Sacrilégio (2022)

de Carolina Jabor
produzido por Oz Produções
com Chay Suede e Letícia Colin
8 de Abril de 2022
🇧🇷 Brasil

Drama de Época / Fantasia
Sinopse: O marasmo da Vila Piedade é interrompido com a chegada do jovem e belo padre Álvaro (Chay Suede). Ele conquista todo mundo com sua gentileza, mas é de Maria Luísa (Letícia Colin) que ele realmente se aproxima. A sucessão de eventos em torno desse amor proibido resulta em incêndios toda quinta-feira e uma assombração em busca de vingança.

Vencedor de 5 prêmios, incluindo o Prêmio do Júri de Melhor Atriz em São Paulo para Marcélia Cartaxo.


Consenso da Crítica: O desenvolvimento do romance central e a estrutura não-linear podem dividir opiniões, mas “Sacrilégio” tem trunfos importantes na sua rica ambientação, nos aspectos técnicos impecáveis e na exploração inovadora de uma lenda do folclore brasileiro.

Média da crítica

74

Média do público

Tomatômetro

86%

Pipocômetro


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Ficha Técnica

Direção: Carolina Jabor
Roteiro: Heloisa Melo
Produção: Oz Produções
Fotografia: Pierre de Kerchueve
Figurinos: Kika Lopes
Direção de Arte: Yurika Yamasaki
Distribuição: Globo Filmes
Plataforma: Phantasm

Elenco

Chay Suede como Padre Álvaro
Letícia Colin como Maria Luísa
Marcélia Cartaxo como Tia Lucinda
Enrique Díaz como Delegado Alberto



Proposta Estética

Sacrilégio se passa na Vila Piedade (MG), um local fictício, em dois momentos. O tempo é indeterminado, mas tem cara de anos 1940. Cercado por mata fechada, o vilarejo é bonitinho, mas simples, com casas todas parecidas, brancas com detalhes coloridos nas portas e janelas. No presente, a vila é apagada, cinzenta e empoeirada. No passado, que se passa alguns meses antes, apesar de ser um lugar pacato, é bucólico e as cores são mais vivas. A fotografia utiliza luz natural quando é dia e à noite a iluminação vem do fogo, seja de velas, fogueiras ou lampiões, afinal, não há eletricidade na Vila.

A maior parte dos moradores usa roupas em tons claros e terrosos. Ao contrário de Maria Luísa, que usa vestidos em tons como: azul escuro, rosa claro e verde, sempre se destacando por onde passa, principalmente se é sob a perspectiva de Álvaro.O Padre veste apenas preto, seja a batina ou não. Lucinda usa tons pasteis no passado e preto no futuro, sem nunca tirar o crucifixo do pescoço. O delegado Alberto está sempre de camisa social e botas robustas, já desgastadas.

Quanto ao som, no presente há silêncio e burburinho apreensivo. No passado a vida acontece e preenche o filme, em cenas no centro da vila ou em eventos, risadas e conversas podem ser ouvidas (mas, não entendidas) ao fundo. Quando Maria Luísa e padre Álvaro estão a sós, eles só escutam um ao outro.


Narrativa

Faltam alguns minutos para o pôr do sol em Piedade. Os poucos moradores permanecem em silêncio enquanto encaram a entrada da mata que cerca o vilarejo, cada um com uma ferramenta nas mãos: facas, chicotes, pedras e improvisos. Ao redor quase todas as casas destruídas pelo fogo, menos uma. Uma beata reza um terço com a intensidade de quem já perdeu a fé, mas não vê outra solução a não ser a misericórdia divina. O Sol dá licença para o que quer que seja, venha assombrá-los.

Créditos iniciais e título: SACRILÉGIO

ALGUNS MESES ANTES

A jovem Maria Luísa (Letícia Colin), cuida das rosas do jardim da Igreja quando a beata Lucinda (Marcélia Cartaxo), tia por quem foi criada, a chama para dar às boas-vindas ao novo padre. Para a surpresa (e certo lamento­) de toda a vila, padre Álvaro (Chay Suede) é jovem e bonito, ao contrário do seu antecessor — que Deus o tenha. Duas coisas passavam pela cabeça de todos “o que faria aquele homem vir para um fim de mundo desse?” e “finalmente alguma novidade nesse lugar”.

Enquanto Lucinda ajuda Álvaro a se integrar na paróquia, ele e Maria Luísa compartilham olhares de quem nunca se viu, mas sente que se conhece. Lucinda, que não está tão bem de saúde, pede a sobrinha que auxilie o padre nas próximas semanas.

No início, Álvaro tenta se manter o mais distante possível, afinal, ele não veio para fazer amigos ou criar afetos em Piedade, esse trabalho faz parte de uma promessa de se afastar do que a cidade grande oferece. Porém, em pouco tempo é impossível não se sentir em casa quando está com Maria Luísa, que se torna Malu e a cada sorriso provoca emoções que ele não gostaria de ter que lidar.

PRESENTE

Há tudo em Piedade, menos silêncio. Burburinhos de dúvida, indignação e medo preenchem as ruas iluminadas por lampiões. Da casa que resta, sai um homem que já foi imponente, mas agora parece apenas um louco, é o delegado Alberto (Enrique Díaz).

PASSADO

O delegado Alberto está no bar depois do expediente quando Maria Luísa passa, voltando para casa. Com olhos de um caçador, Alberto diz ao seu melhor amigo, Juliano, que ainda casará com a moça.

Chega o dia de São João, um dos mais esperados de Piedade, quando a vida morna se torna alegre e festiva sem julgamentos — pelo contrário, afinal é uma festa da igreja — e é a primeira sob o comando de padre Álvaro, que se tornou extremamente querido na vila.

Em meio a fogueira, iguarias de milho, brincadeiras e quadrilha, Lucinda percebe que Álvaro e Maria Luísa estão próximos demais. E apesar do possível exagero da visão de uma beata, ela não está errada.

Quando a festa acaba, Maria Luísa permanece para ajudar na limpeza. Por alguns minutos os planos de Álvaro de resistir aos sentimentos e instintos são bem-sucedidos, mas entre caixas e bandeiras de papel ele e Malu se esbarram, e os votos que um dia ele fez são intensamente quebrados.

Supostamente arrependidos, os dois prometem guardar segredo e nunca mais repetirem o sacrilégio.

PRESENTE

Já são 19h e o povo aguarda. Juliano indaga para toda a vila se a maldição acabou. Todos parecem ansiosos e ao mesmo tempo aliviados com a possibilidade. Lucinda ordena uma oração coletiva em agradecimento pela libertação. Um coro de vozes começa o Pai Nosso com timidez, mas evolui com fervor. Antes do “Amém” um som gutural interrompe a esperança e a vila é iluminada pela luz de um fogo maior do que qualquer lampião.

PASSADO

Padre Álvaro e Maria Luísa combinam de se afastar, mas sem que isso gere fofocas. Atordoado pela falta de comprometimento com o seu dever, Álvaro não dorme há dias. Maria Luísa finge um resfriado e é visitada por Alberto, que não é nada discreto em suas intenções com ela, causando-lhe uma enorme repulsa.

Os esforços do padre e de Malu são atrapalhados por Lucinda, que obriga a sobrinha a ir à Igreja, pois não é normal um resfriado durar tanto tempo, deve ser algum problema que só Deus para resolver. Lucinda simplesmente deixa a menina na Igreja e diz que ela deve permanecer lá até se sentir curada, não importa se demorar 5 minutos ou 8 horas.

Finalmente a sós de novo, Álvaro e Malu, entendem que sentem a mesma coisa e deixam a culpa de lado. O que foi um ato impulsivo se torna um romance, muito bonito, mas que só podia existir em certos locais e em certos momentos. Assim, uma casa abandonada atrás do bordel se torna o esconderijo e refúgio dos dois.

 Lucinda percebe que Maria Luísa nunca esteve tão feliz. Em compensação o delegado Alberto perde a paciência com as fugas da moça sempre que ele tenta se aproximar. Para onde ela vai quando não está na igreja ou em casa com a tia? Alberto decide descobrir.

Sem saber que é observada Maria Luísa mantém seus planos: compra flores, busca o vestido novo na costureira, volta para casa, toma um banho e passa perfume. Finge que vai para o quarto, pula a janela e segue para a casa sem dono atrás do prostíbulo.

Assustado com todas as possibilidades que passam em sua cabeça, Alberto entra na casa com sua arma em mãos. Nada do que ele imaginou estava certo. Primeiro ele se decepciona ao ver justo o padre, mas quando entende que Maria Luísa está ali porque deseja estar, Alberto fica furioso. Sem saber em quem apontar, o delegado marca com um tiro no teto o fim da paz que Álvaro e Malu encontraram um no outro.

Tomado pela raiva, Alberto arrasta Malu, seminua, para fora da casa. As pessoas começam a se aglomerar na rua e o seguem em procissão para ver até onde aquilo vai, enquanto Álvaro corre atrás dos dois e implora para que Alberto não cometa uma besteira.

Na praça central, o delegado chama a atenção de toda a vila Piedade. Lucinda chega correndo sem saber o que acontece. Não precisa de muita explicação para entender, a cara de vergonha e a falta de roupas denuncia. Álvaro tenta se aproximar de Maria Luísa, mas é segurado por Juliano e outros homens da cidade. Enquanto isso, Lucinda chora desesperadamente pela desgraça da sobrinha e diz que ela precisa ser libertada do espírito de demônio que a possuiu.

Aos poucos as pessoas da vila concordam com Lucinda e antes que Maria Luísa entenda seu destino, ela é amarrada com uma corda e pedaços de madeira são jogados no meio da praça. A primeira chama surge na ponta de um fósforo.

Em meio a Pai-Nossos, Ave-Marias e xingamentos, os gritos de dor de Maria Luísa preenchem Piedade enquanto o relógio da igreja marca o pôr do sol daquela quinta-feira que começou como qualquer outra. Álvaro, preso em uma árvore é obrigado a assistir, em choque, a punição por sua rebeldia.

Já é madrugada quando alguém aparece para desamarrar Álvaro. É Lucinda, que lhe traz um copo d’água e palavras de perdão. Completamente confusa com o que aconteceu, ela supõe que um espírito maligno se apossou de Maria Luísa como tentação ao padre, que não tem culpa de ter sido ludibriado, é claro. Quanto a sobrinha, precisará de mais rezas para ter a alma perdoada.

Incrédulo e exausto, Álvaro pega o que restou de Malu e a carrega para a mata. Outra fogueira é acesa, dessa vez na tentativa de lhe dar alguma dignidade ao transformá-la em cinzas.

Todos tentam seguir a vida, mesmo sabendo e sentindo que Piedade nunca mais será a mesma. Álvaro, que já não é mais padre, se esconde em um quarto na cidade vizinha, Lucinda reza todos os dias pela sobrinha e Alberto se arrepende do que fez, sem demonstrar.

 Uma semana se passa e é quinta-feira novamente.

O sol se põe e Lucinda inicia sua reza das 18h. Assim que ela acende a vela, um som sinistro de agonia quebra o teatro de normalidade da Vila. Lucinda se levanta fazendo o sinal da cruz e abre a porta para espiar o que acontece. No mesmo segundo Lucinda é derrubada no chão. Ao olhar para cima tudo o que ela vê é fogo. Mas algo a impede de se levantar.

Horrorizada com o que vê, Lucinda recita o salmo 91 enquanto tenta fugir do fogo que queima tudo pelo caminho. Um estrondo a tira do transe. Alberto e Juliano estão ali para resgatá-la, mas ela não se mexe. Tudo ao redor é consumido pelas chamas.

Alberto se arrisca e carrega Lucinda para fora da casa. Na calçada todos perguntam o que aconteceu, e a sinfonia de vozes só deixa a beata mais atordoada. O grito de agonia é ouvido novamente e todos se calam. Lucinda então diz que “é ela, Maria Luísa, é o mesmo grito” e os moradores de Piedade se entreolham, sabendo que apesar de abalada, ela tem razão. Cético, Alberto diz que precisa levá-la ao médico, que são alucinações devido ao trauma.

Do outro lado da rua, uma mulher grita “Valha-me Minha Nossa Senhora! É uma mula-sem-cabeça!”

É uma confusão, algumas pessoas dizem que também viram um animal, outras que foi apenas o fogo e isso é delírio pela culpa do que fizeram. O assunto é rapidamente encerrado pelo constrangimento e ninguém sabe o que de fato aconteceu.

Uma montagem mostra o tempo passando e toda semana uma casa é incendiada em Piedade. Fogo. Gritos. Restos do que já foi um lar. Repetidamente.

Todas as pessoas parecem cansadas e assustadas. O delegado Alberto faz um pronunciamento na praça sobre os incêndios que vêm acontecendo toda quinta-feira ao pôr-do-sol, acompanhados por gritos de agonia e alucinações com uma criatura que não tem como existir.

PRESENTE

O fogo se aproxima e encara o delegado Alberto. É uma mula-sem-cabeça. Os moradores da vila, ficam parados, indecisos entre atacá-la ou sair de seu caminho, até que um dos homens joga uma pedra na criatura e é um festival de objetos sendo jogados para machucá-la. No entanto, a Mula está inabalável. Ela apenas caminha em direção ao delegado Alberto, que engole em seco ao vislumbrar seus últimos minutos de vida.

PASSADO

Padre Álvaro, mais magro e abatido, observa a urna funerária de Maria Luísa enquanto faz as malas. Uma passagem na cama informa que ele vai para o Rio de Janeiro.

PRESENTE

A Mula carrega Alberto para a mata, sem se aproximar da casa. As outras pessoas correm para tentar ajudá-lo, mas ninguém consegue alcançá-la. A vila perde a pessoa que resolvia os problemas e todos entram em desespero.

Enquanto isso, a última casa de Piedade pega fogo.

Sem que ninguém veja, Álvaro vai embora com uma caixa de fósforos na mão.

EPÍLOGO

Álvaro está em um barco no meio do mar com a urna de Malu nas mãos.

Um flashback dos dois na casa abandonada. Malu conta que o sonho dela é voltar à praia, que só foi uma vez há muito tempo, com a mãe. Ela diz que no mar foi onde se sentiu viva de verdade, quando entendeu que o tempo era curto e as possibilidades infinitas. “só senti isso de novo aqui, com você” confessa para Álvaro, que promete levá-la à praia novamente algum dia.

Os dois sorriem.


Trilha Sonora

A trilha sonora é composta principalmente por músicas instrumentais, com bastante violino e violoncelo. Na festa junina há músicas típicas dessa festividade, como quadrilha e forró.


Notícias e Imagens


Prêmios

Total de 5 prêmios e 18 indicações. Clique aqui para ver todos os prêmios da 5ª temporada.

Festival de Locarno
  • Pardo para a Melhor Direção, Carolina Jabor (venceu)
Festival de La Habana
  • Melhor Atriz, Marcélia Cartaxo (venceu)
1ª Mostra de Cinema de São Paulo
  • Prêmio do Júri de Melhor Atriz, Marcélia Cartaxo (venceu)
1º Prêmio Guarani
  • Filme (indicado)
  • Direção, Carolina Jabor (indicada)
  • Atriz, Letícia Colin (indicada)
  • Roteiro, Heloísa Melo (indicada)
  • Fotografia, Pierre de Kerchove (indicado)
  • Direção de Arte, Yurika Yamasaki (indicada)
  • Figurino, Kika Lopes (indicada)
1º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro
  • Atriz Coadjuvante, Marcélia Cartaxo (venceu)
  • Fotografia, Pierre de Kerchove (venceu, empate com Formigas)
  • Filme (indicado)
  • Direção, Carolina Jabor (indicada)
  • Atriz, Letícia Colin (indicada)
  • Ator Coadjuvante, Enrique Díaz (indicado)
  • Roteiro, Heloísa Melo (indicada)
  • Figurino, Kika Lopes (indicada)

Críticas do Júri

80

Critiques de Cinéma de la Côte d’Azur
Sacrilégio é uma obra carregada quase que absolutamente pela presença cativante de seus protagonistas. O som e o silêncio, a tensão turbulenta na ausência de cores e a personificação da vila em seus moradores metamorfos, que acompanham religiosamente até as menores alterações no ambiente, compõem o cenário perfeito para as personagens exercerem seus papéis com excelência. No entanto, sendo o folclore uma manifestação rica, cheia de subtextos e alegorias, sinto que o longa quase peca pela literalidade quando trata de temas fantásticos com tanta objetividade, não concedendo ao filme a personalidade que poderia ter.

79

Jazzacritics Society of Schitts Creek
Piedade é uma vila isolada, pacata, conservadora e simples. São os elementos necessários para se criar esse ambiente claustrofóbico e de prisão sem saída. Nada de novo sob o sol, mas aqui existe a adição do folclore brasileiro, elemento pivotal para a narrativa e para o entendimento do Brasil cultural. Parece bobo, mas a concepção de uma obra vinda do país sem a necessidade de se igualar ou comparar aos produtos internacionais é refrescante e eleva qualquer tipo de material. A mitologia folclórica brasileira é uma das mais ricas que conheço e os elementos estão aqui como merecem ser vistos.

Letícia Colin e Chay Suede formam um par adorável e super crível com uma química incrível (O fato de serem alguns dos atores mais talentosos de sua geração ajuda bastante). Cartaxo possui uma presença assustadora e uma personagem que poderia ter sido gigante se não fosse o principal problema do filme: A pressa. A história de Sacrilégio é muito interessante e eu realmente gostei muito, mas a rapidez da narrativa em contar tudo sem dar espaço para as personagens respirarem e o espectador imergir com força naquela narrativa acaba deixando a desejar. Você pisca e já aconteceram tantas coisas, mas no fim o espectador acaba assistindo e não sentindo tudo que está em tela. Em certo momento comenta-se que é um belo romance entre os protagonistas, mas acredito que o essencial seja ver essa beleza e não ser relatado a mim. Um pouco de esmero na criação daquelas sensações, naqueles conflitos de cada personagem, no entendimento de cada figura apresentada como humana e sentimental transformaria isso em uma obra-prima.

Sabe-se do obstáculo em relação ao tempo, já que os festivais e os organizadores possuem déficit de atenção, mas eu realmente não vejo problema. Nós temos aqui ótimos atores, um enredo rico, uma ambientação muito gostosa de se ver e cenas perfeitas, mas até a comida com os melhores ingredientes pode ficar ruim se não for cozida direito. O sacrilégio moral entre uma paixão proibida, uma população contra qualquer princípio ou de um filme quanto ao seu potencial é tão poético que dói, mas ainda faz deste filme algo muito bom.

.

78

Rio Film Critics Circle
Em “Sacrilégio”, Carolina Jabor traz a lenda da mula sem cabeça, um triste conto de amor proibido, que apesar de triste e assustador, a cineasta apresenta de forma muito emotiva.

A aposta na química entre Chay Suede e Letícia Colin é o que nos faz mergulhar de cabeça no filme, os dois em cena encantam e trazem tamanha veracidade para o que se passa na tela. O filme se passa todo na pacata Vila Piedade e tem uma direção de arte muito bem cuidada, os cenários misturam e explicitam a condição degradativa do conservadorismo. O resultado é lindo. É uma pena que os coadjuvantes e figurantes acabem tão estereotipados.

Apesar de grande parte do filme girar em torno da descoberta do amor entre o Padre e a jovem, a alternância de tempo entre o passado e presente, em mim, tem um efeito contrário, não atiça nenhum pouco minha curiosidade mas quebram o ritmo. A intimidade entre Álvaro e Maria Luísa é como uma autodescoberta para ambos. Ainda assim, o longa poderia maximizar algumas questões periféricas, como a questão do furor religioso.

77

Associação Independente de Críticos do Sertão
Com um trabalho de som incrível, Sacrilégio se fundamenta na química e na paixão, seja entre os atores (sendo Letícia Colin o claro destaque do filme) ou na construção da pequena cidade. Infelizmente, em certos momentos o filme peca na construção do casal e na velocidade com que os eventos são desenvolvidos. O final deixará seus olhos marejados.

77

Gotham City Film Critics Secret Society
“Sacrilégio” é um filme projetado com um enorme potencial e até que consegue corresponder grande parte dele com a boa direção de Jabor. Um filme sobre uma cidade do interior e os misticismos do folclore brasileiro atrelado à religião e envolvente na medida certa e extremamente real: quem não iria querer ter um romance com Chay Suede mesmo de batina? Gostaria de ver mais deles.

65

Syndicat Français de la Critique de Cinéma
Um filme no limite da correção, que não é inovador, mas tem seu mérito por explorar o gênero fantástico e reavivar no imaginário coletivo uma figura cada vez mais esquecida do nosso folclore. Apesar dos esforços, Sacrilégio não cativa como poderia e eu gostaria. A história de amor dos protagonistas não é interessante o suficiente nem no começo, quando apresentada como ignição para o evento principal, e, certamente, não tem a força necessária para justificar o epílogo. Ironicamente, falta fogo nessa relação. E essa volta ao romance acaba esfriando qualquer possível excitação provocada pelo elemento mais interessante do filme, o suspense.

60

Associação Cibernética dos Críticos de Kwangya
A narrativa não-linear de Sacrilégio sofre de suas próprias ambições e acaba tão decapitada quanto a criatura que a inspira; passado e presente se sobrepondo em momentos inoportunos e impedindo que se crie a imersão necessária para uma história tão cheia de suspense. Também é uma pena que, apesar de seu esforço para recontextualizar a lenda da Mula-sem-cabeça, a ótica de Jabor ainda a apresente como secundária em sua própria história ー não sabemos muito da Malu de Letícia Colin fora de seu relacionamento com o padre ou de seu mitológico retorno. A excelente e cacofônica cena de exorcismo não deixa mentir: é fato que a atriz traz força à performance. Ainda assim, a personagem simplesmente não causa grande interesse, passando batida numa trama em que acabou perdendo seu papel central para atuações ainda menos memoráveis, como a de Chay Suede. A impressão que fica é a de que em algum momento esse foi um filme promissor sobre folclore, vingança e temor divino, mas que a produção infelizmente se perdeu no meio do caminho e deu lugar a uma obra esquecível, que se apoia em algumas poucas cenas grandiosas para tentar causar impacto ao invés de potencializar sua interessante temática.


Comentários do Público

Em breve.

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