotillard, como Noémie, consegue destaque em todas as cenas que aparece, sendo contracenando com Jacob ou com Julie, a presença de sua personagem é algo magnânimo no filme – parece que ela consegue se encaixar na fina linha entre os ‘dois mundos’ existentes, o de Chantal e de Pierre, e uma das indicações é o seu figurino.
A fotografia e a música ornam de maneira excepcional, o que faz com que a imersão em uma Paris na década de 60 aconteça de maneira natural. Outro aspecto interessante é que a partir do momento que Chantal ‘some’, o filme se torna mais microscópico, digo isso em relação de que vamos nas entranhas de Noémie e de Pierre, os sentimentos são aguçados e expostos, a cena dos dois abraçados é de uma delicadeza extrema.
“An Unusual Summer” é com certeza um dos filmes que você não pode perder se procura por algo sensível e reconfortante.

96

Odysseia (84)
O novo longa de Rian Johnson, que conta com um roteiro coescrito por Luís Ortega, Greta Gerwig e o próprio diretor, é inovador e refrescante no âmbito, algo característico de Johnson, basta observar seus trabalhos anteriores. A atmosfera do filme beira o incrível, o trabalho de Rachel Morrison e Michael Giacchino é incrível e de muito respeito, o figurino, assinado por Janty Yates também é muito característico para o visual do filme. O misto tranquilo e conturbado na introdução. O estouro do conflito. O promissor e destoante desfecho. O filme nos convida para algo que conhecemos, um ambiente já trabalhado pelo diretor, porém esse conhecido é completamente um desconhecido também, pela premissa, o filme caminha por uma estrada tensa, que vai nos aliviando e entretendo quando o passar, a saga de Castor. E o erro está no alívio, após a sequência na lua o filme entra em um âmbito de exaustão, que pode ser superado ou se manter, e o que ocorre é que ele se mantém, não há uma emoção, apesar de dolorosa, a morte de Cybele não causa impacto. As atuações são todas boas, para um “pseudo-blockbuster”. Talvez faltou um pouco mais de empenho por parte de Daniel Craig, não que o ator esteja ruim porém a mudança do personagem parece um pouco frágil, ou pode ter sido uma falha roteiro mesmo. de maneira excepcional, o que faz com que a imersão em uma Paris na década de 60 aconteça de maneira natural. Outro aspecto interessante é que a partir do momento que Chantal ‘some’, o filme se torna mais microscópico, digo isso em relação de que vamos nas entranhas de Noémie e de Pierre, os sentimentos são aguçados e expostos, a cena dos dois abraçados é de uma delicadeza extrema.
“An Unusual Summer” é com certeza um dos filmes que você não pode perder se procura por algo sensível e reconfortante.

95

Blue Book (90)
A escolha inteligente do título ressalta a qualidade do filme: a cor azul é frequentemente associada a profundidade e estabilidade, ela simboliza lealdade, sabedoria e confiança que é exatamente o que o filme nos traz. Viola entrega uma atuação divina desde o momento que estranha a representação racial em Hollywood e começa se questionar sobre até que ponto ela foi parceira do sistema até o momento de sua rebelação. O elenco coadjuvante não fica muito atrás, todos majestosos.

92

Formigas (74)
O título “Formigas” é uma escolha excelente feita pelo diretor Cao Hamburger. De saída, ele já contempla as duas dimensões da história dos três jovens, Zeca, Tito e Mariana, que irão fazer uma viagem desbravadora de Jequié até Salvador para buscar uma caixa de formigas, e, durante este percurso, se descobrirem enquanto eles mesmos tentam sair de dentro da imaginária caixa em que estão presos: medos, paixões e o poder em se rebelar. Essa camada interessante faz com que a história prenda o telespectador, o olhar do mundo naquele momento, o ano de 1969, e até mesmo a chegada em Salvador com o choque em relação a ditadura militar brasileira, que começava a apertar o cerco contra seus opositores e a iniciar seus anos de maior rigor. 
O longa-metragem nacional é um filme inequivocamente plural. É possível rir com ele e também se emocionar, mesmo em seus momentos mais faceiros. A paleta de cores da cinematografia de Affonso Beato tinge o filme com um sentimento de cumplicidade do começo ao fim, como se estivéssemos participando dessa metamorfose, que acontece nos personagens e nos cenários por onde passam. A chegada à cidade grande causa uma aflição, o cenário nos traz uma melancolia e uma certa aflição. Um verdadeiro filme de road trip se faz assim, fluído e não somente colocando percalços desnecessários no caminho dos protagonistas para causar atritos. 
A escolha do roteiro de trabalhar com esse período e contrastando a chegada do homem a lua com as vidas dos personagens é muito interessante e pertinente, são duas corridas que tendiam a falhar, uma realmente falha, os irmãos, após o caleidoscópio de emoções. em estado de inércia, e a outra tem sucesso, o homem pisando na lua e tendo sua “vitória” na corrida espacial. São muitas as leituras que se pode ter de todas as situações que englobam o universo de Formigas, mas a principal é que em tempos tão críticos, onde toda a nação está abandonada e separada de sua própria voz, três jovens, criados pela liberdade, conseguem achar a sua voz e entender a importância dela, mesmo que seja por pouco tempo.

91

Some Miles West of Tordesilhas (87)
Em uma releitura genial de Esaú e Jacó da Bíblia, Ana Carolina entrega junto de seu forte elenco uma história mirabolante mas fácil de ser comprada e com diálogos interessantíssimos, posso dizer que é um dos filmes mais surpreendentes dessa Award Season. Sem falar da trilha perfeita que embala o longa.

90

Landslide (92)
Um dos títulos mais aguardados desta Award Season, Landslide, dispensa comentários, ao tentar recriar a trajetória por trás do famoso disco Rumors de Fleetwood Mac, John Carney entrega um excepcional estudo de personagens. Todo o elenco está de parabéns, todos conseguem entregar uma atuação de ponta e ter seu momento de destaque. Apesar de baseado em fatos reais, Michael Arndt soube usar de artefatos que fazem o roteiro soar muito original e natural – as discussões são extremamente bem feitas, um ponto muito positivo para uma produção dessas, provavelmente o roteiro em outras mãos soaria mais do mesmo. O drama musical é tão cativante, provavelmente devido ao ótimo casting, que não percebi até depois de uma segunda o quão cada detalhe do filme é milimetricamente pensado para não soar cafona, apesar de ser extremamente cafona e ainda assim muito bem feito. Acho que a única coisa que me incomoda neste quesito é no final, a cena de “The Chain” com cortes de shows da banda real e os infames textos na tela, fora isso, me agrada muito as escolhas do diretor. A fotografia de Edward Lachman dá um ar muito singular ao filme, como se o cinematógrafo trouxesse para a lente o que escutou na música ou leu no roteiro. Outro âmbito que se destaca são os figurinos de Julie Weiss, que além de individualizar cada personagem, também, de certa forma, os une como grupo.

89

Autobiografia do Meu Primeiro Amor (83)
“Autobiografia do Meu Primeiro Amor”, o novo filme de Karim Aïnouz, leva para as telas uma história cheia de paixão, drama e realidade. Apesar de se passar em uma Angra dos Reis, município da Costa Verde do Rio de Janeiro, da década de 70, muito do que assistimos é fácil de enxergar na sociedade moderna: a sensibilidade e capacidade de retratar uma realidade que parece se espalhar pelo mundo. A de vozes e vontades silenciadas.
A premissa entrega a história de Davi, um jovem que não está satisfeito com sua vida no local onde mora e tem ambições de ir para a capital em busca de realizar seus sonhos, até que um encontro com um desconhecido o faz repensar sobre as questões da vida naquele momento. Com a direção sensível e competente de Karim, combinada a todos os outros setores, como o próprio roteiro, a assistência de Lícia Manzo e a fotografia de Hélène Louvart e figurino de Chris Garrido – que fazem com que os mínimos detalhes do filme fossem o mais verossímil possível, tornando a história tocante e capaz de causar em quem assiste uma identificação muito grande.
A relação de Davi, sua sexualidade, seu encaixe naquela cidade e a situação no país naquele momento, é trazida de forma clara por meio de diálogos e situações que mostram uma desconexão. Isso fica muito bem colocado em cenas que vemos a timidez do menino em relação com os outros personagens, principalmente as com a sua mãe. Alguns momentos chegam a causar aflição, já que toda a equipe de arte, fotografia, som e direção trabalhou muito bem a atmosfera criada para cada uma das situações.
Aliás, o que dizer das atuações? Juan Paiva, Letícia Sabatella e Grace Passô apresentam performances notáveis e dignas de elogios. A cena de Davi no banheiro na véspera de Natal é um show de atuação. Outra cena muito poderosa do filme é o diálogo entre Penha e Clarice, que perpassa por muitas emoções e deixam o espectador sem reação.
Em questões técnicas, como arte, fotografia e som, o filme também mostra muita qualidade. A cena inicial é de uma delicadeza sublime.
Apesar dessa gama de elogios, nas cenas mais brutas e viscerais, em relação ao olhar, o filme perde um pouco seu brilho, talvez querer mostrar demais a faceta turva do período da ditadura ao invés de deixar entre as linhas ou subentendido tenha sido uma cartada um pouco arriscada, apesar de não ter funcionado para mim, causando apenas um choque momentâneo, não estraga a experiência do filme.

89

A Chin of Gold (86)
Incrível, acho que é a palavra que pode ser usada para descrever esse filme. Del Toro faz deste filme um projeto atípico na sua carreira. Com uma direção encantadora e apaixonada, uma simples história se transforma em um clássico. As atuações, por mais que nenhuma tenha um destaque, estão no ponto, o uso da trilha sonora e dos efeitos são mágicos. É uma delícia fantástica, um filme que merece todos os elogios e, certamente, receberá nesta award season.

89

Fifteen Thousand Days of Love (84)
Fifteen Thousand Days of Love’ é uma história simples que vai calmamente tomando conta de você. Todd Haynes se preocupa tanto em contá-la de maneira encantadora, e também em sua linda representação, que é impossível não ficar comovido.

88

Berenice (80)
Recriando um fantástico conto de Edgar Allan Poe, a diretora e roteirista Agnieszka Holland mostra de forma simples porém efetiva como criar uma história melancólica mas mesmo assim cativante. ‘Berenice’ tem um decorrer mais prosaico, mas os elementos sublimes, quando aparecem, são no momento exato, o que faz com que o filme se mantenha instigante até o último minuto.
A sequência anterior a morte do marido de Berenice, apesar do tom alegre, parece de certa forma, morta ou estranha – não como algo ruim, mas de forma que ela consegue manter a melancolia no ar -, como se tivessem como objetivo anunciar que algo estava vindo.
Trilha, fotografia e figurino (mesmo o último sendo básico) mesclam e comunicam-se entre si como uma obra de arte.
Patricia Pillar e sua atuação minimalista fazem com que Berenice seja uma personagem interessante, creio que não poderia ter uma escolha melhor de atriz para o papel.

88

Empty Cities (88)
O novo filme de Wong Kar-Wai é extremamente apaixonante e emocionante. A direção cuidadosa e cada detalhe da obra faz deste um dos filmes que mais me fez pensar durante a temporada. Mais uma obra prima vinda do diretor. Cada segmento do filme, apesar do mesmo padrão, trazem sentimentos diferentes, a cada momento de vida de Chang Yu sentimos paixão, angústia e o que mais ele estiver sentindo. Christopher Doyle nos ajuda a sentir isso, com a fotografia impecável que transmite emoções e faz parte do corpo que é o filme. E, por ter falado do protagonista, Takeshi Kaneshiro está impecável, sua atuação é facilmente uma das melhores da temporada. A trilha sonora nos ajuda a embalar no ar poético do filme. O único momento no qual eu não me senti absorvido pelo filme foi na cena de reencontro de Yu e Abigail, após as tragédias, me senti deslocado naquele momento, como se algo ali não tivesse em sintonia com o resto, o ambiente, ou talvez essa era intenção, as tragédias da vida dissiparam a sintonia que existia entre os dois, mas não funcionou para mim. Tirando este último comentário, o filme é todo um bom melodrama, para se acompanhar em uma tarde de domingo ou numa noite de segunda, ‘Empty Cities’ entrega uma história profunda, que vai te deixar refletindo um pouco sobre a vida e seus caminhos turvos.

85

Kisses of a Woman (91)
Uma das coisas mais encantadores sobre o novo longa de Jane Campion é a interessante atmosfera criada para o desdobramento da história e isso que me fez gostar do filme — a fotografia de Stuart Dryburgh é primorosa. Nicole Kidman está no ponto, considero uma das melhores performances da atriz em anos. Keira Knightley está belíssima inclusive quando chora — metade do filme. Outro ponto positivo é o figurino que promete ser um dos favoritos do ano. Ao todo, ‘Kisses of a Woman’ é um delicioso e interessante filme, vale a pena conferir.

84

The Visit (79)
Com uma interessante proposta, The Visit, com roteiro e direção de Thomas Vinterberg, entrega uma Nicole Kidman deslumbrante e certeira, a atriz baila de maneira imponente pelas cenas. O mesmo não se pode dizer de Mads Mikkelsen, que já trabalhou com o diretor anteriormente, durante a drama, há deslizes, Alexander parece um personagem vazio, apesar de ser uma peça principal do filme. O trabalho com a monotonia, que não funciona com Alexander, é a peça principal do filme, fotografia e trilha sonora cumprem seu papel e complementam a trama de vingança. O público consegue sentir o gosto amargo, mas o filme é um deleite. A sequência final do filme é delicada e simples, mas consegue fechar o filme de maneira perfeita, Claire cumpre seu desejo, mas as lembranças continuam com ela (o anel), pois é algo que a mantém agarrada ao que ela amava.

80

Todos os Nomes (86)
Se eu fosse tentar comparar Todos os nomes a qualquer outra coisa, teria que ser alguns dos filmes mais poéticos dos anos 60 e 70. Mas ainda assim seria um pouco errado, a saga de Sr. José me deu um sentimento único. A trilha que acompanha algumas cenas são muito bem colocadas, ajuda a dar um charme a mais. Um filme é contado de forma curiosa, que chegam a causar um estranhamento em alguns momentos, como na cena entre o protagonista e sua vizinha. Porém a sua estética impressiona, apesar de simples tem uns toques de harmonia e fidelidade com a história que conseguem cativar o público. O filme perde um pouco seu potencial pelo fato de parecer que estamos vendo os personagens de longe, sinto falta da imersão, apesar de acompanharmos a rotina e busca de Sr. José, nunca parece que estamos próximos do personagem, talvez, uma limitação do roteiro. No entanto, continua a ser um filme muito bonito e bem construído, certamente vale a pena dar uma olhada, mesmo que apenas uma vez.

80

The Seagull (75)
Dirigida por Kantemir Balagov, com um roteiro de Aleksandr Terekhov, The Seagull se mostra uma adaptação exuberante e onírica, por mais que peque em alguns aspectos – como por exemplo na trilha sonora. Mas podemos afirmar que a magia do filme está em suas performances, essa adaptação poderia ser facilmente uma masterclass para estudantes de teatro, os atores conseguem encantar o público em cada cena.

80

Tempest (75)
Apesar de del Toro não consegueir alcançar a grandeza estética e temática de “Pan’s Labyrinth” de 2006, Tempest é um filme cativante para aqueles capazes de cair no feitiço que este lança, pontos para a bela trilha sonora de Navarrete e para a incrível atuação de Toni Collette.

80

When’s Dinner Ready? (82)
When’s Dinner Ready?’ entrega mais uma performance espetacular de Florence Pugh e de Emma Stone, a atmosfera de suspense habilmente montada pelo diretor é de outro mundo.

79

Hollywood Ending (78)
Em Hollywood Ending, James Gray entrega um singelo trabalho sobre a realidade e como o amor funciona nesta. O filme encontra delicadezas nas cenas entre Reeve e Margot – onde a atriz se destaca – e constroem a conexão e até mesmo carisma que faltam em Reeve durante a primeira parte do filme. Julie Andrews entrega mais um trabalho excepcional em sua carreira. Apesar de alguns tropeços, o filme, por fim, consegue entregar uma melancólico história.

78

Sacrilégio (74)
Em “Sacrilégio”, Carolina Jabor traz a lenda da mula sem cabeça, um triste conto de amor proibido, que apesar de triste e assustador, a cineasta apresenta de forma muito emotiva. 
A aposta na química entre Chay Suede e Letícia Colin é o que nos faz mergulhar de cabeça no filme, os dois em cena encantam e trazem tamanha veracidade para o que se passa na tela. O filme se passa todo na pacata Vila Piedade e tem uma direção de arte muito bem cuidada, os cenários misturam e explicitam a condição degradativa do conservadorismo. O resultado é lindo. É uma pena que os coadjuvantes e figurantes acabem tão estereotipados. 
Apesar de grande parte do filme girar em torno da descoberta do amor entre o Padre e a jovem, a alternância de tempo entre o passado e presente, em mim, tem um efeito contrário, não atiça nenhum pouco minha curiosidade mas quebram o ritmo. A intimidade entre Álvaro e Maria Luísa é como uma autodescoberta para ambos. Ainda assim, o longa poderia maximizar algumas questões periféricas, como a questão do furor religioso.

76

Projetor Fantasma (80)
Em “Projetor Fantasma”, o primeiro suspense de Bárbara Paz, a intimidade da diretora com a câmera não dá o tom necessário para o filme, o que faz com que a interessante saga de Gabriel se torne, no mínimo, pedante. Poucos são os momentos em que Bárbara consegue sobressair e, até mesmo, trazer algo novo aos nossos olhos, como a sequência de fuga de Téo e Gabriel, ali, além de acontecer uma enorme conexão entre os atores, talvez pela adrenalina, que em alguns momentos faltou entre Pigossi e Massaro, toda execução da cena é ótima, dos flashes até a cena da Madame morta, congelada na tela e derretendo.
A grande estrela do filme é Johnny Massaro no papel dos gêmeos, Téo e Mateus. Quando entra em cena ele toma o espaço para ele, fazendo com que os gêmeos se tornem o centro do filme, até mesmo por conta do mistério envolta da figura de ambos. Marco Pigossi desenvolve um Gabriel cético e sem carisma, não atribuo isso ao roteiro nem a direção, acho que é mais uma questão do ator mesmo, apresentar personagens que são como uma folha em branco, apesar de estar sempre bonito em cena.
O roteiro não convence em alguns pontos, porém não é de todo ruim e combina com a trilha sonora. O filme começa com um ritmo interessante, e apesar de o mistério intrigar em alguns momentos, toda história de seita, que se assemelha a uma maçonaria desviada, e do projetor demoníaco não causam uma reação boa, a tendência fantasiosa desanda o ritmo, a conexão entre esses amigos de infância que passaram tanto tempo longe e a repentina atração se dá de maneira estranha e que me deixa um pouco perdido na narrativa.
Mudando o foco, os personagens da Madame e do Mestre são muito bem executados, a química entre Reynaldo Gianecchini e Marieta Severo é muito boa e funciona perfeitamente não só quando estão em cena juntos, mas também, quando estão separados apenas como figuras enigmáticas.
Sobre a cena final: a escolha da atriz-diretora em colocar o personagem Gabriel despido em meio a natureza, como um atestado da verdade da imagem viva (e sua anterior relação com o projetor), é algo muito bonito e singular, e é também onde Barbará encontra seu momento como diretora: na fluidez e na melancolia do gesto de câmera, no despudor em filmar a nudez. Esse efeito também ocorre na cena de sexo entre os amigos.
Mas, em outros momentos, como na cena de abertura, foge no tato da diretora a noção sobre as imagens precisas, sobre o que ela quer introduzir a partir daquilo, não no sentido de escolher imagens carregadas de simbolismo, mas de escolher precisamente imagens com potencial de conexão com outras imagens, para que o filme ganhe realmente um significado e uma conexão com quem assiste.

74

A Boca da Noite (86)
A Boca da Noite é um filme muito interessante e divertido, mas quando passa para um tom mais sombrio, não convence. Carla Camurati, diretora do projeto – apesar de ser excelente no que faz – não chama muita atenção para sua direção, fazendo que o foco do filme fique muito mais nas mãos dos atores, sendo assim, uma obra muito mais teatral, com seus personagens arquétipos: um delegado durão, senhoras fofoqueiras etc.
É um ótimo entretenimento, mas o filme deixa a desejar em momentos que deveriam ser de suspense e fantasia, como se a obra se firmasse nos momentos cômicos, principalmente no começo do filme. Apesar disso, o filme traz consigo um sentimento de nostalgia, como se estivéssemos na cozinha com nossos parentes e eles contando causos da vida e da pacata cidade onde moravam.
A personagem Adelaide, vivida por Bárbara Colen, é um dos diamantes do filme, como se a atriz fosse feita para fazer aquele papel e, não somente isso, como se o filme fosse feito para focar apenas nela, fazendo com que a ideia do José Eduardo de Selton Mello seja um mero coadjuvante muito viva em nossas cabeças.
Acho que uma das surpresas diante do filme, além da personagem Adelaide, é em retratar cenas comuns de cidades do interior, como na missa, na quermesse da igreja, ou num simples cafezinho entre comadres. Ainda que não se trate de somente uma comédia, o estudo de costumes regionais é bastante bonito de se ver.
Outro ponto importante de notar é que a diretora tenta brincar com o real, colocando sempre em questão se as situações que ocorrem são do plano do real ou do fantástico, o que dá certo em alguns momentos, como no início das investigações dos incidentes por José Eduardo e Adelaide. Como dito anteriormente, o filme se ganha pelo aspecto teatral, com as imagens estão carregadas de exageros, gestos e cenários coloridos demais. Grandes responsáveis desse tom são Hélène Louvart e Luciana Buarque, responsáveis pela fotografia e figurino, com as casas antigas e as roupas de época.
Para os atores deve ter sido divertido trabalhar em um projeto tão rico. Para o público, em alguns momentos, o filme se torna tedioso e um pouco arrastado.

73

Keep Your Distance (66)
Sem dúvidas um filme com muito a oferecer – incluindo performances que combinam lindamente, mesmo com alguns atores ficando de lado as vezes – mas quando acaba você fica com aquele sentimento que deveria ter mais – porém isso é bom ou ruim?

70

Beyrouth, Mon Amour (78)
Com uma compreensível e muito arriscada a proposta de filme, Nadine dirige e roteiriza mais um filme como uma forma de denúncia, só que os fatores não ornam, o real convulsiona com o fictício e acaba por não causar um arrepio sequer no público, apesar de sério, o filme não nos convence muito. O enquadramento da cena do Dias das Mães é desajeitado e serve apenas para interromper a história, o cenário que se cria não é convincente e soa um pouco artificial. A atuação que Cassel e Nadine entregam está no ponto, assim como trilha e fotografia. Se fosse mais expansivo o enfoque da trama, e não, de certa forma, pequeno, ela funcionária perfeitamente.

70

Education (78)
“Education,” o último filme do talentoso Yorgos Lanthimos, é exatamente o que se espera de um filme do diretor: Uma história estranha, situada em um mundo estranho com personagens estranhos fazendo coisas loucas.
Sendo essa mais uma premissa original e instigante de Lanthimos, desta vez o diretor nos coloca no estranho Internato Vis, comandado por uma sinistra Glenn Close, que decola no papel trazendo todo quê de ‘vilania’ que ele demanda. Acompanhamos o que acontece neste instituto educacional pelos olhos de Ben Wishaw, que apesar do talento não faz nada demais na trama.
Um ponto para o momento em que o personagem de Aidan Gallagher é atingido na nuca por um rádio pelo professor que Lanthimos consegue torná-la engraçada de forma sombria.
Mas, ao contrário das outras obras do autor, “Education” peca ao tentar estabelecer as regras básicas da trama. O suspense e a curiosidade estão ali porém em nenhum momento conecta-se com os personagens de modo com que faça o telespectador querer saber o que realmente acontece/aconteceu/acontecerá. O desenvolvimento do personagem e o impulso narrativo se perdem.
Por fim, vale a pena conferir a obra, Lanthimos tem uma visão bem interessante e instigante sobre o sistema de ensino e suas pedagogias.

70

Vector (47)
Vector é um filme sombrio, um pouco curto para o que se propõe. Ainda assim, Von Trier consegue orquestrar as performances em um tom perfeitamente adequado fazendo com que o filme brilhe em alguns momentos. Mas é aquilo: pode-se imaginar alguns espectadores presos em seus assentos, impressionados com a obra; pode-se também imaginar algumas pessoas saindo das salas, revirando os olhos e remoendo o tempo perdido.

66

The Ballad of Broken Roses (67)
PTA faz um bom trabalho observando a tensa e delicada relação entre os personagens centrais da história, que marcados por uma tragédia tem que traçar uma nova vida. Os destaques do filme ficam, sem dúvida, com as atuações impecáveis de Hedges e Kidman.

65

Um Filme de Assalto (63)
“Um Filme de Assalto” é um filme bastante rico em diversos aspectos, como trilha sonora, atual e utilizada de forma inteligente, e direção, com cenas de ação executadas com maestria, porém peca no roteiro, principalmente ao tratar de questões históricas de maneira tão simplista. 
No novo longa de Jeferson De, o diretor usa o filme como um palco para nos fazer questionar a exaltação de figuras históricas problemáticas. Algumas cenas do filme exemplificam debates e questões que estão em voga atualmente. Sabendo disso, o diretor insere a protagonista em um ambiente urbano e bastante diverso e aborda essas questões de maneira leve e didática. O roteiro escrito por João Reis, Aldri Anunciação e Juliana Vicente possui altos e baixos, a trama é acelerada e possui alguns diálogos pouco inspirados, as cenas de adrenalina e humor são bastante orgânicas, como a sequência que introduz o terceiro ato que é simples e porém muito bem dirigida. Apesar disso, entre os altos e baixos do roteiro, o saldo é negativo. Um destaque positivo é a trilha sonora da obra que se torna quase um personagem de tão viva e pulsante. 
No quesito atuações, o elenco trabalha da melhor maneira com o roteiro que é oferecido. Não vejo destaques, talvez Monica Iozzi por estar tanto tempo sem vê-la atuar.

60

Baila (84)
Com grandes nomes na produção, Baila surpreende por sua proposta renovadora porém se perde ao tentar justificar os meios – que talvez ficariam melhor sem explicações.
Começarei esta review por enfatizar duas coisas que eu apreciei demais do filme: o primeiro ato – que nos oferece um produto de extrema qualidade – e o casting, que nos traz o grande Antonio Pitanga e também um certo estranhamento quando vemos o nome de Carla Perez, que acaba por dar seu nome e desconstrói a imagem que tinham dela como atriz.
O filme pós-primeiro ato entra em um espaço em branco, onde pode-se fazer muito, mas o que é feito parece ser vazio – digo isso, por exemplo, em relação a introdução da Casa de Oxumarê que depois vamos descobrir o porquê e esse porquê é algo irrelevante.
Sobre as revelações: apenas achei que foram escolhas duvidosas, porém chegaram até convencer – nunca totalmente – em certo ponto.
A vingança e o arrependimento tardio de Tora é algo que não faz sentido, pois destinada a destruição, ela faz do psicológico e da vida da filha um inferno – fazendo-a passar por um branqueamento e cirurgias mil – para no final de tudo ficar desistir? É uma das perguntas retóricas que ficam na minha cabeça sobre o filme.

54

The Clearing (64)
The Clearing é uma bagunça extraordinariamente poderosa, o filme abre brilhantemente, depois vai indo e chega no ponto que se perde em seu conteúdo, rumo ao desastroso. Tem uma boa trilha e atuações comuns – com a exceção de Dench e Anya Taylor-Joy que se destacam. 

49

The Payback (41)
Com uma proposta ambígua, não se sabe para que lado da história o curta pretende ir.

43

Remind Me of The Stars (70)
“Remind Me Of The Stars”, ou melhor “Letters to Juliet” repaginado com uma exagerada dose de drama, mostra que a vida não é feita só de acertos – e essa lição se aplica ao diretor/roteirista também. A colcha de retalhos que Richard Linklater, conhecido por sua versatilidade e originalidade, apresenta é difícil de se digerir, porque parece que todos mecanismos usados para fazer o filme operar falham: o desconforto na alegria surpreendente de Beth nos primeiros momentos do filme, o interesse repentino do neto em seguir viagem com a avó e seu segredo, a ligação entre ambas personagens que embarcam em uma road trip, a comunicação e a linguagem – e com linguagem quero dizer no fator final do filme que é inexistente, não dizendo que um filme tem que ter uma moral ou mensagem imbuída em si, mas que durante todo o filme vamos vendo algo acontecer e não sabemos o que é porque o diretor abusa tanto de recursos de tensão e suspense, de conflito, que o filme acaba por ficar sem sentido. Talvez fosse a intenção, porque não há noção de temporalização e espacialização no filme, eles só estão lá… vivendo. A dupla, Catherine O’Hara e Timothée Chalamet, funciona como bons amigos, em questões de relação familiar ocorre um pecado – lê-se não convence. Outra dupla, Catherine O’Hara e Eugene Levy, conhecidos pela premiada Schitts Creek, é perfeita, mas não pelo texto que recebem e sim por já saberem trabalhar um com o outro. A parte técnica do filme é onde eu tenho que elogios, o impecável trabalho de Debra Hanson em criar Beth e transmitir o que a personagem sente. As tentativas de um quê de comédia são imprevisíveis, na melhor das hipóteses. A temática do filme chega tarde à mesa, fria, sem oferecer nada inovador ou que faça refletir. A maioria dos momentos de comoção parecem forçados e não merecidos.

40

Into The Unkn0wn (66)
O novo longa de Jonathan Glazer causa curiosidade desde seu casting, que entrega atuações excepcionais, até sua premissa intrigante. Com uma introdução muito boa e promissora o filme se perde em seus malabarismos e nos entrega um final inesperado e porco – que destoa da qualidade da produção.

40

The Bird Song (54)
The Bird Song é apenas uma história simples e sem suspense de pessoas bonitas em perigo.

36

Verano (49)
Esse filme que usa como plano de fundo uma luta sobre política e libertação, o triunfo sobre a opressão de um ditador, uma Revolução. Mas, tropeça em um sonho americano e no final acaba por não se tratar de nada.


Premiações

1ª Temporada

Melhor Filme: Bloodline
2º Lugar: Blue Book

Melhor Direção: Melina Matsoukas, Blue Book
2º Lugar: Lynne Ramsay, Bloodline

Melhor Ator: Idris Elba, The Bird Song
2º Lugar: Michael Fassbender, When’s Dinner Ready?

Melhor Atriz: Ruth Negga, Bloodline
2º Lugar: Viola Davis, Blue Book

Melhor Ator Coadjuvante: Paul Dano, Bloodline
2º Lugar: Robert Pattinson, Blue Book

Melhor Atriz Coadjuvante: Fernanda Montenegro, Bloodline
2º Lugar: Emma Stone, When’s Dinner Ready?

Melhor Roteiro: Lynne Ramsay, Bloodline
2º Lugar: Melina Matsoukas, Blue Book


2ª Temporada

Melhor Filme: Attraversato
2º Lugar: Some Miles West of Tordesilhas

Melhor Direção: Alice Rohrwacher, Attraversato
2º Lugar: Guillermo del Toro, A Chin of Gold

Melhor Ator: Danila Kozlovsky, The Seagull
2º Lugar: Mads Mikkelsen, Vector

Melhor Atriz: Jane Fonda, A Chin of Gold
2º Lugar: Lupita Nyong’o, Attraversato

Melhor Ator Coadjuvante: Ian McKellen, The Clearing
2º Lugar: Lucas Hedges, The Ballad of Broken Roses

Melhor Atriz Coadjuvante: Toni Collette, Tempest
2º Lugar: Vasilisa Perelygina, The Seagull

Melhor Roteiro: Ana Carolina, Some Miles West of Tordesilhas
2º Lugar: Alice Rohrwacher e François Ozon, Attraversato


4ª Temporada

Melhor Filme: Robert Patti Blue Star
2º Lugar: Landslide

Melhor Direção: Agnieszka Holland, Berenice
2º Lugar: Julie Delpy, An Unusual Summer

Melhor Ator: Ben Whishaw, Education
2º Lugar: Reeve Carney, Hollywood Ending

Melhor Atriz: Rooney Mara, Robert Patti Blue Star
2º Lugar: Nicole Kidman, The Visit

Melhor Ator Coadjuvante: Adam Driver, Landslide
2º Lugar: John David Washington, Odysseia

Melhor Atriz Coadjuvante: Isabél Zuaa, Todos os Nomes
2º Lugar: Marion Cotillard, An Unusual Summer

Melhor Roteiro: Jane Campion, Kisses of a Woman
2º Lugar: Agnieszka Holland, Berenice

Melhor Filme Estrangeiro: Empty Cities
2º Lugar: The Visit

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