Landslide (2020)

de John Carney
produzido por Bruno S.
com Billie Lourd e Logan Lerman
29 de novembro de 2020 (4º Festival de Veneza)
🇺🇸 Estados Unidos

Musical / Drama Biográfico
Sinopse: O Rumours, do Fleetwood Mac, é um dos discos mais icônicos e bem-sucedidos da história. Suas gravações, entretanto, ocorreram em meio a circunstâncias absolutamente dramáticas: divórcios, brigas, farras hedonísticas, drogas pesadas, disputas de poder e crises de todos os tipos. “Landslide” é um conto sobre como obras-primas podem surgir de momentos de total implosão.

Vencedor de 13 prêmios, incluindo o Grande Prêmio do Júri em Veneza.


Consenso da Crítica: Um sopro de ar fresco no universo das cinebiografias musicais, “Landslide” atinge todas as notas certas com uma reconstituição precisa, mas livre de amarras, de um dos momentos fundamentais do rock — e com uma performance antológica de Billie Lourd.

Média da crítica

92

Média do público

8.5

Tomatômetro

100%

Pipocômetro

100%

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Ficha Técnica

Direção: John Carney
Roteiro: Michael Arndt
Produção: Bruno S.
Fotografia: Edward Lachman
Música: Fleetwood Mac
Figurinos: Julie Weiss
Distribuição: Warner Bros.
Plataforma: Catflix

Elenco

Billie Lourd como Stevie Nicks
Logan Lerman
como Lindsey Buckingham
Jonna Lee
como Christine McVie
Daniel Radcliffe
como John McVie
e Adam Driver como Mick Fleetwood


Proposta Estética

Imersão total. As cenas no estúdio são filmadas em digital para transmitir absoluta precisão, com tomadas mais curtas/estáticas, edição sincopada de Tom Cross, predominância de tons amarelos e terrosos na fotografia de Edward Lachman e design de produção meticuloso de Rick Carter — com uso, inclusive, de artefatos reais usados pela banda na gravação do “Rumours”. Os figurinos de Julie Weiss transitam entre o pós-hippie e o início da era disco, deixando sempre claro as personalidades absolutamente díspares entre os membros da banda.

As externas, por outro lado, são filmadas em 16mm, com o característico aspecto granulado, e sempre em locações bem ensolaradas; os planos tornam-se mais amplos, mais longos e mais livres na movimentação de câmera, para evocar a sensação de liberdade tão associada à Califórnia dos anos 1970. As cenas musicais redobram essa sensação de liberdade e são as sequências que fluem mais naturalmente no filme, como um reforço da ideia de que aquelas pessoas só conseguem se comunicar por meio da música.


Narrativa

Nota: como descrito por John McVie, as letras do Fleetwood Mac (e especialmente do Rumours) são basicamente cartas e bilhetes direcionados uns aos outros dentro da banda; as letras, portanto, tornam-se ainda mais importantes que numa experiência fílmica comum. Por isso, cada notação de trilha sonora inclui um link para as letras completas e traduzidas de cada música. Recomenda-se escutar as músicas durante a leitura.

Um fade in revela um plano geral, estático, de um estúdio de gravação mal-iluminado, porém bem característico dos anos 70: carpete bege, muita madeira alaranjada, explosões de cor em pequenos detalhes. No silêncio, Mick (Adam Driver) surge andando da esquerda e senta-se à bateria; ele dá um suspiro e começa a marcar um ritmo sutil com os pratos. O estúdio começa a se iluminar. Em seguida, entra John (Daniel Radcliffe); ele posiciona-se ao fundo do estúdio, pega seu baixo e começa a seguir Mick com uma melodia discreta. Mais luzes se acendem. A terceira a entrar é Christine (Jonna Lee), que assume seu lugar no teclado Rhodes e adiciona mais uma camada à canção conforme mais luzes se acendem. O próximo a surgir é Lindsey (Logan Lerman), que empunha seu dobro (um instrumento de cordas) e, seguindo a melodia dos companheiros, começa a tocar os riffs iniciais de “Gold Dust Woman”.

“Gold Dust Woman” – A música que abre o filme é a última faixa do Rumours, uma composição autobiográfica de Stevie Nicks sobre — nas palavras dela — “alguém passando por um relacionamento ruim, usando muitas drogas e tentando seguir em frente”. A cena reflete um evento da produção real da música, em que Stevie, insatisfeita depois de diversos takes, cobriu a própria cabeça com um véu preto (apenas com a boca exposta) para conter os próprios sentimentos e acessar antigas memórias durante a gravação.

Então surge Stevie (Billie Lourd), quase flutuante, com um pandeiro nas mãos e um véu preto cobrindo toda a sua cabeça, olhos e nariz, apenas com a boca exposta; ao assumir o centro do estúdio, a iluminação atinge o seu auge e ela começa a cantar, despindo-se do véu e olhando para a câmera.

A imagem finalmente se move, primeiro aproximando-se do rosto de Stevie e demorando-se num close da sua performance. Em seguida, num plano sequência, vamos viajando pelo estúdio e nos concentrando em cada um dos membros da banda, todos empenhados em tirar cada nota, fazer cada som da forma mais precisa e mais impactante possível. A colaboração daquelas cinco pessoas, que aparentemente não têm nada a ver uma com a outra, cria algo mágico no ambiente, e claramente há uma conexão ali entre eles; os gemidos do dobro de Lindsey ecoam nos gritos de Stevie, enquanto os tons do teclado de Christine encontram par na linha de baixo de John e Mick cria a base para que tudo aconteça. Quando a música termina, todos estão ofegantes e em silêncio, olhando uns para os outros como se acabassem de sair de uma experiência sexual.

Mick quebra o silêncio e diz que aquela é a música perfeita para fechar o álbum. Christine lembra que dá azar terminar um disco com uma pergunta: e se o ouvinte não souber que “está tudo acabado e ele deve catar os cacos do chão e ir pra casa”? Stevie responde: “então você vira o disco e começa tudo de novo”. Silêncio. Lindsey, então, vai até a mesa de som e começa a rebobinar a fita de gravação, olhando para Stevie.

Corte abrupto e passamos a ver planos aéreos, ensolarados, de San Francisco com um discreto som de rádio no fundo. Na tela, “CALIFÓRNIA, 1976”. Um carro envelhecido corta as estradas litorâneas da cidade e cruza a ponte Golden Gate; Lindsey dirige enquanto Stevie, ao seu lado, olha pela janela. Nenhum dos dois fala nada. No rádio, o locutor anuncia: “Agora vamos ouvir ‘Rhiannon’, novo single dos ingleses do Fleetwood Mac em sua nova formação, agora com os desconhecidos Lindsey Buckingham, na guitarra, e sua namorada Stevie Nicks nos vocais. É, Bob, parece que eles gostam de arrastar as namoradas para a banda… [risos sarcásticos]”. Apesar do comentário maldoso, Stevie fica animada em ouvir sua música no rádio, mas Lindsey desliga o aparelho ainda nos acordes iniciais e diz que não quer ouvir nada naquele momento. Ela permanece em silêncio, olhando a paisagem.

Os dois chegam a um pequeno estúdio isolado na mata e encontram Mick, John e Christine já em reunião com os executivos da Warner, gravadora da banda. Os chefões avisam que as vendas do álbum branco estão fracas, e o próximo disco precisará ser um sucesso se eles quiserem manter o contrato. Todos se olham com preocupação — menos Stevie, que lembra-se dos dias em que ela e Lindsey eram uma dupla fracassada de folk rock, não tinham um centavo… e eram felizes.

As gravações do disco já começam com tensas. Lindsey, músico de extremo talento, tem uma visão própria para o álbum, mas é profundamente inarticulado: sua genialidade floresce apenas na música, então ele quer tomar para si todas as responsabilidades da banda. Ele performa todos os instrumentos de “Second Hand News”, o que perturba Mick e John (os fundadores e gerentes da banda) e especialmente Christine, a única do grupo com formação musical clássica.

“Second Hand News” – Da última música do “Rumours”, pulamos para a primeira, uma composição de Lindsey direcionada a Stevie. A cena das gravações já serve para estabelecer a natureza obsessiva — e abusiva — do compositor.

Stevie, por sua vez, sente-se subjugada pelos companheiros. Ela é a única que não toca nenhum instrumento — o pandeiro que ela usa nas gravações é mudo, apenas para que ela siga o ritmo — e sente que está lá como um apêndice, trazida somente porque Lindsey impôs essa condição ao ser convidado para a banda. Por conta disso, ela passa seus dias numa sala isolada do estúdio com um bloquinho de notas, escrevendo suas composições, poemas e mantras. Lindsey fala ao restante da banda com um certo desdém: “ela acha que é uma bruxa”.

John e Christine divorciaram-se meses antes e, desde então, tratam apenas de assuntos musicais e relacionados à banda. John, entretanto, não superou a separação e passou a beber com frequência ainda maior (a bebida já tinha sido a razão do divórcio). Conforme as gravações vão invadindo as madrugadas e o teor alcóolico vai subindo, ele começa a fazer investidas para cima da ex-esposa, que o rejeita. John inicia uma performance um tanto embriagada de “Need Your Love So Bad”, música da época em que o Fleetwood Mac ainda era uma banda de blues britânico em Londres (quando os dois ainda eram um casal).

“Need Your Love So Bad” – É a única canção do filme ligada a uma formação anterior do Fleetwood Mac. “Need Your Love So Bad” foi lançada como single em 1968, quando a banda ainda era baseada em Londres e dedicada a explorações do blues britânico. Aqui, a performance de John é uma tentativa bêbada de apelar ao passado no seu desespero para reconquistar Christine — os dois, afinal, conheceram-se na Inglaterra e imigraram para os Estados Unidos por causa da banda.

Christine começa reagindo com desdém, e conta a Stevie que, antes de John, ela costumava ser “Perfect” — esse era seu nome de solteira, Christine Perfect. Ao fim da música, o desdém no seu rosto vai dando lugar ao desconforto.

Alguns dias depois, Mick recebe uma carta de sua esposa, Jenny, dando-lhe um ultimato. O casamento dos dois está estremecido desde que ele partiu para os EUA para levar o Fleetwood Mac a uma nova direção, deixando ela e as duas filhas do casal em Londres. Isso abala profundamente Mick, sempre o espírito bem-humorado, brincalhão e pacificador da banda: ele não pode abandonar o grupo em seu momento mais crítico, mas sabe que, com isso, está acabando com sua família.

As gravações tornam-se cada vez mais caóticas conforme o uso de drogas no estúdio vai crescendo. Os ingleses (Christine, John e Mick) preferem o álcool, enquanto os estadunidenses (Stevie e Lindsey) preferem a maconha — e, eventualmente, a cocaína. Em uma noite particularmente regada a erva, pó e bebida, Stevie e Lindsey começam uma briga extremamente agressiva; eventualmente, ele levanta-se e faz menção de agredi-la, mas para ao perceber os olhares do restante da banda. Pela expressão dela, fica claro que aquela não é a primeira vez.

No dia seguinte, Stevie chega no estúdio com um pequeno papel dobrado nas mãos e diz que tem uma composição nova. Ela vai até a cabine de gravação e faz uma performance grandiosa, comovente, de “Silver Springs”, olhando Lindsey diretamente nos olhos. Ele parece diretamente atingido pelas palavras dela: “você nunca escapará do som da voz da mulher que te amou”.

“Silver Springs” – Amplamente considerada uma das melhores composições de Stevie Nicks, “Silver Springs” notoriamente ficou de fora do Rumours após uma disputa de poder dentro da banda — em vez disso, a música foi relegada ao lado B do single “Go Your Own Way”, uma agressiva composição de Lindsey direcionada a Stevie. No filme, a cena da sua gravação representa o início da “evolução” de Stevie como musicista e compositora aos olhos dos seus companheiros de banda.

Os outros integrantes admiram a belíssima canção, surpresos. Desconcertados, todos (exceto Lindsey, que permanece calado) elogiam a criação de Stevie; ela simplesmente responde que a música veio até ela numa visão. Lindsey aproxima-se de Stevie e sussurra no seu ouvido, num tom ameaçador: “guarde suas visões para você”. Ela endurece o rosto.

Em seguinda, na sala de controle, Lindsey conta a John que ele e Stevie romperam definitivamente na noite anterior. Ele tenta fazer pouco caso do término (e da pancada musical que levou), levando uma colherinha com pó branco até a narina esquerda e aspirando rapidamente.

As semanas passam, e um fenômeno começa a ocorrer: graças ao boca-a-boca, o álbum branco começa a subir nas paradas e tocar com mais frequência nas rádios, chegando, eventualmente, ao número 1 nos EUA. Em menos de dois meses, o Fleetwood Mac vai de semi-anônimo ao nome mais quente da música no país — sem que nenhum dos membros da banda perceba, já que estão todos enclausurados no estúdio gravando o disco seguinte. Por conta disso, o grupo é convidado para tocar num festival de música numa cidade próxima abrindo para Peter Frampton, headliner do dia.

Chega o momento da apresentação do Fleetwood Mac, e os cinco ficam estupefatos ao entrar no palco: as mais de setenta mil pessoas presentes no estádio estão ali para vê-los, a julgar pelos aplausos estrondosos e pelos cartazes. Stevie assume o centro do palco e, visivelmente nervosa, diz que eles vão tocar uma música nova. A banda começa a tocar “Dreams” e algo mágico acontece: é como se Stevie usasse seus poderes de bruxa para enfeitiçar a plateia com a melodia.

“Dreams” – A composição de Stevie Nicks representa o grande ponto de virada do filme, em que o Fleetwood Mac deixa de ser semi-anônimo nos EUA e passa a ser composto por superestrelas. A cena faz também uma ligação com um comentário jocoso feito por Lindsey no início do filme, afirmando que Stevie pensa ser uma bruxa. Aqui, nós vemos que ela de fato o é — a música e a poesia são seus poderes.

Todo o estádio é engolido por uma atmosfera lisérgica, um transe musical coletivo onde o céu muda de cor constantemente, as pessoas fundem-se e separam-se umas das outras e assumem diferentes formas de acordo com os movimentos da canção. Lindsey, enquanto isso, observa Stevie hipnotizar o público, enfim percebendo que aquela letra (também) é direcionada a ele. Ao final da música, a atmosfera volta à realidade e o público vibra, com Stevie radiante.

De volta às gravações, a recém-conquistada fama do Fleetwood Mac parece colocar mais pressão nos cinco — especialmente Lindsey — para que o próximo álbum seja um sucesso. As tensões vão aumentando: um dia, Christine leva seu novo namorado ao estúdio e performa uma composição sua ainda em progresso, “Keep Me There”.

“Keep Me There” – Trata-se de uma composição de Christine McVie que, eventualmente, foi descartada e teve vários dos seus elementos transpostos para “The Chain”; aqui, acompanhamos suas desastrosas gravações iniciais, realizadas quando a banda estava num ponto baixo em relação a drogas e à harmonia interna. No filme, a música é interrompida aos 2:40, antes do famoso riff de baixo que foi eventualmente adaptado para o final de “The Chain”.

As sessões são um desastre: Christine está insatisfeita com o final da canção e frustra-se com a incapacidade dos demais membros, àquela altura já absolutamente bêbados e chapados, de colaborar com a sua criação. Lindsey, por sua vez, tenta impor sua visão para a música, mas sua incapacidade em se articular faz com que ele regrave quase todos os instrumentos sobre os originais de Christine, o que a enfurece. John, bêbado, se convence de que a letra é direcionada a ele e começa a destratar e ofender o novo namorado de Christine. Stevie tenta amenizar a situação, mas Christine explode e abandona as gravações com o namorado, deixando a faixa inacabada.

Para acalmar os ânimos gerais, Mick leva todos para uma semana de descanso em um resort no Havaí. Ali, a banda consegue se afastar do clima pesado do estúdio e experimentar, pela primeira vez, o gosto da fama no mundo real. À noite, todos participam de farras hedonísticas ainda mais extravagantes do que na Califórnia, mas separados — como se não conseguissem mais estar juntos fazendo qualquer coisa que não música. Uma noite, Stevie e Mick quebram essa separação e dançam colados uma música lenta; naquele momento, ambos encontram um no outro um reflexo de seus corações desamparados e um lugar de apoio. Os dois se beijam e, eventualmente, vão para o quarto de Mick — com Lindsey observando de longe.

Stevie e Mick têm uma noite de amor afetuosa, mas não plenamente satisfatória: ainda que estejam envolvidos no momento, nenhum dos dois consegue conter um sutil olhar de culpa em suas expressões. Na manhã seguinte, Mick acorda e, sentado na cama, começa a chorar discretamente. Stevie tenta ampará-lo; ele pede desculpas profusamente, veste-se e sai do quarto. Ele vai até a recepção e faz um telefonema para Londres, em que confessa sua traição a Jenny. Do outro lado da linha, sem demonstrar muita emoção, ela admite que também esteve traindo-o pelos últimos anos e que aquilo tornava tudo mais fácil para ela: “Mick, você não precisa mais voltar”.

Destruído, Mick vai senta-se na praia. Lá, ele começa a cantar “Oh Daddy”, mas não é capaz de fazê-lo sozinho: sua voz quebra e falha continuamente. Christine, sua melhor amiga na banda, se aproxima; Mick tenta fazer uma das suas costumeiras piadas, mas falha miseravelmente. Christine começa novamente a cantar “Oh Daddy” e pede que ele a acompanhe.

“Oh Daddy” – Outra composição de Christine McVie, escrita para Mick Fleetwood (que era apelidado “daddy” por ser o paizão da banda) para ajudá-lo num momento de crise. Aqui, quem começa cantando é o próprio Mick, mas Christine junta-se para ajudá-lo a continuar — simbolizando a força da própria música.

Os dois fazem um bonito dueto à beira mar, e, na segunda metade da música, a cena corta de volta para o estúdio, onde toda a banda performa o restante da canção — o que deixa Mick um pouco mais amparado.

Ao final da gravação, todos se parabenizam, sabendo que já há músicas suficientes para fechar o disco. John comenta que, como claramente todas as canções ali foram escritas uns para os outros, o álbum deveria se chamar “Rumours”. Todos sorriem em concordância. 

Lindsey diz que gostaria de gravar mais uma coisa antes de encerrar os trabalhos. Com toda a banda observando, ele assume o centro do estúdio com sua guitarra e começa a performar “Go Your Own Way” olhando para Stevie, quase como uma resposta às composições dela.

“Go Your Own Way” – “Go Your Own Way” é um dos maiores sucessos do Fleetwood Mac, mas por debaixo do seu ritmo animado e da batida contagiante temos uma das composições mais sombrias e agressivas de todo o catálogo da banda — o momento em que Lindsey canalizou todo o seu rancor em relação a Stevie e ao relacionamento falido dos dois. No filme, a música é retratada exatamente como tal: uma agressão.

Naquele momento, a barreira que separava os “dois Lindseys” é derrubada: o rapaz agressivo, imaturo, começa a se fundir com o músico natural e talentoso. Ele imbui cada verso com extremo rancor, modulando o ódio na própria voz em cada sílaba; Stevie absorve cada palavra como um golpe físico, tentando inicialmente manter-se impassível, mas eventualmente desabando em lágrimas e saindo do estúdio. O restante da banda vai atrás dela, e Lindsey finaliza a canção sozinho.

A banda passa mais semanas no estúdio mixando as faixas do disco com os produtores. Em um dado momento, fica claro que há músicas demais para caber em um vinil, e uma delas precisará ser cortada. Christine defende que seja “Silver Springs”, por ser uma das mais longas e para não deixar o disco muito lento; John, claro, segue o voto dela. Stevie fica arrasada e tenta defender sua canção, mas nem o tímido apoio de Mick é suficiente. Lindsey passa a discussão calado, mas vira uma fera quando o martelo é batido, exigindo que a música volte para o disco. Já acostumados, os outros não dão muita bola, mas Lindsey começa a pressionar Christine para reconsiderar. John não gosta do tom dele e se levanta; Lindsey, furioso, agarra John pela gola e começa a berrar a poucos centímetros do seu rosto. Mick tenta apartar, mas é empurrado por Lindsey. John faz menção de revidar com um soco, mas para ao notar o olhar de Christine. Stevie simplesmente fala “parem”, e Lindsey solta John. Todos saem lentamente. Antes de bater a porta, Stevie vira-se para Lindsey e pergunta, triste: “isso era para ser por mim?”.

É o ponto mais baixo da banda. Com o álbum basicamente finalizado, cada um vai para o seu canto: Mick volta a Londres para tentar reatar com Jenny, Christine isola-se em sua casa em Los Angeles (onde morava, antes, com John), Stevie volta ao Arizona para visitar a família, John interna-se numa clínica de reabilitação e Lindsey permanece enclausurado no estúdio, sozinho, passando noites a fio tentando obsessivamente aperfeiçoar ainda mais o disco.

A tela agora lê “CALIFÓRNIA, 1977”. O “Rumours” será lançado em alguns dias e a banda começa a voltar para San Francisco para as inevitáveis turnês de imprensa e shows. Em uma manhã ensolarada, Stevie entra sozinha no estúdio silencioso com seu bloquinho de notas nas mãos. Ela surpreende-se ao perceber que Lindsey está lá, com um violão nas mãos, ensaiando algumas coisas; Stevie fica atrás da parede de forma que ele não perceba a sua presença. 

Lindsey começa a tocar “Landslide”, uma balada escrita por Stevie na época em que os dois ainda eram um casal sem eira nem beira apresentando-se nos bares de beira de estrada. Ao longo da primeira estrofe, Stevie só ouve ele cantar — e ali, naquele momento, o Lindsey abusivo e tirânico some completamente, restando apenas o músico gentil e expressivo.

“Landslide” – É a música que encapsula todo o espírito do filme, a “avalanche” que representa a falência de todos os relacionamentos ali dentro — ao mesmo tempo em que dá uma nota de esperança para o futuro, mostrando que os erros do passado ao menos servem para que possamos amadurecer. Além de um doído dueto de amor, é, também, um fechamento para o arco da sua compositora, Stevie, como se ela estivesse finalmente se despedindo de um passado que não pode mais ser recuperado e dando boas-vindas à sua nova vida.

Na segunda estrofe, Stevie sai de trás da parede e junta-se a Lindsey num dueto sentido, porém esperançoso, onde ambos olham um para o outro com mil sentimentos de dor em cada palavra. Eles sabem que é uma despedida, mas ao mesmo tempo não é — é uma despedida apenas das suas versões do passado, porque dali em diante tudo será diferente. Ao final da música, vemos Stevie de novo atrás da parede: ela somente imaginou o dueto (e, quem sabe, Lindsey também). Stevie sai do estúdio em silêncio e, do lado de fora, respira o ar fresco enquanto sente o sol da Califórnia aquecer o seu rosto.

A alguns quilômetros dali, John é recebido por Christine na sua casa, em Los Angeles, e diz que ainda precisa pegar algumas coisas da mudança. Os dois têm uma conversa amigável — afetuosa, até — em que John fala sobre o seu tratamento contra o vício. Christine sorri, genuinamente feliz pelo ex-marido, e pergunta no seu habitual estilo sem papas na língua: “você não está fazendo isso por mim, está?”. John, finalmente confortável perto da ex-esposa, dá um sorriso e brinca: “por quem mais eu faria?”.

Do outro lado do Atlântico, Mick, ainda em Londres, senta-se à bateria que tem instalada em sua casa, observando as duas filhas brincarem. Em Los Angeles, John pega um baixo e diz a Christine que encontrou um final perfeito para “Keep Me There”. Ele começa a tocar o icônico riff dos 2:43 e a melodia, mais uma vez, parece criar uma conexão telepática entre todos os membros da banda. Em Londres, Mick começa a marcar o ritmo do baixo de John, enquanto Christine senta-se ao teclado para acompanhá-lo. No estúdio em San Francisco, Lindsey empunha sua guitarra e começa a acompanhar os colegas. Stevie, por sua vez, dança sob o sol, quase flutuando, seguindo os ritmos dos seus companheiros. Conseguimos ler apenas um título no bloquinho de notas que ela segura nas mãos: “The Chain”.

“The Chain” – A música que fecha o filme é a única cuja composição é atribuída a todos os membros do Fleetwood Mac — justamente porque ela nasceu de “pedaços” de canções e experimentações de todos na banda, como “Keep Me There”. Aqui, começamos a ouvir “The Chain” em seu famoso riff de baixo criado por John McVie (3:03); conforme o restante da banda vai telepaticamente se juntando à música, fazemos a transição para os seus acordes iniciais e passamos a acompanhar a montagem das diversas performances da canção ao longo dos anos. A ideia é simbolizar a maldição de todos os cinco: a fama, que os obrigará a passar o resto de suas vidas proclamando aqueles mesmos versos olhando uns para os outros, como a “corrente que os mantém juntos”.

Lindsey guia a melodia para o início de “The Chain” e, quando o primeiro verso está para ser proferido, cortamos para a banda num enorme palco performando a música em frente a uma multidão. Mas não só eles — a montagem, rítmica, corta frequentemente entre a performance do filme e três performances reais do Fleetwood Mac, uma de 1982, uma de 1997 e uma de 2014. Enquanto isso, textos finais vão surgindo na tela:

  • Mick reatou o casamento com Jenny. E dois anos depois se separou de novo.
  • John não bebe uma gota de álcool há 35 anos.
  • Christine nunca reassumiu o sobrenome Perfect.
  • Com “Dreams”, Stevie tornou-se a única da banda a conseguir um single #1 nas paradas.
  • Lindsey deixou o Fleetwood Mac em 1987, retornou dez anos depois e foi demitido em 2018. Por exigência de Stevie.
  • “Rumours” vendeu 40 milhões de cópias, ganhou o Grammy de Álbum do Ano e moldou a música pop como a conhecemos hoje.

Quando a música chega na parte da coda (“chain, keep us together”), os textos finais se encerram e voltamos a acompanhar somente a performance com os atores. Mais uma vez unidos pela música, o Fleetwood Mac — agora, com o status de superestrelas mundiais — cria uma parede de som impressionante sob o custo de suor e sangue — eles vociferam, fecham os olhos e põem para fora toda a raiva, toda a mágoa, toda a paixão que sentem uns pelos outros, e apenas sentem a conexão profunda, quase sexual, entre eles. Mais uma vez, eles são um só.

A música termina e, de repente, não há mais plateia ou aplausos. Os cinco ficam em silêncio, desconcertados, olhando uns para os outros sem saber o que dizer — mas com a certeza, nos seus olhares, de que aquele momento terá de se repetir de novo, de novo e de novo, centenas de vezes até o fim das suas vidas. Vemos uma geral do palco, e em meio ao silêncio constrangedor, cortamos para a tela preta. Os créditos surgem ao som de “Over & Over”.

“Over and Over” – A balada gentil de Christine McVie embala os créditos do filme, que surgem em fundo preto, numa fonte bem pequena, no centro da tela. Simbolicamente, “Over and Over” é a música que abre o Tusk, o álbum seguinte ao Rumours na discografia do Fleetwood Mac — um disco que foi um notório fracasso por conta das pressões em cima da banda, do superestrelato movido a drogas e da obsessão cada vez mais destrutiva de Lindsey Buckingham. Mas essa é uma outra história…


Oscar Tapes

Billie Lourd: A cena de “Landslide”.

Logan Lerman: A cena de “Landslide”.

Jonna Lee: A cena consolando Mick na praia e cantando “Oh Daddy”.

Daniel Radcliffe: A conversa final com Christine, falando sobre seus avanços na clínica de reabilitação.

Adam Driver: A cena do telefonema para Jenny no Havaí.


Trilha Sonora

Nota: como descrito por John McVie, as letras do Fleetwood Mac (e especialmente do Rumours) são basicamente cartas e bilhetes direcionados uns aos outros dentro da banda; as letras, portanto, tornam-se ainda mais importantes que numa experiência musical comum. Por isso, incluo um link para as letras completas e traduzidas de cada música.

“Gold Dust Woman”
A música que abre o filme é a última faixa do Rumours, uma composição autobiográfica de Stevie Nicks sobre — nas palavras dela — “alguém passando por um relacionamento ruim, usando muitas drogas e tentando seguir em frente”. A cena reflete um evento da produção real da música, em que Stevie, insatisfeita depois de diversos takes, cobriu a própria cabeça com um véu preto (apenas com a boca exposta) para conter os próprios sentimentos e acessar antigas memórias durante a gravação.

“Second Hand News”
Da última música do “Rumours”, pulamos para a primeira, uma composição de Lindsey direcionada a Stevie. A cena das gravações já serve para estabelecer a natureza obsessiva — e abusiva — do compositor.

“Need Your Love So Bad”
É a única canção do filme ligada a uma formação anterior do Fleetwood Mac. “Need Your Love So Bad” foi lançada como single em 1968, quando a banda ainda era baseada em Londres e dedicada a explorações do blues britânico. Aqui, a performance de John é uma tentativa bêbada de apelar ao passado no seu desespero para reconquistar Christine — os dois, afinal, conheceram-se na Inglaterra e imigraram para os Estados Unidos por causa da banda.

“Silver Springs”
Amplamente considerada uma das melhores composições de Stevie Nicks, “Silver Springs” notoriamente ficou de fora do Rumours após uma disputa de poder dentro da banda — em vez disso, a música foi relegada ao lado B do single “Go Your Own Way”, uma agressiva composição de Lindsey direcionada a Stevie. No filme, a cena da sua gravação representa o início da “evolução” de Stevie como musicista e compositora aos olhos dos seus companheiros de banda.

“Dreams”
A composição de Stevie Nicks representa o grande ponto de virada do filme, em que o Fleetwood Mac deixa de ser semi-anônimo nos EUA e passa a ser composto por superestrelas. A cena faz também uma ligação com um comentário jocoso feito por Lindsey no início do filme, afirmando que Stevie pensa ser uma bruxa. Aqui, nós vemos que ela de fato o é — a música e a poesia são seus poderes.

“Keep Me There”
Trata-se de uma composição de Christine McVie que, eventualmente, foi descartada e teve vários dos seus elementos transpostos para “The Chain”; aqui, acompanhamos suas desastrosas gravações iniciais, realizadas quando a banda estava num ponto baixo em relação a drogas e à harmonia interna. No filme, a música é interrompida aos 2:40, antes do famoso riff de baixo que foi eventualmente adaptado para o final de “The Chain”.

“Oh Daddy”
Outra composição de Christine McVie, escrita para Mick Fleetwood (que era apelidado “daddy” por ser o paizão da banda) para ajudá-lo num momento de crise. Aqui, quem começa cantando é o próprio Mick, mas Christine junta-se para ajudá-lo a continuar — simbolizando a força da própria música.

“Go Your Own Way”
“Go Your Own Way” é um dos maiores sucessos do Fleetwood Mac, mas por debaixo do seu ritmo animado e da batida contagiante temos uma das composições mais sombrias e agressivas de todo o catálogo da banda — o momento em que Lindsey canalizou todo o seu rancor em relação a Stevie e ao relacionamento falido dos dois. No filme, a música é retratada exatamente como tal: uma agressão.

“Landslide”
É a música que encapsula todo o espírito do filme, a “avalanche” que representa a falência de todos os relacionamentos ali dentro — ao mesmo tempo em que dá uma nota de esperança para o futuro, mostrando que os erros do passado ao menos servem para que possamos amadurecer. Além de um doído dueto de amor, é, também, um fechamento para o arco da sua compositora, Stevie, como se ela estivesse finalmente se despedindo de um passado que não pode mais ser recuperado e dando boas-vindas à sua nova vida.

“The Chain”
A música que fecha o filme é a única cuja composição é atribuída a todos os membros do Fleetwood Mac — justamente porque ela nasceu de “pedaços” de canções e experimentações de todos na banda, como “Keep Me There”. Aqui, começamos a ouvir “The Chain” em seu famoso riff de baixo criado por John McVie (3:03); conforme o restante da banda vai telepaticamente se juntando à música, fazemos a transição para os seus acordes iniciais e passamos a acompanhar a montagem das diversas performances da canção ao longo dos anos. A ideia é simbolizar a maldição de todos os cinco: a fama, que os obrigará a passar o resto de suas vidas proclamando aqueles mesmos versos olhando uns para os outros, como a “corrente que os mantém juntos”.

“Over and Over”
A balada gentil de Christine McVie embala os créditos do filme, que surgem em fundo preto, numa fonte bem pequena, no centro da tela. Simbolicamente, “Over and Over” é a música que abre o Tusk, o álbum seguinte ao Rumours na discografia do Fleetwood Mac — um disco que foi um notório fracasso por conta das pressões em cima da banda, do superestrelato movido a drogas e da obsessão cada vez mais destrutiva de Lindsey Buckingham. Mas essa é uma outra história…


Fotografia

Figurino


Notícias

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Imagens


Prêmios

Total de 13 prêmios e 47 indicações. Clique aqui para ver todos os prêmios da 4ª temporada.

4º Festival de Veneza
  • Grande Prêmio do Júri (venceu)
  • Golden Osella de Melhor Trilha Sonora, Fleetwood Mac (venceu)
4º Festival de Toronto
  • People’s Choice Awards (2º lugar)
1º MTV Movie Awards
  • Dupla ou Time, Fleetwood Mac (venceu)
  • Filme (indicado)
  • Atuação, Billie Lourd (indicada)
  • Beijo, Billie Lourd e Adam Driver (indicados)
  • Momento Musical, “Landslide” (indicado)
  • Pôster (indicado)
4º Globo de Ouro
  • Ator de Comédia ou Musical, Logan Lerman (venceu)
  • Trilha Sonora, Fleetwood Mac (venceu)
  • Filme de Comédia ou Musical (indicado)
  • Atriz de Comédia ou Musical, Billie Lourd (indicada)
  • Ator Coadjuvante, Daniel Radcliffe (indicado)
4º Screen Actors Guild Awards (SAG)
  • Atriz, Billie Lourd (venceu)
  • Elenco: Adam Driver, Billie Lourd, Daniel Radcliffe, Jonna Lee e Logan Lerman (indicados)
  • Ator, Logan Lerman (indicado)
  • Ator Coadjuvante, Adam Driver (indicado)
  • Ator Coadjuvante, Daniel Radcliffe (indicado)
4º BAFTA
  • Composição Musical, Fleetwood Mac (venceu)
  • Direção de Elenco (venceu)
  • Filme (indicado)
  • Direção, John Carney (indicado)
  • Roteiro Adaptado, Michael Arndt (indicado)
4º Oscar
  • Trilha Sonora de Compilação, Fleetwood Mac (venceu)
  • Canção Não-Original: “Landslide”, Fleetwood Mac (venceu)
  • Filme (indicado)
  • Direção, John Carney (indicado)
  • Atriz, Billie Lourd (indicada)
  • Ator, Logan Lerman (indicado)
  • Ator Coadjuvante, Adam Driver (indicado)
  • Roteiro Adaptado, Michael Arndt (indicado)
  • Figurino, Julie Weiss (indicada)
Premiações da Crítica
  • Direção, John Carney (1 prêmio, 2 vices)
  • Atriz, Billie Lourd (1 prêmio, 1 vice)
  • Ator Coadjuvante, Adam Driver (1 prêmio, 2 vices)
  • Filme (3 vices)
  • Ator, Logan Lerman (1 vice)
  • Roteiro, Michael Arndt (2 vices)
Temporadas Posteriores

Nota: prêmios e indicações recebidos em temporadas posteriores não são contabilizados no ranking da temporada de lançamento do filme.

1º Festival do Rio
  • Seleção Oficial

Críticas do Júri

99

Joseph Wilker Film Critics Association
Landslide traz um poster atraente, quanto a história também atrai o telespectador. Billie Lourd teve a atuação do século como Stevie. O filme conta a história dos membros de Fleetwood Mac, a vida dos gênios por trás da música.

98

Deep Sea Film Critics Society
Biografias de banda hoje em dia estão o bê-a-bá da produção cinematográfica. Elas tem sua formulinha, seu formato meio sem novidade, e essa previsibilidade e a existência de uma fanbase garantida é música para os ouvidos de qualquer um que coloque dinheiro nessas produções. Compreensível, então, qualquer ceticismo daquele que entre em uma sala de cinema para assistir Landslide. E compreensível também a surpresa, já que o filme é de uma competência rara em seu filão, o que deve muito ao gênio narrativo de Michael Arndt. A integração da história com as músicas poderia parecer trivial, dadas as características de sua própria produção, mas a verdade é que esse encaixe é tudo menos óbvio. Linhas de diálogo como as que abrem o filme, e a recursividade dos temas, são o trabalho de alguém que sabe o material que tem na mão, e sabe também muito bem o que fazer com ele. A biografia é musical, dessa forma, não só porque é uma biografia de músicos, mas porque a biografia daquelas pessoas É a música. O roteiro sabe costurar perfeitamente os dramas de cada um dos personagens, dando espaço a todos eles, mas nos pega pelo coração através de Stevie, cujo crescimento vemos quase que do começo ao fim. Apesar da força da cena de Landslide, que dá título ao filme, a apresentação de Dreams provavelmente transformará Billie Lourd em um inesperado ícone contemporâneo, e trará (mais) hordas de fãs aos pés de Stevie Nicks. Não só de Lourd faz-se um filme, entretanto, e isso também não é problema, aqui. As performances estão todas estelares. Design de produção e figurino se encaixam perfeitamente para nos colocar dentro do ambiente, e a fotografia dá o tom dos estados de espírito dos membros da banda. A montagem é impecável, e transforma o próprio filme em música. Uma das jóias da temporada.

96

Associación de Críticos de Cine Pastuzo
Já vimos vezes demais dramas biográficos sobre bandas consagradas se escorarem na potência das músicas e personalidades que retratam para apresentar narrativas genéricas e vazias. O que vemos em Landslide não poderia estar mais distante disso. Com a ajuda de atuações magnéticas, com merecido destaque a Billie Lourd, o filme traz para o concreto todo aquele desabafo de mágoa, ternura, angústia e amor que todo fã de Fleetwood Mac sempre devaneou ao ouvir o Rumours. Através dos esforços conjuntos de Lachman e Tom Cross, que conseguem transmitir ao longa uma atmosfera sonial e ao mesmo tempo palpável, somos transportados do estúdio, para o palco, e na falta de simbolismo menos cafona, para o coração dos membros da banda. Aqui, sem subestimar a capacidade do telespectador ou sacrificar a delicadeza dos eventos, todo o universo vivido por eles na década de 70 é desvendado no embalo das composições do grupo. É como se lêssemos um diário: meticuloso, mas totalmente passional.

95

Cinema Contestado – União Catarinense de Críticos de Cinema
Cinebiografias de bandas têm estado em alta ultimamente. Muitas se perdem entre os atropelos e a romantização da carreira de astros da música. Landslide, no entanto, contorna esses problemas com uma sutileza invejável. A produção conseegue retratar os dramas e êxtases, os altos e baixos da Fleetwood Mac com um toque de mestre. O tom barroco da produção e da narrativa se harmonizam com a estética da banda, resultando numa obra cinematográfica digna desse recorte.

94

San City Film Critics Association
John Carney parece ser o diretor perfeito para dirigir musicais que energizam o telespectador e parecem transportar-nos para aquele momento e desfrutar da energia dos personagens. No caso de Landslide, é nada menos que uma das maiores bandas de todos os tempos, Fleetwood Mac. Toda a construção do longa é impecável, o balanço perfeito entre as cenas musicais e diálogos entre os atores sobre seus problemas interpessoais e a conexão estabelecida entre eles por meio do ponto em comum que os une: a música. Grande atuação de todos os atores no filme, com destaque pra Billie Lourd.

90

Rio Film Critics Circle
Um dos títulos mais aguardados desta Award Season, Landslide, dispensa comentários, ao tentar recriar a trajetória por trás do famoso disco Rumors de Fleetwood Mac, John Carney entrega um excepcional estudo de personagens. Todo o elenco está de parabéns, todos conseguem entregar uma atuação de ponta e ter seu momento de destaque. Apesar de baseado em fatos reais, Michael Arndt soube usar de artefatos que fazem o roteiro soar muito original e natural – as discussões são extremamente bem feitas, um ponto muito positivo para uma produção dessas, provavelmente o roteiro em outras mãos soaria mais do mesmo. O drama musical é tão cativante, provavelmente devido ao ótimo casting, que não percebi até depois de uma segunda o quão cada detalhe do filme é milimetricamente pensado para não soar cafona, apesar de ser extremamente cafona e ainda assim muito bem feito. Acho que a única coisa que me incomoda neste quesito é no final, a cena de “The Chain” com cortes de shows da banda real e os infames textos na tela, fora isso, me agrada muito as escolhas do diretor. A fotografia de Edward Lachman dá um ar muito singular ao filme, como se o cinematógrafo trouxesse para a lente o que escutou na música ou leu no roteiro. Outro âmbito que se destaca são os figurinos de Julie Weiss, que além de individualizar cada personagem, também, de certa forma, os une como grupo.

88

Oz Film Critics Society
Landslide reconta a produção do icônico álbum Rumours com maestria. A trilha sonora obviamente é excelente e muito bem encaixada no roteiro, a direção de arte ajuda na imersão temporal e temática. No entanto, o grande destaque vai para as atuações: Billie Lourd brilha como Stevie Nicks, parece que nasceu para esse papel; porém quem entrega a melhor performance é Logan Lermann.

88

Gotham City Film Critics Secret Society
Tudo o que Bohemian Rhapsody poderia querer ser. Através de um incrível elenco em seu conjunto, Landslide reconta toda a história por trás da criação de um dos álbuns mais famosos e importantes da música. Sem se escorar apenas em nostalgia, o roteiro traz um background muito importante para cada música e cada membro da banda, mas ainda assim apoiado por uma incrível trilha-sonora que todos já conhecem. O trabalho de som e de edição ajudam ainda mais o longa a se elevar.

80

Rubens Ewald Son Film Critics Association
Landslide traz uma biopic musical que se destaca pela forma como as músicas externalizam os sentimentos dos personagens de maneira crua transitando entre os gêneros de maneira coesa e significativa ao longo do filme. As atuações também são destaque principalmente as de Billie Lourd e Logan Lerman, ambos no auge de sua carreira. A narrativa segue um caminho já esperado, obviamente por se tratar de um filme biográfico, mas também por esse formato ser importante no desenvolvimento dos personagens. Tendo isso em mente, resta a produção estética sonora e visual engrandecer esses momentos e tudo é feito de forma impecável com destaque a maneira como o som é inserido nas cenas. No geral, o filme cumpre suas expectativas de forma totalmente competente deve figurar entre os vencedores de categorias técnicas dessa temporada.


Comentários do Público

Em breve.

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