Empty Cities (2020)

de Wong Kar-Wai
coproduzido por Constância’s Haus of Bürger e Hikaro de Castro
com Takeshi Kaneshiro
28 de novembro de 2020 (4º Festival de Veneza)
🇭🇰 Hong Kong

Melodrama / Romance
Sinopse: Um conto de amores e paixões que atravessam décadas, fronteiras e mares.

Vencedor de 16 prêmios, incluindo o Leão de Ouro em Veneza. Parte da Criterion Collection.


Consenso da Crítica: Mais uma vez encontrando a interseção perfeita entre melancolia e paixão, Wong Kar-Wai cria em “Empty Cities” mais uma obra multifacetada, complexa e marcante, com a ajuda de um trio de protagonistas no auge dos seus talentos.

Média da crítica

88

Média do público

8.6

Tomatômetro

100%

Pipocômetro

100%

Navegue pelas seções


Ficha Técnica

Direção: Wong Kar-Wai
Roteiro: Wong Kar-Wai
Produção: Constância’s Haus of Bürger e Hikaro de Castro
Fotografia: Christopher Doyle
Música: Mina Mazzini e Shigeru Umebayashi
Figurinos: William Chang
Distribuição: Annapurna Pictures
Plataformas: Castro+ e Constant+

Elenco

Takeshi Kaneshiro como Chang Yu
Tony Leung como Zhou Li
Natalie Portman como Abigail Treves


Proposta Estética

Neste filme Wong Kar-Wai choca sua estética melodramática já bem demarcada com novas referências da música e do cinema italianos. O figurino fica por conta de William Chang, que trabalha com estampas que se destacam e criam oposições em relação as estampas já presentes nos papéis de parede dos cenários extravagantemente decorados. Na direção de fotografia é retomada a parceria com Christopher Doyle, trazendo cores vivas e vibrantes, câmaras lentas, uma iluminação dramática e recortada, além de um enquadramento trabalhado com janelas e espelhos.


Narrativa

O filme abre com a cartela:

Na noite passada, o vento e a chuva sopraram juntos, / As cortinas da parede farfalharam em sua canção de outono.
A vela morreu, o relógio de água se esgotou, / Levantei-me e sentei-me, mas não consegui ficar em paz.
Os assuntos do homem são como o fluxo da enchente, / A vida é como flutuar em um sonho.
Eu deveria ir mais bêbado pelo país, / Do contrário, não suportaria viver.

Zona portuária da Hong Kong pós-Segunda Guerra Mundial. Um binóculo observa as janelas de um apartamento, onde Zhou Li (Tony Leung) é visto deixando um livro de lado na sala de estar e então preparando-se para dormir. Após ele apagar as luzes, revela-se que é Chang Yu (Takeshi Kaneshiro) quem o observava. Ele deixa o binóculo e faz uma anotação num caderno, onde a rotina de Li está descrita detalhadamente. Além da mobília simples da hospedaria barata em que Yu está, há apenas uma pequena mala em cima de uma cômoda. Antes de fechar o caderno e dormir, Yu fica alguns segundos a observar um pedaço de papel bem amassado e com as bordas rasgadas onde está desenhada uma moça de aparência ocidental. 

Na manhã seguinte, Chang Yu recebe a visita de um homem, que lhe entrega uma considerável quantia em espécie sem revelar seu próprio nome. O homem esclarece que aquele é o adiantamento do pagamento de Yu e também cobre possíveis gastos que pode ter com o serviço. Antes de sair, o homem faz um alerta: o prazo de Yu está acabando. Uma montagem elíptica, ao som de “Moyou”, mostra Yu seguindo Li por Hong Kong.

A sequência é filmada sempre pelo exterior dos prédios ou das salas em que Li se encontra, com a câmera seguindo da direita para esquerda por portas e janelas. Li toma o trem até a universidade onde leciona, almoça num restaurante popular e retorna à universidade para serviço burocrático. Li vai a um bar underground após concluir seu trabalho pelo dia. Yu entra no bar e senta-se no balcão, observando o grupo. Sua presença é notada pelos outros fregueses, visivelmente desacostumados com novos frequentadores.

Abandonando momentaneamente a perspectiva de Yu, acompanhamos Li e seus companheiros debatendo os últimos feitos da Revolução Cultural. Alguns entusiasmados discutem uma possível revolução honconguesa, enquanto outros, mais céticos, temem o aumento da represália aos maoístas. Um companheiro particularmente preocupado cita risco de desaparecimentos e envolvimento das triads. Mas o que é consenso entre os presentes é que o grupo socialista articula-se na clandestinidade de Hong Kong. À medida que a noite avança, Li e os amigos deixam as tensões políticas de lado e divertem-se, com Yu ao fundo, observando. No banheiro, os dois têm uma pequena interação: em frente ao espelho, Li empresta a Yu seu pequeno pente que leva dentro do paletó. Yu ordena com o pente seus cabelos rebeldes, com um resultado efêmero.

Conforme passa o tempo, a linha entre meticulosidade e obsessão torna-se cada vez mais turva para Yu. Decidido a adentrar cada vez mais fundo na vida de seu alvo, ele passa a frequentar o bar com mais frequência, misturando-se ao grupo de Li. “L’Importante E’Finire” começa a tocar. Numa noite particularmente entusiástica, os dois trocam olhares lascivos e o desejo sexual mistura-se ao desejo de Yu de cumprir logo seu trabalho. Findada a noite, os dois retornam juntos para casa, uma vez que agora já é sabido que moram um em frente ao outro. Bêbado no táxi, Li toca discretamente a perna de Yu. 

No apartamento de Li, os dois transam intensa e calorosamente. Após Li dormir, Yu mantém-se acordado brincando com a faca que mantinha guardada no bolso da calça o tempo todo. Ele acaricia o corpo de Li e lentamente passa a ponta da faca sobre sua pele. De ressaca e arrependido na manhã seguinte, apressa-se para ir embora. Ao chegar na hospedaria, a proprietária, uma velha nada amigável, lhe entrega um bilhete. A mensagem é direta: caso não conclua o trabalho logo, morrem os dois.

À noite, na varanda que dá para o mar no apartamento de Li, os dois dançam abraçados enquanto “E Poi…” é reproduzida num toca-discos. A dança é espontânea, tenra e, principalmente, sensual. A luz refletida pelas contas de um sino dos ventos cria reflexos dançantes nos corpos dos dois amantes. Yu vira o parceiro de costas, abraçando-o com força por detrás, acariciando seu corpo e beijando-o no pescoço. Devagar, Yu vai passando a mão por baixo da camisa de Li até que é possível ver seu torso. Yu então encosta a lâmina de uma faca que tirou do bolso nas costas parcialmente nuas de Li e sussurra em seu ouvido: “Estou apaixonado. Por favor, pule.” Yu afasta-se aos poucos, mas mantém a faca firme no corpo de Li, cujo rosto estampa aflição. Quando Yu pressiona a faca com mais força, Li afasta-se e, sem olhar para trás, lança-se ao mar.

Suas promessas de vir eram palavras vazias, ela se foi sem deixar vestígios, / A lua está inclinada na torre quando ouço o quinto sino do relógio.
No meu sonho estávamos distantes, achei difícil ligar, / Tento escrever apressadamente, mas acho a tinta muito fina.
O brilho da vela cobre metade da cama de ouro e esmeralda, / Uma pequena sugestão de cheiro almiscarado permanece no lótus bordado.
A jovem Liu já lamentava que a colina Pengshan ficasse longe, / Nós dois estamos separados por dez mil colinas Pengshan.

Câmara Lenta. “Sono come tu mi vuoi” toca num toca-discos. Chang Yu está sentado em um bar com companheiros italianos do Instituto de Arquitetura de Veneza. Eles discutem fervorosamente, mas Yu parece alheio a tudo, ele está com seus olhos fixos para uma das portas que dá para uma sacada sobre o canal. Alternamos entre a imagem de Yu observando, se levantando e caminhando até a sacada, e uma subjetiva de Abigail Treves (Natalie Portman), hora de costas e hora em perfil, fumando na sacada. Ela vira em sua direção quando ele se aproxima, tem um semblante impassível, apesar das lágrimas escorrerem por seu rosto.

Ele tenta não transparecer o desconcerto que sentiu ao vê-la chorar quando lhe questiona sobre o porquê de estar ali sozinha. O flerte de certa maneira funciona: ela se abre lhe contando que sua família é judia e, apesar de serem abastados, não poderia continuar seus estudos em literatura. Ele lhe conta que também não sabe qual será seu futuro ali, já que sua família estava a encontrar dificuldades para enviar-lhe dinheiro e que as relações entre Itália e Grã-Bretanha só estavam a piorar. A conversa se desenvolveu e um encontrou no outro uma esperança em tempos tão incertos. 

A lua brilha refletida nas águas dos canais. Abigail e Yu caminham até a casa dela, parando em frente ao portal. Ela agradece pela companhia e eles se despedem timidamente, mas permanecem no mesmo lugar. “Mi sei scoppiato dentro il core” começa. O casal se olha nos olhos por alguns instantes. Ela o beija rapidamente e quando se vira para entrar ele a puxa de volta para um beijo mais longo.

A música continua sobre uma sequência que acompanha o desabrochar do romance de Yu e Abigail. Ele rouba livros da Biblioteca para que ela possa continuar seus estudos em casa. Ela leva para ele roupas antigas que seu pai não usa mais. Ele as experimenta mas ficam grandes, ela ri e as ajusta para o corpo dele. Eles cruzam os campos da região do Veneto de bicicleta. Em um passeio por Verona ele esboça um retrato dela. Eles riem e fumam na sacada do bar. Por final observam as luzes da cidade a noite, sentados nas escadarias de uma igreja.

A Itália declara guerra à França e à Grã-Bretanha. “On The Lake” começa a tocar. Chang Yu percebe que a hora de ir-se de Veneza chegou, em breve isso se tornaria impossível. Italianos com bandeiras e rojões comemoram a entrada do país na guerra quando ele, pela manhã, telefona para a cada da Família Treves, sem sucesso. O jovem então se dirige ao porto de Veneza, a fim de conseguir bilhetes em um navio para casa. Depois de uma intensa negociação ele consegue dois bilhetes, para ele e Abigail, na embarcação que zarparia à meia-noite. O resto do dia se passa com Yu arrumando suas malas, vendendo pertences para angariar fundos, e telefonando à procura de Abigail, ainda sem sucesso. A música transiciona para “Georges Waltz (I)”, que continua na cena seguinte à cartela. Noite, a fumaça do cigarro de Yu faz desenhos sob a luz da lua, ele entra em um bar na zona do porto, decidido a tentar entrar em contato com Abigail uma última vez. Uma senhora atende o telefone e lhe comunica que Abigail e seu pai viajaram pela manhã para a sua casa de veraneio no Lago Garda e ainda não retornaram. Ela pergunta a ele se gostaria de deixar algum recado um pouco antes que ele desligue o telefone sem responder. Um bilhete voa pelos telhados de Veneza carregado pela brisa marinha.

Calmamente, esperei aqui tanto tempo, / Dia após dia; mas agora devo retornar.
Agora vou buscar a grama perfumada, / Mas lamento separar-me de meu velho amigo.
Quem me ajudaria na estrada? / Amigos compreensivos são poucos na vida.
Eu deveria apenas observar minha solidão, / E fechar novamente o portão da minha antiga casa.

Veneza, Final da Década de 50. Chang Yu atravessa a praça de San Marcos, vazia. Uma gôndola o leva calmamente pelos canais da cidade. Os sinos de uma igreja tocam, mas não se sabe onde. O vemos em frente à antiga casa da Família Treves. Os ramos de vegetação, antes tímidos e controlados, haviam completamente tomado conta do muro, e até mesmo ameaçavam tomar o portal. Apesar disso a casa parecia bem cuidada. Ele retira um pequeno pente de dentro do paletó e penteia os cabelos antes de apertar a campainha. É atendido por uma estranha, recentemente a casa havia sido comprada e estava habitada por um casal de americanos que desconhecia completamente a história dela ou tampouco se interessavam em saber que ocorreu com seus antigos moradores.

“Yumeji’s Theme” toca enquanto vemos Yu visitar diversos arquivos e bibliotecas, desde aqueles do governo italiano quanto de sinagogas e organizações sionistas, procurando por informações sobre o paradeiro dos Treves. Planos detalhes de documentos vão lentamente se sobrepondo numa fusão de escritos em alfabeto latino, caracteres Han e Alef-Beit que evoca as poesias concretas. A sequência termina com Yu descendo de um avião no Aeroporto de Lod, Palestina.

Chang Yu atravessa as pradarias da Palestina, onde ainda são visíveis as cicatrizes deixadas pela Guerra de Formação do Estado de Israel, em um carro de bois. O guia, senhor de idade avançada, não se importa com a barreira linguística e conta histórias em um tom arrasador. Ao longe, avistam o kibutz, que surge na semi-árido como um oásis no deserto. Quando chega na comunidade, Yu não demora a encontrar Abigail, que se mostra surpresa por encontrá-lo ali. No entanto, Yu logo se dá conta que não a conhece mais. Agora casada, Abigail carrega consigo uma certa melancolia, potencializada por toda a tragédia das guerras.

Os dois conversam sob a sombra de uma enorme oliveira. Yu não consegue esconder a chateação de não ter encontrado Abigail na noite em que voltou para Hong Kong e cita enormes sacrifícios para voltar para a Veneza, ao passo que não conseguiu encontrar sua família em meio à Guerra Sino-Japonesa. Por outro lado, Abigail revela seus compromissos com a família e a comunidade. Ela conta que refugiou-se brevemente em Garda, mas a situação não tardou a ficar insustentável por lá também e então emigrou com o pai para o Oriente. Apesar dos esforços de Yu, ela recusa-se a deixar o pai e o marido. Quando pergunta se Yu realmente acreditava que ela voltaria com ele depois de tudo que se passou, ele responde que já não sabia mais, mas precisava ter certeza. Com a mesma face impassível e com a mesma lágrima que mostrou a Yu anos atrás, ela diz que sempre o amará.

 Abigail enxuga as lágrimas ao ver que seus filho vem correndo e brincando após saírem de suas classes. Ela rapidamente se levanta e vai em direção a eles. Yu permanece sentado por um tempo ao pé da oliveira, observando-a. Ela canta docemente para seus filhos e eles dançam juntos em roda, ao ritmo da canção folclórica “Numi Numi”. A luz do sol os banha com uma coloração dourada quando Yu se vira para olhar pela última vez.

Como um homem pode escapar da tristeza e do arrependimento da vida?
Qual é o limite da minha dor solitária? / Voltei para minha terra natal em um sonho,
Ao acordar, derramei duas lágrimas. / Quem agora vai escalar aquelas torres altas,
Lembro-me daquelas cenas claras de outono. / Esses eventos passados perderam o significado,
Eles desaparecem como em um sonho.

Dez anos mais tarde, Chang Yu observa de sua janela a chuva cair no mar turbulento durante uma noite veneziana. Aquela imagem o faz retornar para a Hong Kong dos anos 1950, onde visualiza mais uma vez Zhou Li jogar-se no mar. Pensa ainda que correu imediatamente até o parapeito, de onde observou os companheiros de Li, escondidos em barcos pesqueiros, resgatarem o corpo ainda vivo do amigo e seguirem pelo mar até que Yu os perdesse de vista. 

Yu desperta de seu devaneio quando escuta seu antigo relógio de coluna anunciar a chegada das 20 horas com um som forte. Ele prepara-se com uma capa de chuva e um guarda-chuva e sai para a rua. “Non Credere” começa a tocar. A cena em câmara lenta mostra Yu e Abigail vindo de lados opostos da mesma rua movimentada. Seus olhares se cruzam e os dois se reconhecem, mas os dois continuam no caminho que faziam.


Oscar Tapes

Takeshi Kaneshiro: No momento em que Chang Yu liga tenta pela última vez comunicar-se com Abigail antes de partir de Veneza. Perdidamente apaixonado e, até então, esperançoso, Yu é abatido por uma enorme decepção – e o demonstra sem dizer nada.

Tony Leung: Na cena em que discute com os companheiros no bar, Leung condensa todos as paixões, anseios, esperanças e preocupações do personagem, livremente expressados naquela coletividade.

Natalie Portman: Quando Abigail reencontra Yu na Palestina, ela coloca toda a dor desses últimos anos em suas palavras, mas lutando para manter uma postura inabalável que já lhe é característica.


Trilha Sonora


Fotografia

Figurino


Notícias e Imagens

Confira todas as notícias da temporada e imagens de campanha nas revistas Visions e That’s Gossip.


Prêmios

Total de 16 prêmios e 55 indicações. Clique aqui para ver todos os prêmios da 4ª temporada.

4º Festival de Veneza
  • Leão de Ouro (venceu)
  • Coppa Volpi de Melhor Ator, Takeshi Kaneshiro (venceu)
1º MTV Movie Awards
  • Filme (indicado)
  • Atuação, Takeshi Kaneshiro (indicado)
  • Vilã ou Vilão, Takeshi Kaneshiro (indicado)
  • Beijo, Takeshi Kaneshiro e Tony Leung (indicados)
  • Dupla ou Time, Takeshi Kaneshiro, Natalie Portman e Tony Leung (indicados)
  • Pôster (indicado)
4º Globo de Ouro
  • Ator de Drama, Takeshi Kaneshiro (venceu)
  • Filme Estrangeiro (indicado)
  • Direção, Wong Kar-Wai (indicado)
  • Ator Coadjuvante, Tony Leung (indicado)
  • Roteiro, Wong Kar-Wai (indicado)
  • Trilha Sonora, Mina Mazzini e Shigeru Umebayashi (indicados)
4º Screen Actors Guild Awards (SAG)
  • Ator, Takeshi Kaneshiro (venceu)
  • Elenco: Natalie Portman, Takeshi Kaneshiro e Tony Leung (indicado)
  • Atriz Coadjuvante, Natalie Portman (indicada)
  • Ator Coadjuvante, Tony Leung (indicado)
4º BAFTA
  • Ator, Takeshi Kaneshiro (venceu)
  • Filme em Língua Não-Inglesa (venceu)
  • Filme (indicado)
  • Direção, Wong Kar-Wai (indicado)
  • Atriz Coadjuvante, Natalie Portman (indicada)
  • Ator Coadjuvante, Tony Leung (indicado)
  • Roteiro Original, Wong Kar-Wai (indicado)
  • Fotografia, Christopher Doyle (indicado)
  • Figurino, William Chang (indicado)
  • Composição Musical, Mina Mazzini e Shigeru Umebayashi (indicados)
4º Oscar
  • Ator, Takeshi Kaneshiro (venceu)
  • Filme (indicado)
  • Direção, Wong Kar-Wai (indicado)
  • Ator Coadjuvante, Tony Leung (indicado)
  • Filme Internacional (indicado)
  • Roteiro Original, Wong Kar-Wai (indicado)
  • Fotografia, Christopher Doyle (indicado)
  • Trilha Sonora de Compilação, Mina Mazzini e Shigeru Umebayashi (indicados)
  • Canção Não-Original: “Non Credere”, Mina Mazzini (indicado)
Premiações da Crítica
  • Filme (1 prêmio, 1 vice)
  • Direção, Wong Kar-Wai (1 prêmio)
  • Ator, Takeshi Kaneshiro (2 prêmios, 2 vices)
  • Atriz Coadjuvante, Natalie Portman (1 prêmio, 1 vice)
  • Roteiro, Wong Kar-Wai (1 prêmio)
  • Filme Estrangeiro (3 prêmios, 4 vices)
  • Ator Coadjuvante, Tony Leung (1 vice)
Temporadas Posteriores

Nota: prêmios e indicações recebidos em temporadas posteriores não são contabilizados no ranking da temporada de lançamento do filme.

1º Festival do Rio
  • Seleção Oficial

Críticas do Júri

100

Joseph Wilker Film Critics Association
Wong Kar-Wai em mais uma parceria com Tony Leung e Takeshi Kaneshiro com a estética clássica que lembra “In the mood for Love”. O romance entre os protagonistas é mostrado de forma crua. A chegada de Natalie Portman na narrativa traz aquela mesma sensação de “Closer”, ela é uma atriz que consegue mostrar o sentimento apenas no olhar. Filme esteticamente impecável, história que engole o telespectador e faz questionar sobre relacionamentos seja eles com pessoas ou lugares.

95

Associación de Críticos de Cine Pastuzo
Empty Cities é um retrato romântico e melancólico da solidão. Acompanhar a narrativa pode ser tarefa difícil para um espectador mais distraído, que por vezes vai se ver perdido no tempo-espaço do longa, mas, como as cartelas das intermissões evidenciam, a complexidade do enredo não é o foco. Os gestos, os momentos e a bagagem que eles deixam – esse é o âmago da obra. O que Wong Kar-Wai e Christopher Doyle fazem (de novo) é projetar um fluxo de sensações através do fluxo imagens. Desde a montagem elíptica de Yu perseguindo Li pela Hong Kong caótica do pós-guerra até a cena em câmera lenta de Yu e Abigail cruzando olhares na movimentada Veneza dos anos 60, somos presenteados com a sincronia desses fluxos, que hora nos estimulam, hora nos devastam. As atuações de todos são um tanto sóbrias, mas abrem espaço para o merecido destaque da trilha sonora: Mina Mazzini e Shigeru Umebayashi são essenciais para arrematar todo o drama dos encontros e despedidas. Filme perigoso para se ver num domingo. ¡Cuidado!

92

San City Film Critics Association
Em Empty Cities, Wong Kar-Wai nos presenteia, mais uma vez, com uma estoria de amor que expande décadas e fronteiras. Embalado por uma trilha sonora que mistura melancolia e nostalgia, acompanhamos a vida de Abigail e Yu serem acometidas por tragedias e desencontros. O diretor tem sempre essa maneira de capturar solidão e desejos nao realizados de uma forma que muitas vezes nos tira o folego. Brilhante trabalho de Natalie Portman.

89

Deep Sea Film Critics Society
Novamente Won Kar-Wai e seus colaboradores provam que há beleza na melancolia e na tristeza. As vidas de seus personagens, sempre tão são definidas pelas incertezas de seus caminhos, parece tão frágil e efêmera quanto as imagens dos planos fechados, de iluminação difusa. Tudo nos parece delicado, embaçado, confuso, mas nunca menos vivo, por isso. O contexto histórico e os desencontros amorosos se completam muito bem, sob a lente de Christopher Doyle, e a visão poética de Won Kar-Wai é sempre um deleite atmosférico de sensações. As grandes emoções são vistas e apreendidas nos menores movimentos, nas menores variações — o que depende muito do elenco que, aqui, ajuda o diretor a vencer a distância criada por seu próprio estilo voyeristico. Belíssimo entrelaçamento de temas e técnicas. Um dos filmes mais silenciosamente devastadores do diretor.

88

Rio Film Critics Circle
O novo filme de Wong Kar-Wai é extremamente apaixonante e emocionante. A direção cuidadosa e cada detalhe da obra faz deste um dos filmes que mais me fez pensar durante a temporada. Mais uma obra prima vinda do diretor. Cada segmento do filme, apesar do mesmo padrão, trazem sentimentos diferentes, a cada momento de vida de Chang Yu sentimos paixão, angústia e o que mais ele estiver sentindo. Christopher Doyle nos ajuda a sentir isso, com a fotografia impecável que transmite emoções e faz parte do corpo que é o filme. E, por ter falado do protagonista, Takeshi Kaneshiro está impecável, sua atuação é facilmente uma das melhores da temporada. A trilha sonora nos ajuda a embalar no ar poético do filme. O único momento no qual eu não me senti absorvido pelo filme foi na cena de reencontro de Yu e Abigail, após as tragédias, me senti deslocado naquele momento, como se algo ali não tivesse em sintonia com o resto, o ambiente, ou talvez essa era intenção, as tragédias da vida dissiparam a sintonia que existia entre os dois, mas não funcionou para mim. Tirando este último comentário, o filme é todo um bom melodrama, para se acompanhar em uma tarde de domingo ou numa noite de segunda, ‘Empty Cities’ entrega uma história profunda, que vai te deixar refletindo um pouco sobre a vida e seus caminhos turvos.

87

Rubens Ewald Son Film Critics Association
Empty Cities nos apresenta uma história que não procura concluir ideias sobre as relações humanas mas sim estudá-las como eternos encontros e desencontros de nossas vidas. Portanto, ninguém melhor que Wong Kar Wai para fazer esse melodrama acontecer, acompanhado da fotografia de Christopher Doyle e da trilha fantástica de Mina e Umebayashi. Kar Wai convida o espectador a observar a vida de Yu assim como ele observa a de Li no início do filme, convida também o espectador a se encantar com ele assim como ele se encanta com Abigail. Isso não apenas é mérito de Kar-Wai mas da atuação encantadora de Kaneshiro e a química com seus parceiros de cena, que entregam igualmente ótimas performances. Por mais que Kar-Wai não entregue aqui uma história que se aprofunde nas relações entre as personagens, o sentimento que fica é de uma eterna conversa com Yu e na sua função como projeção do espectador. Portanto, Empty Cities consegue estudar o desejo e o amor de uma forma não muito comum em romances: aquela que apenas explora a visão de quem ama e isso basta.

83

Cinema Contestado – União Catarinense de Críticos de Cinema
Um filme que parece ser feito sob encomenda para as mãos do diretor Wong Kar-Wai. Um thriller de época com uma atmosfera noir e uma narrativa dramática, Empty Cities conseque captar magestralmente a nunca históricade seu cenário. A trama de romances impossíveis se interconecta com o ambiente, figurino, maquiagem e produção de set. A obra carece um pouco de ritmo ao tentar trabalhar personagens subjetivamente densos em cidades tão diversas. Ela exige do espectador um olhar mais atento que o usual, o que pode afastar uma fração do público. Para quem não vê isso como um problema, no entanto, Empty Cities é um deleite visual e narrativo.

80

Gotham City Film Critics Secret Society
Wong Kar-Wai traz novamente um envolvente e profundo melodrama por trás de toda uma carga histórica dramática, apoiado por sua ótima trilha sonora. Seus maiores pontos se devem ao design e ambientação, além da atuação entregue por Takeshi. As cartelas são ótimas sacadas, tanto em conceito como visualmente. Contudo, o primeiro ato do filme consegue ser melhor desenvolvido e cativante que os seguintes, decaindo um pouco a qualidade, mas ainda assim instigante.

78

Oz Film Critics Society
Os fragmentos da vida de Chang Yu são mostrados de maneira belíssima, mas sem se aprofundar de fato em nenhum deles. O início instigante, que traz um conflito mortal é rapidamente “resolvido” e fica um gostinho de “quero mais”, um certo vazio – que ressoa o título e provavelmente como Chang Yu se sente. A segunda história apresentada é confusa e apressada e não engaja tanto, já que estávamos curiosos em relação a primeira, que tem um ar de incógnita o tempo todo. Porém, é um belo exemplo de como fazer cinema para maravilhar os olhos.


Comentários do Público

Em breve.

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora