de Kantemir Balagov
produzido por Ariel Rodrigues
com Danila Kozlovsky e Viktoriya Isakova
30 de maio de 2020 (2º Festival de Cannes)
🇷🇺 Rússia
Drama
Sinopse: Nina (Perelygina) pisa no palco pela primeira vez: sonha com Moscou, sem conhecer as consequências deste sonho. Paixões se conflitam, quando, ao conhecer Trigorin (Kozlovsky) ela tenta usar a arte para escapar das dores do inverno Russo.
Vencedor de 9 prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Parte da Criterion Collection.
Consenso da Crítica: Um deleite visual tão frio quanto o inverno russo, “The Seagull” adapta exemplarmente um dos grandes clássicos de Anton Chekhov com um elenco afiado e direção segura de Kantemir Balagov. Não assista quando estiver triste, entretanto.
Média da crítica
75
Média do público
–
Tomatômetro

100%
Pipocômetro

-%
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Ficha Técnica
Direção: Kantemir Balagov
Roteiro: Aleksandr Terekhov
Produção: Ariel Rodrigues
Música: Max Richter
Distribuição: Amazon
Plataforma: Constant+
Elenco
Danila Kozlovsky como Trigorin
Viktoriya Isakova como Irina Arkadina
Vasilisa Perelygina como Nina Mihailovna
Ygor Lvovitch como Konstantin Treplyov
Proposta Estética
O filme se lança à uma adaptação agridoce do original de Tchekov, buscando as pequenas alegrias nas grandes tristezas de seus personagens. Apesar de enraizado no realismo e na realidade da Rússia do final do século XIX, o subtexto das falas se abre em uma direção de arte vagamente anacrônica e na poesia do uso das cores, criando imagens atemporais. Os verdes e azuis escuros congelantes de externas (como em Spoor, de Agnieszka Holland) contrastam com os vermelhos e dourados de Beanpole, do mesmo diretor.
Evita-se o melodrama, e momentos carregados são filmados em longos planos, priorizando a performance dos atores em toda sua potência. Desta forma, momentos de pura poesia visual trazem a adaptação teatral seguramente ao cinema, explorando a linguagem ao máximo. A cadeia de eventos, sutil, ganha força e profundidade nos enquadramentos e na montagem, que deixa claro tudo aquilo que é sugerido nos diálogos e no texto.
No âmbito sonoro o design de som econômico serve de âncora realista enquanto a trilha musical nos leva a uma jornada melancólica pelo mundo interno dos personagens.
Toda a proposta estética nos coloca em meio às tensões entre a realidade fria do interior russo, e a fantasia da arte acolhedora que personagens tanto buscam.
Narrativa
The Seagull é uma adaptação da clássica peça russa de Anton Tchekov de mesmo nome.
A história se inicia numa tarde amena de primavera, em um bosque numa propriedade no interior da Rússia. Uma cortina pesada de veludo está precariamente estendida sobre um palco improvisado entre as árvores, onde em poucos momentos o jovem Konstantin Treplyov, sensível e ansioso, apresentará uma peça de sua própria autoria para a família estendida e amigos. Sua mãe, a atriz Irina Arkadina (Viktoriya Isakova), trás para exibição Boris Trigorin (Danila Kozlovsky), romancista de renome e seu amigo e amante, apara o qual Konstantin nutre uma grande suspeita.
A atriz entra no palco: Nina Mihailovna (Vasilisa Perelygina), uma jovem local aspirante à atriz, namorada de Konstantin que nunca havia pisado no tablado, mas sempre teve tal como o maior sonho.
A apresentação é interrompida no meio pelos comentários maldosos de Arkadina, que se irrita com a beleza e juventude de Nina, e com as tendencias simbolistas do filho: ela e Trigorin citam Hamlet e outras peças, fazendo pouco do diálogo pouco elevado do estreante. Tudo se passa na sobre o véu das melhor das intenções, mas é possível sentir o veneno da inveja nas palavras de Arkadina, e a superioridade de Trigorin. Nina se mostra fascinada pela mente de Trigorin, para o terror de Konstantin, e a festa se aparta antes de se elevarem os ânimos.
No dia seguinte, à beira de um lago, conversam todos sobre todos os assuntos, e Trigorin caça e pesca, afastado. Arkadina, falando à amigos, comenta dos dons da menina que se afasta dos demais, sendo observada por seu namorado: é boa, mas muito inocente, não iria durar.
Nina vai em direção à Trigorin, que vem em direção à ela, com algo na mão: é uma gaivota, morta. O diálogo estreita a relação dos dois através de suas opiniões sobre a relação com a arte. Nina se encanta ainda mais o talento de Trigorin com as palavras, e Trigorin se mostra receptivo ao charme inocente da garota, igualmente encantado. Em suas próprias palavras, ele diz a Nina que ela possui algo que ele já perdeu, e a compara à gaivota morta em suas mãos: uma beleza que viveu ao máximo sem saber onde veria seu fim. Seu texto é todo subtexto. Em sua voz, há algo de quem sabe exatamente o que quer, e como obter.
Naquela noite, em razão dos ânimos elevados, Arkadina diz que deixará o campo, junto à Trigorin, no dia seguinte, enquanto Konstantin deve permanecer onde está, cuidando do tio. Nina anuncia que irá junto aos dois, para tentar a vida como atriz em Moscow.
No dia seguinte, Arkadina limpa ferimentos na cabeça de Konstantin, seu filho, irritada com o que ela chama de ‘descuido’. Brincar assim com uma arma perto da cabeça, que coisa de criança! Não fosse seu tio— Apesar de tudo, ela sabe o que realmente aconteceu. A preocupação em sua voz sai como raiva, na forma de comentários sobre sua falta de talento, e logo Konstantin devolve com insinuações a respeito de sua relação com Trigorin, bem como desvelando a inveja que sua mãe nutre contra Nina. Arkadina termina por calar a boca do filho com um tapa, desfazendo as bandagens que tinha acabado de refazer em seu rosto. O garoto não responde.
A partida de todos se dá sem muito alarde, e Konstantin permanece irresponsivo durante todo o tempo.
Um pulo temporal: estamos na mesma casa, três anos depois. Konstantin cuida de seu tio, já velho e doente, e age agora como dono da casa. Parece uma década mais velho, está mais cínico, e desencantado com a vida.
Chega, sem aviso, à casa, sua mãe, Arkadina: ela conta das maravilhas de Moscow, de sua reestreia como atriz, e Trigorin fala de seu novo livro, e de como foi apenas a renda de Akradina que permitiu que ele escrevesse. O livro, pergunta Konstantin, foi um sucesso? “Ainda estamos descobrindo, eu e o público, essa nova obra”, ele responde. Os sorrisos e o ânimo de Arkadina parecem, aí, quase histéricos. E Nina?, Konstantin quer saber. Ninguém consegue lhe dar uma resposta direta. Estavam na região, quiseram apesar dar um oi. Jantam, se despedem, vão embora.
Antes de ir dormir, Konstantin vai até a parte de trás da casa e descobre lá Nina, que como ele parece ter envelhecido uma vida. Até mais do que ele. Ela lhe conta sobre seu fracasso como atriz, do filho que teve, debaixo dos panos, com Trigorin, de como ele havia lhe abandonado, e de suas dificuldades. Ela lhe conta como, mesmo sem perspectiva de sucesso, não consegue desistir dos palcos. Ela lhe diz que o amou, mas não mais. Que precisa ir embora. Ela lhe conta sobre a gaivota.
Naquela noite, a casa escuta o som de um tiro dado. O som se perde, sem ter para onde reverberar, na noite do interior do inverno russo.
Oscar Tapes
Danila Kozlovsky: Trigorin, Nina, e a gaivota.
Viktoriya Isakova: Arkadina limpa os ferimentos de seu filho.
Ygor Lvovitch: A conversa com a mãe enquanto ela refaz as bandagens em seu rosto.
Vasilisa Perelygina: Nina conta a Konstantin sobre seus últimos dois anos.
Trilha Sonora
Imagens

Notícias
Prêmios
Total de 9 prêmios e 24 indicações. Clique aqui para ver todos os prêmios da 2ª temporada.
2º Festival de Cannes
- Prêmio de Direção, Kantemir Balagov (venceu)
- Prêmio do Júri Ecumênico (venceu)
2º Festival de Toronto
- Melhor Filme (3º lugar)
2º Screen Actors Guild Awards (SAG)
- Ator, Danila Kozlovsky (indicado)
2º BAFTA
- Filme Estrangeiro (venceu)
2º Globo de Ouro
- Filme Estrangeiro (venceu)
- Ator de Drama, Danila Kozlovsky (venceu, empate com Daniel Day-Lewis por Attraversato)
- Direção, Kantemir Balagov (indicado)
- Atriz de Drama, Viktoriya Isakova (indicada)
- Atriz Coadjuvante, Vasilisa Perelygina (indicada)
- Ator Coadjuvante, Ygor Lvovitch (indicado)
- Roteiro, Aleksandr Terekhov (indicado)
2º Oscar
- Filme Estrangeiro (venceu)
Premiações da Crítica
- Ator, Danila Kozlovsky (1 prêmio)
- Ator Coadjuvante, Ygor Lvovitch (2 prêmios)
- Filme (1 vice)
- Direção, Kantemir Balagov (3 vices)
- Atriz, Viktoriya Isakova (1 vice)
- Atriz Coadjuvante, Vasilisa Perelygina (3 vices)
Temporadas Posteriores
Nota: prêmios e indicações recebidos em temporadas posteriores não são contabilizados no ranking da temporada de lançamento do filme.
1ª Mostra de Cinema de São Paulo
- Seleção Oficial
Críticas do Júri
86
Saint Catherine Film Critics Society
Se eu fosse definir este filme em uma palavra seria excêntrico, talvez, pois ao mesmo tempo ele se mostra tão simples. O contraste de alguns personagens hiper caricatos enquanto outros tão normais, faz o mesmo entre a casa do personagem principal e as promessas na cidade que todos esperam realizar seus sonhos. Melancolia encontrada em jovens que não conseguem realizar seus sonhos.
80
Kings’ Bay Film Critics Circle
Um retrato surpreendente belo da melancolia na frustrante Rússia rural no final do século XIX. Graças à direção de Balagov, assistir The Seagull é como encontrar pequenos lampejos de luz quando se está em meio à neblina. A performance de Vasilisa Perelygina é um dos destaques do ano.
80
Rio Film Critics Circle
Dirigida por Kantemir Balagov, com um roteiro de Aleksandr Terekhov, The Seagull se mostra uma adaptação exuberante e onírica, por mais que peque em alguns aspectos – como por exemplo na trilha sonora. Mas podemos afirmar que a magia do filme está em suas performances, essa adaptação poderia ser facilmente uma masterclass para estudantes de teatro, os atores conseguem encantar o público em cada cena.
76
Oz Film Critics Society
Um filme que provavelmente não assistiri nunca mais, muito triste. Não sei dizer se as atuações foram vocalmente boas, pois não falo russo, mas expressivamente são fortes. A ambientação gelada combina com o tom do filme, que de vez em quando insere um momento de esperança, como uma lareira no meio daquele inverno, mas que uma hora sempre se apaga.
74
Syndicat Français de la Critique de Cinéma
Uma adaptação que honra a obra original, mas sequer tenta ir além. Teria sido interessante ver, ainda que em flashes, os anos que se passaram em Moscou, especialmente sob o olhar de Nina.
64
South Brazil Film Critics Circle
Bom filme. Tem uma história interessante e ótimas atuações. Poderia ter sido melhor executado, mas mesmo com alguns problemas, é um filme que merece ser visto.
64
San City Film Critics Association
The Seagull é uma história trágica e triste sobre a glamourização da vida de artista e quão longe as pessoas vão pra conseguir alcançar esse status de glamour. Elenco afiado e trilha sonora que nos transporta pra primavera na Rússia, The Seagull é competente na história que quer contar, por mais triste que seja.
