Verano (2020)

de Oliver Stone
produzido por Bruno S.
com Timothée Chalamet e Cate Blanchett
6 de junho de 2020 (2º Festival de Veneza)
🇺🇸 Estados Unidos, 🇨🇺 Cuba

Drama / Guerra
Sinopse: No alvorecer da revolução cubana, Billy (Timothée Chalamet) descobre-se um socialista disposto a lutar. Para isso, entretanto, ele precisará enfrentar seus pais, Loretta (Cate Blanchett) e Tom (Ethan Hawke) — que ele suspeita ser um agente da CIA.

Vencedor de 4 prêmios, incluindo Melhor Filme em Toronto. Parte da Criterion Collection.

Leia também: Verano: The Director’s Cut, versão de aniversário ampliada e remasterizada do filme.


Consenso da Crítica: “Verano” perde força ao retratar uma das maiores revoluções do Século XX de uma perspectiva branca, e não consegue sair desse buraco mesmo com uma performance memorável de Cate Blanchett.

Média da crítica

49

Média do público

Tomatômetro

29%

Pipocômetro

-%

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Ficha Técnica

Direção: Oliver Stone
Roteiro: Oliver Stone
Produção: Bruno S.
Fotografia: Vittorio Storaro
Música: Eumir Deodato
Figurinos: Gabrielle Pescucci
Distribuição: Columbia Pictures
Plataforma: Catflix

Elenco

Timothée Chalamet como Billy Berenson
Cate Blanchett
como Loretta Berenson
Chiwetel Ejiofor como Reed Mayfield
Ethan Hawke como Tom Berenson


Narrativa

É o verão de 1958 e o florescer de uma nova era em Cuba. A ditadura de Fulgencio Batista, subordinada aos EUA, perde força a cada dia, enquanto as forças revolucionárias, lideradas por Fidel e Che Guevara, realizam ações cada vez mais bem-sucedidas pelo poder.

Nada disso importa, entretanto, para os hóspedes do Hotel Nacional, o mais luxuoso de Havana. Ao som de “Love Island”, de Eumir Deodato, vemos uma montagem irônica que contrapõe cenas dos estadunidenses ricos, passando as férias em Cuba, com imagens das batalhas pela revolução.

Em meio a isso, conhecemos os Berenson, moradores do hotel. Tom (Ethan Hawke) e Loretta (Cate Blanchett) são totalmente inseridos no cenário hedonista, regojizando-se em meio a luxos e banhos de piscina. Já Billy (Timothée Chalamet), filho do casal, parece um estranho no ninho: sem atrair-se pelas frivolidades à sua volta, ele passa o dia vagando sozinho pelo hotel com um olhar distante.

Mas Billy sabe que não está ali por acaso. Há algum tempo, enquanto mexia nas coisas de Tom, ele descobriu que o pai é um agente da CIA baseado em Havana, encarregado de fornecer inteligência à ditadura de Batista e enfraquecer a resistência. Apesar disso, por ser distante dos pais, ele nunca revelou sua descoberta.

Um dia, um rosto novo chega ao hotel: Reed Mayfield (Chiwetel Ejiofor), elegante jornalista britânico enviado a Cuba para documentar a revolução. Assim como Billy, ele não
se atrai pela atmosfera de luxo do local; por conta disso, ambos rapidamente se aproximam. Conforme a amizade se desenvolve, Billy percebe que Mayfield não é somente um jornalista descolado dos fatos: ele é, também, um ardente comunista que fará de tudo para
colaborar com a guerrilha e desarticular a Operação Verano, uma ofensiva em planejamento no exército de Batista que, se bem-sucedida, destruirá as forças insurgentes.

Com o passar das semanas, a defesa apaixonada de Mayfield pelo socialismo acende nos olhos de Billy uma faísca — e o rapaz, que nunca sentiu-se pertencente a lugar algum, finalmente percebe onde quer estar. Ele pede que Mayfield o apresente aos guerrilheiros, mas o jornalista nega, afirmando que Billy não tem experiência de campo.

Persistente, Billy deixa “escapar”” que seu pai é um agente da CIA e, portanto, deve estar colaborando com a Operação Verano. Os dois formam um trato: o jovem tentará descobrir mais detalhes sobre a ofensiva, e Mayfield repassará as informações aos guerrilheiros — apresentando Billy no processo.

Tom passa a deixar o hotel com mais frequência, e Billy começa a procurar em seus documentos. O jovem encontra informações sobre a Operação, incluindo a localização das
guerrilhas e as estratégias de combate; Billy repassa as descobertas para Mayfield. O jornalista, por sua vez, aproxima-se de Loretta para obter mais informações. Sob o
pretexto de querer entrevistar americanos que moram em Cuba, ele a convida para jantar enquanto Tom está fora. A conversa se aprofunda rapidamente: Loretta passa a falar sobre a época em que Tom era um roteirista de esquerda fracassado em Nova York, citando a perseguição do Macarthismo sobre a família e como os três precisaram emigrar para Havana anos atrás para que o marido escapasse da prisão. Aqui, vemos o primeiro lampejo de humanidade em Loretta — o glamour é, no fundo, apenas uma máscara para disfarçar o vazio.

Depois, Billy e Mayfield ponderam sobre a conversa, perguntando a si mesmos se Tom era da CIA desde o início ou se ele passou a trabalhar para a agência para deixar de ser perseguido. Billy percebe que os olhos de Mayfield brilham ao falar de Loretta.

Em um telegrama codificado, os guerrilheiros agradecem a colaboração de Billy e detalham a nova estratégia de ataque. Como Tom ainda não voltou, Mayfield celebra convidando Loretta para mais um jantar. Os dois bebem algumas doses e ele revela que aquela é a sua última noite no hotel; ela, arrasada, pergunta o motivo. O jornalista revela sua lealdade aos comunistas e fala sobre a descoberta da Operação Verano (sem mencionar Billy), afirmando que os revolucionários agora têm o caminho livre. Na manhã seguinte, Mayfield partirá para Sierra Maestra para documentar (e colaborar com) a revolução.

Loretta tenta conter as lágrimas, sem sucesso; Mayfield se adianta para secá-las. Os dois se beijam e retiram-se para o quarto dele, onde transam.

Na manhã seguinte, Tom retorna e é abordado por Billy, que pergunta sobre o seu passado de esquerda. Tom, embora confuso, fala sobre a perseguição, seus amigos que foram presos e o idealismo que os movia. Por um momento, pai e filho criam uma conexão. Então tudo desmorona: os dois vêem uma comoção formando-se à porta de um dos quartos. Dentro, Mayfield está sentado em uma poltrona, morto com um tiro no peito.

Billy, em desespero, volta-se contra o pai e o acusa de matar Mayfield; Tom diz não saber do que ele está falando enquanto desvia dos golpes do filho. Loretta, ainda em vestes de dormir, chega à cena do crime; ela disfarça o choque e afasta Billy de Tom. Silêncio impera no quarto da família. Um telegrama é entregue. Tom lê em silêncio e troca longos olhares com Loretta. Ele tenta se aproximar de Billy, mas é rejeitado e sai.

Tempos depois, Billy quebra o silêncio e revela à mãe que sabe de tudo — sabe que o pai é um agente da CIA, que Tom certamente descobriu as informações repassadas por Mayfield e que deve estar indo até as montanhas com as tropas de Batista.

Loretta dá um sorriso triste e revela que ela é a verdadeira agente — sempre foi, esde os tempos de Nova York, quando foi instruída pelos Macarthistas a envolver-se com Tom para monitorar suas atividades. Tom, na verdade, ainda é um comunista e está em Cuba para ccolaborar com a revolução; ele não tem ideia que a esposa é uma agente americana que está, há anos, colhendo informações a partir dele.

Billy levanta-se, horrorizado. Loretta diz que já tinha percebido as suspeitas dele e plantou informações falsas nos pertences de Tom, para desviar a atenção do filho. Ela hesita e, em tom grave, diz que Mayfield não precisava morrer: ela só repassou as informações (reveladas no jantar) para o governo cubano, que matou o jornalista sem comunicar os EUA. Billy percebe que passou informações falsas para os comunistas; Loretta confirma e nota que a resistência será exterminada em breve. O jovem deduz que Tom está indo juntar-se à guerrilha. Loretta simplesmente confirma com um olhar triste e Billy sai em disparada.

Acompanhamos Billy enquanto ele deixa o hotel. Vemos o rapaz procurar pelo pai nas ruas de Havana e perceber que Tom já partiu. Ao som de “¿Y Tú Qué Has Hecho?”, do Buena Vista Social Club, acompanhamos Billy numa longa viagem de ônibus, observando a verdadeira Cuba pela janela. No trajeto, ele finalmente percebe: a revolução é muito mais importante
que ele ou seu desejo de pertencer a algum lugar.

No hotel, Loretta percebe que Billy partiu para juntar-se ao pai. Ela se vê em intenso conflito: ou continuar servindo ao seu país, permitindo que a revolução seja esmagada, ou trair sua lealdade para salvar o marido e o filho. Vemos Loretta em seu quarto, sem hesitar, datilografando um telegrama; em seguida, ela sai rapidamente.

À noite, Billy desembarca em Santiago de Cuba, aos pés da Sierra Maestra. Ele se junta a um grupo de jovens a caminho das montanhas; no escuro total, eles precisam esconder-se dos pelotões do exército patrulhando as trilhas. Na manhã seguinte, eles chegam ao acampamento e Billy encontra Tom, cuja reação parece alternar entre a preocupação e o orgulho. Juntos, eles avisam aos líderes do grupo que a Operação Verano será executada em breve, mas é tarde demais: dezenas de jipes invadem o acampamento e abrem fogo.

Em meio ao confronto, Tom tenta proteger o filho; Billy recebe um rifle, mas não sabe como usá-lo. Escapando do fogo cruzado, os dois escondem-se numa Vala, onde Tom mostra o básico de como manejar a arma. Acompanhamos o exército avançar sobre os guerrilheiros, matando dezenas; Tom faz o que pode para atacar enquanto protege o filho. Billy, sem jeito, consegue atirar na direção dos soldados para dar cobertura ao pai.

As esperanças se esgotam e os remanescentes, incluindo Tom e Billy, escondem-se numa área isolada. Aguardando a morte certa, Tom tenta compensar anos de silêncio, falando atropeladamente sobre a sua vida, o amor profundo que sempre sentiu por Billy e como queria que tudo tivesse sido diferente. Billy, amadurecido, acalenta o pai, afirmando que nada
deveria ser diferente: é exatamente ali que eles têm que estar.

Um jipe militar se aproxima e os guerrilheiros, cansados demais para fugir, levantam-se e aguardam bravamente. O veículo para e acompanhamos os pés que desembarcam, calçados em escarpins vermelhos. É Loretta, dizendo que dispensou os soldados.

Percebendo os olhares de incredulidade, ela afirma que não fez nada além do próprio trabalho: enviou aos seus superiores um telegrama informando que Batista estava perdendo força internacional, especialmente após o assassinato de um jornalista britânico, e que a revolução seria iminente; seria inteligente da parte dos EUA, portanto, retirar o apoio ao ditador e começar a relação com o futuro governo numa nota positiva.

Tom, ainda mais confuso, pergunta o que está acontecendo. Loretta pede desculpas a ele e diz que, em breve, tudo será explicado — mas aquele não é o momento.

Os revolucionários pegam as armas do jipe. Billy lamenta que a mãe tenha chegado tarde demais, mas Tom responde que ainda há esperança: Fidel e Che estão reunindo mais guerrilheiros em Santiago e a luta continuará. Os sobreviventes saem marchando para a cidade, enquanto Tom e Billy ficam para trás com Loretta.

Ouvimos “La Partida”, de Victor Jara, enquanto os três trocam olhares de compreensão na despedida silenciosa. Billy e Tom seguirão com os revolucionários enquanto Loretta deverá voltar para servir aos EUA. Por um momento fugaz, eles são uma família.

Tom e Billy viram-se e começam a caminhar junto com os outros revolucionários, sumindo entre as montanhas. Fechamos no rosto endurecido, porém emocionado, de Loretta. Corte para a tela preta; a música continua tocando enquanto rolam os créditos.


Oscar Tapes

Timothée Chalamet: Billy revela a Loretta que sabe de toda a verdade e, no processo, despeja sobre ela os anos de mágoa pelo silêncio e pelo afastamento dos pais.

Cate Blanchett: Loretta abre-se com Mayfield, lamentando os rumos que as coisas tomaram e mostrando que o mundo de luxo e frivolidades em que vive é nada mais do que uma máscara.

Chiwetel Ejiofor: Deitado numa espreguiçadeira à beira da piscina, Mayfield faz uma defesa apaixonada dos seus ideais socialistas para Billy.

Ethan Hawke: Nas trincheiras, pensando estar próximo da morte, Tom abre-se com Billy e, de forma desajeitada, tenta pôr para fora anos de silêncio na relação com o filho.


Proposta Estética

Sem filtro amarelado. Os dois primeiros atos, no Hotel Nacional, são uma combinação de Sabrina (1954) e Goldfinger (1964) com a estética burguesa da Cuba pré-revolução: cenários opulentos, figurinos luxuosos de Gabriella Pescucci e uma fotografia quente e bem-iluminada de Vittorio Storaro, com uso abundante de steadicams para movimentos suaves e elegantes — tudo isso pontuado pela trilha de Eumir Deodato, um jazz-funk setentista com arranjos sofisticados e orquestrações complexas.

O ponto de virada, quando Billy deixa o hotel, marca uma revolução estética: os tons tornam-se mais vivos e realistas, faz-se mais uso da câmera na mão e a trilha de Deodato é substituída por canções do Buena Vista Social Club e de Victor Jara.

Nota: todos os acontecimentos históricos retratados no filme, como a Operação Verano e a decisão dos EUA de retirar o apoio à ditadura de Batista, são verídicos.


Trilha Sonora


Fotografia

Figurino


Imagens

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Notícias

Coletiva de Imprensa (abra a thread para ver as perguntas e respostas)

Prêmios

Total de 4 prêmios e 27 indicações. Clique aqui para ver todos os prêmios da 2ª temporada.

2º Festival de Veneza
  • Grande Prêmio do Júri (venceu)
2º Festival de Toronto
  • Melhor Filme (venceu)
2º Screen Actors Guild Awards (SAG)
  • Elenco de Dublês (venceu)
  • Elenco: Timothée Chalamet, Cate Blanchett, Chiwetel Ejiofor e Ethan Hawke (indicados)
2º BAFTA
  • Filme (indicado)
  • Direção, Oliver Stone (indicado)
  • Ator, Timothée Chalamet (indicado)
  • Ator Coadjuvante, Ethan Hawke (indicado)
  • Roteiro, Oliver Stone (indicado)
  • Figurino, Gabrielle Pescucci (indicada)
2º Globo de Ouro
  • Filme de Comédia/Musical (indicado)
  • Atriz de Comédia/Musical, Cate Blanchett (indicada)
  • Ator de Comédia/Musical, Timothée Chalamet (indicado)
2º Oscar
  • Filme (indicado)
  • Direção, Oliver Stone (indicado)
  • Atriz, Cate Blanchett (indicada)
  • Ator, Timothée Chalamet (indicado)
  • Ator Coadjuvante, Chiwetel Ejiofor (indicado)
  • Ator Coadjuvante, Ethan Hawke (indicado)
  • Figurino, Gabrielle Pescucci (indicada)
  • Trilha Sonora, Eumir Deodato (indicado)
  • Canção Não-Original: “Soy Rebelde”, Jeannette (indicada)
Premiações da Crítica
  • Atriz, Cate Blanchett (1 prêmio)
  • Filme (1 vice)
  • Ator, Timothée Chalamet (1 vice)
  • Roteiro, Oliver Stone (2 vices)
Temporadas Posteriores

Nota: prêmios e indicações recebidos em temporadas posteriores não são contabilizados no ranking da temporada de lançamento do filme.

1º Festival do Rio
  • Seleção Oficial
1º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro
  • Melhor Filme Iberoamericano (indicado)

Críticas do Júri

73

Syndicat Français de la Critique de Cinéma
Embora grande parte da história se passe dentro de um hotel, os personagens conseguem nos levar além e apresentar de modo eficaz e interessante o contexto histórico. As atuações são convincentes e o ritmo é agradável, cresce gradualmente até chegar ao clímax. Pessoalmente, acho que faltou ousadia na conclusão. Ou talvez eu simplesmente não goste de redenções.

64

Oz Film Critics Society
Com muitos momentos de reviravolta, Verano traz uma trama intrincada que mistura uma crise familiar a uma das mais importantes revoluções históricas, e é nesse último aspecto que o filme peca. Bom entretenimento, mas toca em questões delicadas de maneira perigosa à favor da narrativa que conta.

46

San City Film Critics Association
Verano peca em querer usar a revolução cubana por uma perspectiva americana, e acaba sendo apenas mais uma história sobre o branco salvador. 

45

Saint Catherine Film Critics Society
Um olhar branco sobre uma revolução não-branca, foi isso que entendi vendo o filme. Uma história sobre conflitos familiares e pessoais com pano de fundo com um contexto histórico sério. Timothée Chalamet parece que faz mais do mesmo em todos os seus papéis, um adolescente quase adulto narcisista que não tem noção das coisas que o cercam, em suas cenas mais produndas não me entrega nada além de uma rebeldia sem sentido. O ponto alto deste filme é que diferente do que vemos na maioria dos filmes hollywoodianos a direção de arte também faz jus à um país latino.

40

Kings’ Bay Film Critics Circle
A ficcionalização dos bastidores da Revolução Cubana, conquista a custo de muito sangue camponês, é uma lembrança da necessidade norte-americana de permanecer protagonista. Uma tentativa pífia de apresentar uma exceção do imperialismo. 

40

South Brazil Film Critics Circle
Mesmo tendo uma das melhores atuações de Blanchett – que mais uma vez mostra que é uma das melhores atrizes em atividade – Verano é um combinado de conceitos históricos problemáticos, distorcendo fatos para engrandecer um país e um povo que não merece ser chamado de revolucionários nessa história. Aparentemente, hoje em dia qualquer filmeco pode participar do festival de Veneza.

36

Rio Film Critics Circle
Esse filme que usa como plano de fundo uma luta sobre política e libertação, o triunfo sobre a opressão de um ditador, uma Revolução. Mas, tropeça em um sonho americano e no final acaba por não se tratar de nada.

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