Cinema Contestado – União Catarinense de Críticos de Cinema


Estatísticas

30 filmes avaliados

25 críticas positivas (84%)

5 críticas mistas (16%)

Nenhuma crítica negativa

Nota média: 77

Na média, esta associação dá notas 4,6 pontos menores do que as outras.

Em suas críticas, esta associação pontuou:

Acima da média 30% das vezes

Na média 4% das vezes

Abaixo da média 66% das vezes


Críticas

Entre parênteses, a média geral do filme.

100

An Unusual Summer (93)
An Unusual Summer proporciona ao espectador um “slice of life” ambientado no Maio de 68. Através de uma história micro e intimista, contata através do olhar do jovem protagonista, o público consegue imergir no cenário político e histórico retratado. O tema da infância e amadurecimento se intersecciona com a carga dramática da política francesa na segunda metade do século XX. O olhar da criança, ao mesmo tempo oferece outra leitura dos “problemas dos adultos”, também nos apresenta um mundo que tendemos a esquecer quando crescemos. A obra presta homenagem a filmes com propostas parecidas de retratar eventos históricos através de crianças – de Império do Sol e O Túmulo dos Vagalumes até A Vida é Bela e A Culpa é de Fidel. O olhas sensível da diretora Delpy consegue, como poucos, amalgamar a proposta com a execução em uma obra que deve entrar pra lista de melhores lançamentos do ano.

95

Landslide (92)
Cinebiografias de bandas têm estado em alta ultimamente. Muitas se perdem entre os atropelos e a romantização da carreira de astros da música. Landslide, no entanto, contorna esses problemas com uma sutileza invejável. A produção conseegue retratar os dramas e êxtases, os altos e baixos da Fleetwood Mac com um toque de mestre. O tom barroco da produção e da narrativa se harmonizam com a estética da banda, resultando numa obra cinematográfica digna desse recorte.

95

Robert Patti Blue Star (94)
Robert Patti Blue Star leva o espectador em uma experiência turbulenta e angustiante, mas totalmente recompensadora. Acompanhando as dificuldades e atritos do relacionamento dos protagonistas, a obra desce como um trago amargo. O público vivencia as dificuldades de uma dupla de artistas tentando levar a vida numa cidade caótica e opressora que é a Nova York da época. Cada parte adiciona uma nova camada de complexidade aos personagens, o que reflete na relação entre eles, na sua vida de subsistência, nos seus prazeres e na sua arte. A multiversatilidade das personalidades de Patti e Robert é explorada com o devido cuidado em cada cena. Robert Patti Blue Star é uma obra digna da biografia desses artistas.

90

Kisses of a Woman (91)
Kisses of a Woman conduz o público em uma experiência contemplativa através de paisagens e prédios da Europa dos anos 30. A proposta de uma história intimista é coerente com os cenários bucólicos – mas ao mesmo tempo exuberantes – que a película constrói. Soma-se a essa exuberante atmosfera o figurino e as técnicas de filmagem conduzidos com maestria pela equipe de produção. O resultado é uma obra que cumpre as promessas de impressionar o público em todos os seus sentidos.
A narrativa linear é enriquecida por harmoniosos respingos de sonho e fantasia, quebrando a condução que tenderia a ser excessivamente objetiva. Um pequeno deslize, contudo, é a mudança de tom: na primeira metade do filme, antes da revelação da identidade de Rebecca, a obra recorre a um excesso descritivo; na parte seguinte, se sobressaem os cortes pouco descritivos e cenas abertas que deixam o espectador ligar os pontos por conta própria. Esse é, contudo, apenas um detalhe menor no meio da construção cenográfica e narrativa de Kisses of a Woman.

88

Education (78)
Mais do que uma obra cinematográfica, Education assume o propósito de um tratado acadêmico e uma reflexão pedagógica. Percebemos um evidente intento por parte da equipe de produção em ilustrar conceitos e defender um ponto de vista. Para além dessa proposta, Education também não teme em abordar cenas chocantes e desconfortáveis. As demonstrações violência (física e psicológica) se encaixam no projeto.
A trama, contudo, peca pelo excesso, isto é, pelo excesso de informação e descrição. Foca-se muito em apresentar o mundo e funcionamento do internato, suas salas, seus métodos de ensino. Ao fazer isso, perde-se a oportunidade de aprofundar os personagens e sua subjetividade. A Diretora parece fria, o Candidato parece perdido, e os garotos parecem apenas reativos. Há pouco arco neles, pouco desenvolvimento de seus conflitos e pensamentos. Pode ser parte da experiência do filme, mostrar personagens tão pálidos quanto o internato. Porém, se for o caso, faltou deixar explícito ao espectador essa intenção.

88

Remind Me of The Stars (70)
Remind Me of the Stars mescla com delicadeza drama e comédia, complexidade e leveza. Trata-se de um filme de road trip que equilibra momentos de tensão, de contemplação, e alegria. Mais do que uma viagem pela estrada, os personagens embarcam em uma viagem interna: uma auto-descoberta que se une a uma descoberta um do outro. O espectador acompanha uma dupla de protagonistas carismáticos que possuem uma dinâmica muito flúida. A proposta estética abrilhanta a narrativa, criando um diálogo entre todas as camadas exploradas pelo filme.

88

Todos os Nomes (86)
Uma história kafkiana com um final otimista. Todos os Nomes parte das dicotomias ordem/desordem, burocracia/pessoalidade, massificação/individualidade para subvertêlos no fim. As metáforas aludidas na obra são compostas com atenção e cuidado aos detalhes. Destaca-se a Conservatória Geral como uma meta-realidade a julgar e registrar o mundo “ordinário”. A proposta artística de contrastar esses ambientes com cores e técnicas de filmagem específicas para cada um acrescenta vida à narrativa. Vale comentar a forma de apresentação e desenvolvimento de personagens. Há que se exaltar o modo que até personagens não-vivos – a Conservatória e a mulher da ficha, em especial – ganham forma e presença. O protagonista, entretanto, é o menos interessante deles todos. Sua personalidade é um tanto quanto errática: ele é vivo e ativo em alguns momentos, covarde e impotente em outros. Seu arco de desenvolvimento não se costura tão bem com suas motivações e seus objetivos nessa trama parecem incertos. Ficamos satisfeitos pelo seu final, mas nem tanto pela sua jornada. Atenuando as falhas do Sr. José, Todos os Nomes é uma obra explêndida de realismo fantástico capaz de dar vida e sabor a Kafka e Weber.

87

Berenice (80)
Recriar contos de Poe é sempre um desafio para todo cineasta. A ambientação que se tornou a assinatura do autor funciona muito bem no texto, mas nem sempre é bem traduzida na linguagem do vídeo. Berenice assume esse obstáculo e consegue entregar um resultado sóbrio e sombrio ao mesmo tempo. A produção faz um excelente uso de cenários e personagens, entregando a atmosfera adequada através da linguagem visual – atendendo à máxima “show, don’t tell”.
Apesar de ser bem-sucedido nesse desafio, Berenice escorrega por oportunidades perdidas. Ao longo da trama, há vários elementos mostrados por pouco tempo em tela (por exemplo as frutas, o pomar, as caminhadas, a mansão, os soldados). Eles aparecem como recursos episódicos, sem função para além daquela aparição. Mesmo sendo um filme excelente, Berenice poderia ter crescido ainda mais se aproveitasse esses ganchos.

86

Hollywood Ending (78)
Hollywood Ending aborda com cuidado a temática do distanciamento interpessoal através da mudança subjetiva de seu protagonista. Outros temas surgem paralelos: ambição, arrogância, isolamento, envelhecimento, abandono, traíção profissional, entre outros. A obra consegue equilibrar os diferentes dramas de seus personagens, optando por não centralizar-se em um específico. Tudo isso é conduzido pelas escolhas (ou ausência de escolha) do protagonista. O espectador é conduzido por Christopher, acompanhando a lamentável transformação interior do personagem. O filme consegue destacar bem as três fases desse desenvolvimento: ambição, soberba e arrependimento. Contudo, o arco do personagem parece dar saltos bruscos entre um e outro. Christopher começa a narrativa como alguém que atrai a empatia do público, mas se transforma muito repentinamente em um sujeito reprovável. Outro exemplo é a cena do quarto de hotel, que representaria a redenção de Christopher e seu desejo de mudança; mas quando lhe é apresentado a chance de mudar – durante o encontro com Julie no restaurante, na cena final – ele não age, optando por esperar passivamente que outros ajam por ele. Isso coloca em dúvida a reparação do protagonista. Em análise, o filme apresenta uma narrativa intrigante e dramas complexos que atraem o interesse do público. O tom melancólico é bem dosado, balanceado com cenas alegres entre Christopher e Julie. Mesmo as cenas clichês de romance tem seu lugar na trama. O recurso de saturação das cores e luzes para simbolizar o momento dramático dos personagens pode desagradar alguns críticos de arte mais ortodoxos, mas não é algo que prejudique a produção. O calcanhar que Aquiles da obra é apenas a ambiguidade do arco narrativo de Christopher, conforme mencionado.

86

Lady Lazarus (89)
Lady Lazarus conquista o público por abordar com a intensidade necessária um drama complexo e claustrofóbico. A trama se desenvolve através da dinâmica entre os personagens e permite ao espectador submergir na relação opressora vivida por Sylvia Plath. A proposta bibliográfica mescla realidade, ficção e narrativa pessoal. Uma homenagem digna a vida e ao trabalho de Plath.

84

Odysseia (84)
Odysseia é o action-drama épico que a humanidade merece em 2021. Com personagens bem expressivos e cenários deslumbrantes, a obra presta homenagem aos gêneros artístico que referencia. Outro mérito do filme é costurar o simbolismo na trama, sabendo equilibrar a suavidade com alguns elementos gritantes. Odysseia peca pelo excesso – excesso de exposição, de cenas que não avançam a narrativa, de mudanças bruscas de ritmo – mas ainda assim vale cada minuto de tela.

83

Empty Cities (86)
Um filme que parece ser feito sob encomenda para as mãos do diretor Wong Kar-Wai. Um thriller de época com uma atmosfera noir e uma narrativa dramática, Empty Cities conseque captar magestralmente a nunca históricade seu cenário. A trama de romances impossíveis se interconecta com o ambiente, figurino, maquiagem e produção de set. A obra carece um pouco de ritmo ao tentar trabalhar personagens subjetivamente densos em cidades tão diversas. Ela exige do espectador um olhar mais atento que o usual, o que pode afastar uma fração do público. Para quem não vê isso como um problema, no entanto, Empty Cities é um deleite visual e narrativo.

80

Ingrid’s Private Letters (83)
Um dos maiores desafios de adaptar uma boa história para as telas é a técnica chamada “show, don’t tell” (mostre, não conte). Ingrid’s Private Letters peca justamente neste aspecto. Percebe-se logo que emoções e relacionamentos são o tema da obra. Contudo, por não apresentar recursos que os exprimam, muito da mensagem fica a depender da interpretação do espectador. Apesar disso, o filme se vale como uma homenagem a Ingrid Bergman. O toque semi-biográfico abre espaço para realismo, ficção e subjetividade. É uma obra que equilibra bem a crítica com a complexidade emocional dos personagens.

78

Baila (84)
Baila abraça o carnaval e a cidade de Salvador com uma atmosfera distópica. Sonhos, flashbacks e realidade se misturam num ritmo acelerado, marcados pelo ritmo do calendário do feriado. A criativa narrativa consegue prestar uma homenagem às referências que toca e guia o público em uma memorável e assombrada fantasia carnavalesca.
Apesar dos êxitos, Baila incorre em questões sociais delicadas, as quais não parece acessar com o cuidado necessário. A figura de Tora pode ser interpretada de maneiras bem problemáticas, especialmente considerando a cena final: uma mulher “embranquecida” artificialmente, acompanhada um grupo de jovens percussionistas negros, liderando uma multidão indistinguível que a segue em transe até depois que o trio elétrico despenca ladeira abaixo.
Entendemos que a equipe de produção tinha em vista uma alusão ao carnaval de Salvador que transcendia esses problemas. Contudo, a temática merecia ser repensada ou trabalhada com mais alertas à audiência.

78

Ben (86)
No campo do cinema pós-moderno, são poucos aqueles que conseguem remeter ao conflito entre autor-personagem sem cair num clichê. Ben é um exemplo desses poucos. O roteiro consegue transitar com cuidado e delicadeza entre as cenas, sem cair nas armadilhas do gênero. Até as cenas excessivamente dramáticas e um tanto quanto novelescas são perdoáveis frente a execução cuidadosa da proposta meta-narrativa.

77

B.A.: Una Historia de Tango (79)
B.A. consegue formular a atmosfera perfeita para a história que quer contar. A experiência imersiva auxilia o pública a se vincular com os personagens e seus dramas. O relacionamento desses é uma peça-chave para o desenrolar da trama, que é feito com o cuidado de evitar estereótipos caricaturescos. O trabalho polido e sóbrio, resultado da dedicação da equipe de produção e direção, resulta num produto cultural que recoloca a Argentina no debate da crítica internacional de cinema.

77

Beyrouth, Mon Amour (78)
Arte e discurso se harmonizam em Beyrouth, Mon Amour. Três narrativas – parciais e fragmentadas – contam ao público uma história social e política com as nuances necessárias. A complexidade do cenário visível e invisível é vivido de maneiras diferentes pelos personagens, cada um encarnando um conjunto de relações distinto. O mérito da obra é escapar das narrativas totalizantes e apresentar com cuidado os elementos que compõem o quadro. O desafio, porém, não vem sem seus obstáculos. Ao focar no ponto de vista dos personagens, a narrativa que os costura parece sumir e reaparecer de formas inconstantes. Em momentos, temos a impressão de acompanharmos três histórias independentes que por acaso acontecem no mesmo ambiente.

77

The End of Those Days (69)
Um balanço cuidadoso entre drama de guerra e drama pessoal. The End of Those Days consegue equilibrar o horror da guerra e o arco dramático das personagens, transitando com leveza entre shots objetivos e subjetivos. As cenas surrealistas merecem uma menção honrosa.

75

Because I Could Not Stop for Death (90)
Quieto e intimista. Uma proposta simples e bem executada. Cada cena possui uma atmosfera única e bem costurada com o enredo. Há uma coerência rítmica, sem sobressaltos ou grandes surpresas. A mensagem final é um tanto quanto moralista, mas não põe tudo a perder. Sutileza define.

75

Wild Goose (89)
O gênero de “coming of age” é repleto de lugares-comum e armadilhas. Wild Goose consegue escapar delas e trazer ao público uma obra diferente do clichê. O que ganha a crítica é o cuidado estético da equipe de produção, que ao mesmo tempo revela as suas influências e cria algo novo. Essa autofagia resultou em uma trama que equilibra o choque e a delicadeza da temática que aborda.

70

Supernova (77)
Não faz muito tempo que a ficção científica de exploração espacial deixou de ser um cinema de nicho e vem ganhando aplausos da crítica especializada. Supernova segue essa tendência, apresentando uma mistura da experiência do diretor Jodorowsky com influências recentes – com títulos como A Chegada, Interestellar e Gravidade. Diferente de tudo que o precedeu, contudo, o filme traz um respiro de diversidade a um território dominado por atores e personagens brancos. Com um elenco majoritariamente latino e uma história que presta homenagem a cultura asteca, a obra merece méritos por fugir do lugar-comum. Ninguém aguenta mais filmes com cientistas norte-americanos brancos resolvendo sozinhos os enigmas do universo e salvando a raça humana.
Apesar da proposta que privilegia diversidade, Supernova incorre no clichê de associar a ficção científica com um cinema excessivamente contemplativo. Pode parecer atraente a ideia de associar a imensidão do espaço com cenas longas e grandiosas. Contudo, ao fazer essa escolha, diminui-se a importância do roteiro e do arco dos personagens. Supernova, portanto, deixou escapar a oportunidade de inovar nesse aspecto.

70

The Visit (79)
The Visit entrega ao público uma história de emoções reprimdas e ajustes de contas. Somos orientados a partir do olhar de Claire, uma protagonista que coloca seus planos em ação através de ditos e não-ditos. Sua história e motivação são retidos até as cenais finais, com a revelação que esclarecem seus planos. A agência de Claire é contrastada com a inação de Alexander frente ao contexto que se sobrepõe a ele. Apesar da elogiosa construção da narrativa, The Visit escorrega em dois aspectos: rítmo e balanço dos personagens. Em relação ao primeiro, percebemos uma dessincronização narrativa de cena pra cena. Momentos de tensão e urgência transicionam para cenas contemplativas de forma precipitada. Já quanto aos personagens, percebemos um cuidado de dar destaque (tanto visual quanto narrativo) para Claire; contudo, Alexander é quem mais parece ocupar o tempo de tela e atenção do público. Relevados esses detalhes, The Visit é uma obra construída com sutileza e merece aclamação pelo design de produção aplicado a cenários, figurino e proposta estética em geral.

70

The Vampyre (84)
Davies fez um trabalho magistral de ambientação e imersão. A coerência entre cenário, luz e música transporta o espectador para o mundo do filme. Cada cena expressa uma atmosfera própria, que transita suavemente entre climas festivo-casuais até o sombrio dramático. O jogo de câmera inicial e final, com shots espectrais corrobora com a proposta. A escolha de época e paisagens não poderia ser mais acertada para a história de Vapyre.
Apesar dos acertos, o filme deixa a desejar no enredo. Com a exceção de Aubrey, os demais personagens não demonstram uma motivação própria ou consistente ao longo da trama. Isso revela outro ponto fraco do filme: o foco excessivo no protagonista, uma uni-dimensionalidade narrativa. A narrativa também é negligenciada quando se prioriza as técnicas de ambientação. As cenas de festas na Itália, por exemplo, não parecem contribuir para a história, servindo apenas para o deslumbre visual do público.
O resultado do filme é uma experiência visualmente complexa e instigante. Pode parecer cansativa para o público geral, mas faz jus ao mote “em cada frame, uma pintura”. Para aqueles que procuram um deleite de estímulos e um espetáculo de técnicas de produção, The Vampyre é a indicação certa deste ano.

68

The Dresser (74)
The Dresser assume um desafio: se destacar em meio a uma temática um tanto quanto saturada. O tema do envelhecimento e perda de prestígio não é novidade atualmente. Nesse nicho, escalar um elenco com os nomes utilizados neste filme é um clichê quase inevitável. A previsibilidade e lugar-comum é o principal defeito da obra. Contudo, há um elemento no roteiro que compensa tal defeito e dá um sentido meta-narrativo para o filme. Trata-se do paralelo entre o toma do filme e a peça Rei Lear. A obra de Shakespear aborda justamente o tema da soberba de alguém que fora grande no passado e sua inadequação com o presente. Cria-se, assim, uma correlação inteligente entre filme e meta-filme, entre enredo, personagens e elementos de cena. Uma excelente escolha de roteiro.

68

The Final Hour (86)
The Final Hour é um filme inquetante e complexo. Uma história densa se desenvolve cena após cena, na qual acompanhamos a vida de uma artista se desmontar aos poucos. A escolha de uma redenção humilde para a protagonista e ao mesmo tempo reconfortante e insatisfatória. É uma sensação desconfortável e amarga que a equipe de produção soube transmitir bem ao público. E isso é um mérito que merce ser ressaltado. Contudo, persistem na obra alguns pontos incômodos, que mais parecem se aproveitar estereótipos do que os colocar em questão. A história que acompanhamos é de uma artista negra que põe tudo a perder por um relacionamento e encontra conforto no consumo de álcool. A narrativa parece prendê-la nesse ciclo, ao mesmo tempo que não retrata outras redes de relacionamento para além do parceiro. Este, por sua vez, é retratado um tanto quanto unidimensionalmente, construído para ser o vilão da trama. Esses são alguns elementos do filme que poderiam ser retrabalhados para assim oferecer ao público uma obra mais complexa.

60

Cerezas en la Boca (77)
Uma proposta interessante, que teria potencial de se tornar um novo clássico de Almodovar, mas que se perde na execução. A hagsploitation começa divertida, mas logo se torna repetitiva e previsível. A narrativa fica, assim, em segundo plano.

60

Partners (70)
Partners marca uma virada do diretor para um nicho mais realista e dramático. Assim como se poderia esperar, há alguns tropeços e deslizes. A trama oferece múltiplos climaxes, sem se concentrar em nenhum em particular. O que parece ser o momento de maior tensão é na realidade o desfecho, que termina com um final aberto um tanto quanto insatisfatório. Contudo, para além dos pontos fracos, o filme conquista a audiência pela história intimista e pessoal das personagens, mostrando uma relação de afeto satisfatoriamente sóbria.

55

The Unbecoming of Barbie (70)
The Unbecoming of Barbie traz uma proposta interessante, mas com uma execução caótica. Nesta obra, Sofia Coppola parece não conseguir equilibrar bem o drama de Lost in Translation com a estética de Marie Antoinette, ficando perdida entre as duas opções.
A alternância entre a vida real e as fantasias da protagonista deixa algumas perguntas em aberto sobre enredo e história. O que de fato acontece e o que é imagino quando Barbie está vivenciando sua imaginação? Qual a relação entre o cenário fantástico e a cena “real”?
Além disso, Barbie parece lidar com indiferença ou aceitar muito rapidamente a revelação de sua história. Não parece haver uma resolução do conflito. O personagem Summer também não parece contribuir para a história além de ser um coadjuvante genérico.
Apesar desses problemas, o filme tem potencial. Se lido despretensiosamente, é uma obra divertida e visualmente agradável. O aceno a outros gêneros de cinema, que se dá através da imaginação de Barbie, será certamente notado.

50

Late Kiss (60)
Late Kiss é uma obra caótica. Personagens com motivação turva interagem em jogos de poder e sedução que nem sempre estão claros para os espectadores. Intriga e traição se confundem com dúvida e ambiguidade. Entendemos que há uma proposta interessante ali escondida, mas que perdeu sua potência com na execução. Em meio a tudo isso, levantamos dúvida quanto ao efeito da exposição de violência conjugal e sexualidade explícita: um recurso necessário para a trama ou um excesso visual despropositado?

40

Viaggiatore (79)
Viaggiatore é um prato difícil de engolir. Enquanto comédia, não diverte; enquanto drama político, pouco contribui. Se propõe a ser uma homenagem a diretores do passado, mas não faz jus aos trabalhos que remete. Não tem, por exemplo, a sutileza cômica de Chaplin ou a estética dramática de Munreu e Lang. Ao tentar processar tantas influências, acabou se tornando uma paródia caricata delas mesmas. Algumas ironias e metáforas foram bem utilizadas na obra, mas não compensam os defeitos. Pode ser uma opção interessante e leve para se assistir despretensiosamente, mas não se sustenta enquanto candidata a prêmios internacionais.


Premiações

3ª Temporada

Melhor Filme: Lady Lazarus
2º Lugar: Ingrid’s Private Letters

Melhor Direção: Stephen Daldry, Because I Could Not Stop For Death
2º Lugar: Sally Potter, Lady Lazarus

Melhor Ator: Dev Patel, The Vampyre
2º Lugar: Jonathan Pryce, Because I Could Not Stop For Death

Melhor Atriz: Eva Green, Ingrid’s Private Letters
2º Lugar: Indya Moore, Because I Could Not Stop For Death

Melhor Ator Coadjuvante: Bradley Cooper, The End of Those Days
2º Lugar: Chino Darín, B.A.: Una Historia de Tango

Melhor Atriz Coadjuvante: Penélope Cruz, Because I Could Not Stop For Death
2º Lugar: Cecilia Roth, B.A.: Una Historia de Tango

Melhor Roteiro: Sally Potter, Lady Lazarus
2º Lugar: Anne Fontaine, Ingrid’s Private Letters

Melhor Filme Estrangeiro: B.A.: Una Historia de Tango
2º Lugar: Ingrid’s Private Letters


4ª Temporada

Melhor Filme: An Unusual Summer
2º Lugar: Robert Patti Blue Star

Melhor Direção: Julie Delpy, An Unusual Summer
2º Lugar: John Carney, Landslide

Melhor Ator: Lucas Hedges, Robert Patti Blue Star
2º Lugar: Jacob Tremblay, An Unusual Summer

Melhor Atriz: Keira Knightley, Kisses of a Woman
2º Lugar: Rooney Mara, Robert Patti Blue Star

Melhor Ator Coadjuvante: Jon Hamm, Robert Patti Blue Star
2º Lugar: Timothée Chalamet, Remind Me Of The Stars

Melhor Atriz Coadjuvante: Diane Kruger, Robert Patti Blue Star
2º Lugar: Natalie Portman, Empty Cities

Melhor Roteiro: Marielle Heller, Robert Patti Blue Star
2º Lugar: Michael Arndt, Landslide

Melhor Filme Estrangeiro: Todos os Nomes
2º Lugar: Empty Cities

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