Estatísticas
6 filmes avaliados
4 críticas positivas (67%)
2 críticas mistas (33%)
Nenhuma crítica negativa
Nota média: 77
Na média, esta associação dá notas 0,1 pontos menores do que as outras.
Em suas críticas, esta associação pontuou:
Acima da média 50% das vezes
Na média 0% das vezes
Abaixo da média 50% das vezes
Críticas
Entre parênteses, a média geral do filme.
93
Autobiografia do Meu Primeiro Amor (83)
Em um dos momentos mais marcantes de Autobiografia, o sexo de seus personagens se encerra em uma onda que quebra e dá lugar a uma montagem apaixonada do casal ao som de Coração Selvagem. Esse sentimentalismo brega e tropical dá o tom do filme que, inegavelmente genuíno em seu melodrama, demonstra seu carinho pelo mundano por todos seus aspectos; com destaque para a performance sensível de Juan Paiva. É com toda certeza o grande filme da temporada, e uma experiência potente que mudará a vida de muitos.
88
Projetor Fantasma (80)
Cristalizados na tensão promovida entre a película e o digital, os delírios anacrônicos de Projetor Fantasma provocam os sentidos e constroem uma percepção de realidade pautada na experiência sensorial em suas múltiplas formas. A ótica peculiar de Bárbara Paz brilha na controversa segunda metade do filme, onde convenções narrativas são deixadas de lado em prol de uma jornada imagética. Sobre o elenco, vale dizer que Johnny Massaro impressiona com sua atuação íntima e que a instigante dinâmica não verbal entre Marieta Severo e Reynaldo Gianecchini é deliciosa de assistir.
83
A Boca da Noite (86)
Com todas as suas fofocas, palpites e causos, em Bom Sossego revela um interior marcado por redes dinâmicas de oralidade que formam, na recusa ao regionalismo inerte, o grande triunfo d’A Boca da Noite. Nunca subestimando o ideário de sua população, o filme convida o espectador a, como o protagonista, adentrar pouco a pouco o as relações mágico-político-religiosas ali engendradas; culminando numa Minas Gerais viva e dinâmica que, capaz de absorver até as mais nefastas forças da natureza, se cristaliza como aterrorizante no desfecho glorioso da trama. Os efeitos práticos são um show à parte, e a presença de Chico Díaz na figura do coveiro é particularmente notória.
75
Formigas (74)
Dotada de um revigorante senso de aventura, a jornada dos irmãos Zeca e Tito diverte com galeria nostálgica de personagens exóticos e situações inusitadas, mas acaba sufocada no formato escolhido. As seções que compõem a história tem estilos próprios e arcos narrativos autossuficientes, sendo a transição entre elas brusca e, como boa parte do filme, demarcada pela trilha sonora; uma estrutura perfeitamente adequadas aos capítulos de um folhetim. Posta como está, a narrativa funciona, mas segue um ritmo similar ao de minisséries mutiladas à forma de longa-metragem. Se produzido com uma distribuição episódica em mente, Formigas poderis ter se deleitado mais com seu universo, dando tempo para que os cenários ー e os espectadores ー respirassem antes da próxima parada.
60
Um Filme de Assalto (63)
Um Filme de Assalto, como bem indica seu nome, segue à risca a cartilha de seus antecessores, nunca se destacando em meio deles; problema que se acentua por conta de seu estilo que, mesmo provocativo, ainda parece derivado de outras produções. Se o longa sustentasse seu pastiche, o fato de ser clichê não traria grandes problemas, mas não é isso que acontece. O filme propõe uma lista de lugares-comum do gênero ー tem personagem hacker, imprevistos tecnológicos, alívio cômico policial, final agridoce etc ー, e se arrasta por eles numa sequência de meio acertos mecânicos e desalmados, neutralizando até mesmo seus pontos positivos. De nada adianta uma boa escalação de atores, por exemplo, se os personagens não transcendem suas funções dentro do filme para ter personalidades cativantes e construir relações genuínas de companheirismo. Também não há por que adotar ângulos chamativos para suas cenas de ação se não há nada que realmente chame atenção nelas, ou construir um cenário complexo só para destruí-lo sem explorar suas possibilidades. Essa mediocridade reverbera até mesmo nas escolhas musicais que, sem cenas interessantes para sustentar, chamam toda a atenção para si e distraem daquilo que está em tela. Convenhamos, “filme de roubo protagonizado por Douglas Silva e musicado pelo Emicida” não soa nada mal, mas uma boa ideia por si só não basta. Por mais divertido que seja em alguns momentos, faltou ousadia para tornar o filme tão empolgante quanto sua premissa.
60
Sacrilégio (74)
A narrativa não-linear de Sacrilégio sofre de suas próprias ambições e acaba tão decapitada quanto a criatura que a inspira; passado e presente se sobrepondo em momentos inoportunos e impedindo que se crie a imersão necessária para uma história tão cheia de suspense. Também é uma pena que, apesar de seu esforço para recontextualizar a lenda da Mula-sem-cabeça, a ótica de Jabor ainda a apresente como secundária em sua própria história ー não sabemos muito da Malu de Letícia Colin fora de seu relacionamento com o padre ou de seu mitológico retorno. A excelente e cacofônica cena de exorcismo não deixa mentir: é fato que a atriz traz força à performance. Ainda assim, a personagem simplesmente não causa grande interesse, passando batida numa trama em que acabou perdendo seu papel central para atuações ainda menos memoráveis, como a de Chay Suede. A impressão que fica é a de que em algum momento esse foi um filme promissor sobre folclore, vingança e temor divino, mas que a produção infelizmente se perdeu no meio do caminho e deu lugar a uma obra esquecível, que se apoia em algumas poucas cenas grandiosas para tentar causar impacto ao invés de potencializar sua interessante temática.