Hollywood Ending (2020)

de James Gray
produzido por Pedro Cardote
com Reeve Carney
2 de outubro de 2020 (4º Festival de Cannes)
🇺🇸 Estados Unidos

Drama / Melodrama / Romance
Sinopse: Christopher (Reever Carney) é um ator novato que ao ser escalado para seu primeiro papel principal se vê dividido entre a avó doente e o amor de uma jovem atriz.

Vencedor de 4 prêmios, incluindo o Prêmio de Atuação Masculina em Cannes para Reeve Carney.


Consenso da Crítica: Simultaneamente sutil e melodramático, “Hollywood Ending” traz mais um exemplo de como James Gray consegue tratar de temas difíceis sem cair no moralismo ou no lugar-comum.

Média da crítica

78

Média do público

7.5

Tomatômetro

89%

Pipocômetro

95%

Navegue pelas seções


Ficha Técnica

Direção: James Gray
Roteiro: James Gray
Produção: Pedro Cardote
Fotografia: Darius Khondji
Figurinos: Mary Zonphres
Distribuição: 20th Century Studios
Plataforma: Oldplay

Elenco

Reeve Carney como Christopher
Margot Robbie como ‌Julie
Julie Andrews como Mary


Proposta Estética

Quanto ao figurino: O filme começa com cores mais apagadas, porém após o término das gravações do filme as cores vão ficando mais vibrantes. Na cena final Julie encontra-se com uma roupa cinza enquanto Christopher anda com uma roupa mais amarelada. A figurinista é Mary Zonphres (A mesma de La La Land, para contrastar com Hollywood Ending)

Quanto ao cenário: Conforme o avanço da narrativa, ele se torna mais cuidadoso e elaborado com a única exceção na cena em que Christopher visita a avó. O que parece amador, simples ou sem luz própria no começo ganha mais vida com o passar do filme. 

A fotografia fica a cargo de Darius Khondji, colaborador periódico ao trabalho de James Gray. Da iluminação ao figurino e afins, tudo reflete não só a mudança como externaliza o sentimento dos personagens, principalmente de Christopher que se mantém passivo em torno das mudanças e fala pouco sobre o seu íntimo, etc…


Narrativa

Introdução

O filme começa com um jovem (Reeve Carney) tomando café num pequeno bar. Ele assiste a todas as pessoas sentadas nos bancos e mesas enquanto esboça um leve sorriso. Após terminar, ele avisa à idosa garçonete, paga a conta e dá uma pequena gorjeta para ela. Caminhando em direção ao pequeno apartamento onde mora, Christopher recebe uma ligação de seu agente: Ele foi escalado para o filme que tanto esperava estrelar. Eufórico, ele corre para casa, mas para antes de entrar e se controla. Ele morava com sua avó que estava debilitada com a idade e que raramente saía de casa. Christopher entra no apartamento e vai até o quarto da avó e a avisa das notícias, ele abraça a idosa que o elogiou com um imenso sorriso. Ele se deita ao lado de Mary (Julie Andrews) e ambos dormem. Fade out

I

O espectador assiste aos funcionários trabalhando no set de filmagens (A filmagem ia ser inteiramente em Los Angeles e Christopher viajou para gravar e promover o longa). Dentro de um trailer vemos Christopher se vestindo e conversando com o diretor, eles comentam sobre seu papel. Christopher encontra-se tão fascinado por tudo ao seu redor que acaba nem ouvindo direito o que o diretor fala. Chegando no local da filmagem (Uma pequena praça), ele conhece Julie (Margot Robbie), a estrela do filme. Após um pouco de conversa, eles filmam a cena do encontro dos personagens. A história do longa do qual Christopher participa é a de uma jornalista que se vê envolvida num escândalo sobre uma conspiração envolvendo os soldados estadunidenses.
Mais cenas começam a ser filmadas e em um momento um dos maquiadores é socorrido por Christopher quando tropeça na escada de um dos trailers. Ao final da gravação, todos resolvem sair para uma lanchonete próxima ao local para comemorar o início do processo do filme. O elenco celebra o primeiro dia de filmagens com muita alegria: Bebem, comem e conversam alto. Eles falam sobre o filme, sobre a vida e discutem sobre diversos temas. Christopher fala muito sobre seu trabalho e como ele chegou ao papel atual. Julie fica focada na conversa de Christopher e encanta-se pelo interesse dele pelo trabalho.
Cansados e felizes, eles retornam ao hotel. Já em seu quarto, Christopher liga para a avó e ambos conversam. Com a ida do neto, Mary se mudou para um asilo ao qual chamava de aconchegante. Ela sentia muita falta de Christopher e embora segurasse o choro, o protagonista reparava na tristeza da mulher. Eles se despedem após uma boa conversa e ele se deita para dormir. Fade out

II

As primeiras cenas de ação começaram a ser gravadas e com a chegada delas os atores começaram a treinar. Para evitar dublês em momentos mais suaves, Christopher e Julie começaram a coreografar suas cenas e, com o início do treino, ambos se aproximam. São pequenos olhares e toques entre ambos que chamam atenção um no outro. O filme mostra esse contato deles em cena e, logo em seguida, Christopher liga para sua avó e ambos conversam sobre como estão se sentido: Mary pede para que o neto mande fotos e notícias sempre que possível e Christopher afirma que o fará e desliga. A atriz se aproxima dele e pergunta sobre a ligação e ambos conversam sobre a avó de Christopher e da relação deles: embora relutante, Christopher fala sobre sua infância e corta a conversa ao falar sobre seus pais. Julie repara e o compreende, mas fica fascinada pela relação dele com sua avó.
Dispostos a conversar mais, eles saem do set. Em meio às ruas e lojas, eles falam sobre a vida e Christopher pergunta sobre a carreira de Julie e como ela se sente naquele meio. Ela comenta estar contente com o andar da carruagem e que está animada para estrelar o próximo filme de um famoso diretor, mas pede para que Christopher não mencione nada para ninguém, já que, graças ao contrato, evita falar sobre. Ambos continuam a conversa e sorriem. Julie comenta que não gosta muito de lembrar de sua vida pessoal e prefere entregar-se ao trabalho.
Conforme andam, alguns fãs e paparazzis reparam nos dois, principalmente em Julie que já era um pouco conhecida, e começam a segui-los. O casal de atores, ao descobrir, sai correndo tentando fugir. No meio da fuga Julie tropeça, mas Christopher a levanta. Eles se escondem em um pequeno beco e ficam parados naquele lugar. Quando veem que estão livres, começam a rir da situação, mas logo reparam que o joelho dela está sangrando. Christopher diz que seu pai costumava dizer que isso era sinal de boa sorte. O protagonista a ajuda e as mãos deles se tocam ao tentar verificar o machucado. Eles se entreolham e por fim se beijam.
Voltando ao set envergonhados, o casal é notado pelo diretor que repara na vermelhidão no rosto de Julie. Ao reparar isso, o diretor aproveita para gravar uma cena do casal, mas como Julie fica muito tímida a cena não funciona. O diretor sorri entendendo a situação e fala para ambos voltarem ao hotel, pois iria gravar outras cenas no dia. O casal pega um carro de volta ao hotel e lá conversam mais sobre tudo e criam uma conexão. (Você já se sentiu livre? Eu acho que por mais que tente sempre terei que lidar com outras pessoas, mas principalmente terei que lidar comigo mesma e não sei se estar sozinha me deixa bem o suficiente para me sentir assim).
Já dentro do hotel eles conversam e se beijam. Entrando no quarto, eles deitam-se e ficam se admirando deitados. Eles ficam mais pertos e conforme se tocam e se beijam a tela vai se apagando em fade out.

III

Mostra-se o cenário sendo desmontado e as peças sendo guardadas, dando a entender que a gravação terminou. Logo vemos a introdução de um programa e Christopher e Julie entram no palco para uma entrevista. O entrevistador fala com Christopher sobre as propostas que ele recebeu com o passar das filmagens e o buzz que se criou ao redor dele como ator. Ao ser perguntado sobre sua relação com Julie no set e dos boatos que os cercavam ele brinca falando que não havia nada entre eles, pois ele era bom demais para qualquer um, ainda mais ela. Todos riem e Julie esboça um sorriso pequeno e um pouco desconfortável. As perguntas continuam e Julie ganha mais voz ativa, ao fim palmas são ouvidas e logo são abafadas.
Corta-se para o casal entrando no carro que os levaria de volta ao hotel. Não existe conversa entre ambos nesse momento. Julie alcança a mão de Christopher e ele retribui a segurando por algum tempo. Ele a solta após receber uma ligação. Ao chegar no hotel, o ator deixa Julie lá e avisa que foi chamado por seu agente para ir ao escritório de um dos produtores de um filme ao qual recebeu proposta. Eles se despedem e o carro segue para a destinação enquanto Christopher observa a cidade pela janela.
Corta-se para as portas do escritório abrindo com a chegada de Christopher. Lá ele é recebido por seu agente e alguns produtores. Surpreso em ver algumas pessoas reunidas além das citadas na ligação, Christopher pergunta o motivo do chamado e os reunidos dizem querer convidá-lo para um grande filme que pode acarretar um belo reconhecimento ao ator, mas eles o informam que precisam de uma acordo no qual ele deve achar uma maneira de quebrar o contrato que Julie mencionou a Christopher enquanto andavam ainda na época das gravações. De acordo com as pessoas, Julie era muito desafiadora e possuía uma fama de incontrolável no set. Eles avisam que ele pode tentar convencê-la ou algo do tipo e dão um tempo para ele refletir sobre a situação. O protagonista sai irritado do local e, já fora do grande prédio, anda rapidamente pelas ruas enquanto milhares de pensamentos passam por sua cabeça.
Chegando no hotel Christopher entra em seu quarto (Julie possuía um quarto próprio. Embora juntos, eles evitavam falar do seu relacionamento por medo da pressão da mídia). Ele
observa o telefone, o pega e liga para sua avó. Eles dialogam quando ela diz que adoeceu e que mal sai do quarto após isso. Christopher diz estar preocupado e decide viajar para a ver depois de muito tempo. No dia seguinte ele avisa Julie sobre a viagem e Christopher relata que por um tempo não havia pensado na avó enquanto Julie evita falar mais sobre sua vida e família.
Corta-se para o aeroporto: O espectador acompanha Christopher entrando no avião, depois assistindo a cidade se afastando da janela e sua chegada no aeroporto da destinação. A câmera acompanha a saída do táxi de Christopher até sua entrada no pequeno asilo indo em direção ao quarto de Mary. Entrando no quarto, ele vê a senhora sentada numa poltrona observando a janela com algumas crianças brincando do lado da rua e a chama. Ela se vira e ambos se abraçam e começam a conversar. Num dos poucos momentos descontraídos, Christopher comenta sobre Julie e Mary sorri, mas com o desenrolar da conversa, o espectador pode reparar quão fria Mary se torna e quão distante dela Christopher se encontra. Mary procura algo em seu neto enquanto Christopher fala somente sobre quão difícil tem sido sua vida e então Mary pede para ele parar. Sem reação, ele escuta a avó comentar sobre sua fragilidade,isolamento e solidão em um momento muito emocional:
“Você não me liga há tanto tempo. Eu sei de sua vida corrida, mas eu também existo Chris! Eu ainda estou aqui! Eu perdi seu avô e sua mãe. Você é o que me resta. Nós passamos por tantas coisas juntos. Quando tudo aconteceu eu fui forte por você, mas as feridas são grandes demais. Por um tempo eu imaginei que você soubesse como é perder todos, mas agora não sei mais. Me diga o que eu tenho ainda, Christopher? Quando as pessoas me olham eles veem uma idosa doente e frágil… e eu sou muito mais do que isso. Seu avô era o único que me via como algo real, mas eu o perdi… e agora perdi você. Talvez eu até tenha algo para qual viver, mas meu tempo para achar esse motivo já acabou. Eu não queria muito, só um pouco de tempo, um tempo para me sentir viva. Não é algo que você entenderia!”
Mary se vira e continua observando a janela. Nós vemos a mão de Christopher tocar o ombro de Mary, mas revela-se ser uma pequena imaginação do neto que continua parado entre a porta a observando, ele se retira e o espectador fica assistindo a idosa sentada e emocionada.

IV

Christopher retorna ao aeroporto, pega o avião e senta-se na cadeira do meio. Acompanhamos sua chegada e seu caminho de volta para o hotel. Julie o encontra no saguão e ambos se abraçam: Ela diz ter saudades e ele responde dizendo que se foi por pouco tempo, mas que também sentiu falta dela. Christopher chegou em tempo para a premiere do filme. Eles ficam juntos mais uma vez e ao ficarem nús, eles brincam tirando algumas fotos com o celular e Christopher admira a beleza de Julie enquanto fotografa ela naquele estado de pureza. Julie emanava uma luz naquele momento como se fosse a pessoa mais encantadora do mundo. 

 O casal arruma-se em seus devidos quartos e encontra-se após estar pronto. Eles rumam em direção ao cinema central. O espectador vê uma montagem da chegada deles no tapete vermelho, sendo fotografados e vendo o filme já dentro da sala. Eles sorriem um para o outro e se dão as mãos lá dentro. Ao final do filme ouvem-se os aplausos e enquanto todos celebram no salão o sucesso, Julie e Christopher fogem pelos fundos e saem correndo felizes até pararem numa restaurante para comer.

Esperando uma pequena porção, Julie levanta-se e passeia pelo pequeno restaurante: Uma jukebox, uma cabine de fotos e vários cartazes enfeitam o local. Ela convida Christopher para entrar na cabine e ele aceita. A câmera não mostra a cabine, nem as fotos, ela somente fica mostrando o restaurante enquanto eles estão na cabine, mas é possível escutar as risadas. Eles saem e comem enquanto conversam. Vendo Julie feliz, o protagonista sorri, mas logo pergunta: “Você me escolheria?” e Julie, mesmo sem entender, responde que sim. Christopher olha a amante comer enquanto o espectador observa a mudança de olhar do ator. A câmera acompanha o rosto dele durante todo o momento.

Eles retornam ao hotel, tiram as roupas e deitam-se juntos. Julie dorme enquanto Christian a observa. Ele levanta-se, pega todas as roupas no chão e sai em rumo ao seu quarto, mas antes de deixar o quarto da colega ele a olha mais uma vez e, em uma montagem de segundos, vemos ele voltando e a abraçando deitada, mas é só mais uma ilusão do ator. Ele segue rumo ao quarto e observa o celular. O espectador vê ele mexendo em algumas coisas no aparelho até que ele se deita e o que era noite transforma-se em dia em um corte. 

O que vem em seguida é uma montagem rápida: Christopher levanta-se e arruma as coisas na mala. Ele deixa o hotel e vai em rumo à um novo local, pois queria distância de Julie. Agora já estava feito. Julie acorda com o som do celular tocando, ela desperta e alcança o telefone. Ela senta-se na cama e, enquanto de costas para a câmera, ela começa a falar com uma voz chorosa e espantada. Volta-se para Christopher que, deitado, recebe uma ligação de seu agente que o informa não saber até que ponto ele estava envolvido, mas que o feito funcionou e que o acordo estava firmado. Ele observa o teto do quarto e inquieto volta-se para a janela. O tempo passa e Christopher permanece no quarto.

 Ele teme olhar a TV ou mexer no celular, mas acaba recebendo uma ligação e a aceita sem ver o número mesmo com medo. Ao atender, ele descobre ser Mary do outro lado da linha. Eles conversam e a senhora foca no neto na esperança que isso a anime. Christopher conversa sobre o próximo filme que irá estrelar, Mary fala sobre o que aconteceu com Julie e pergunta a ele sobre isso. Ela diz não estar no mesmo hotel que ela e Mary questiona o motivo, mas Christopher trava e não sabe como responder. Mary nota e aos poucos compreende o que aconteceu. Ela diz adeus ao neto rispidamente e Christopher abaixa o celular devagar enquanto controla-se emocionalmente. O espectador assiste o protagonista imóvel fisicamente com apenas seus olhos se mexendo inquietantes e brevemente ele encara a câmera quebrando a quarta parede suavemente. Christopher olha para o celular novamente e o atira contra a parede até que irrita-se mais e corre em direção a ela machucando-se. Ele senta-se no chão e a cena termina em fade out. 

V

A câmera mostra mais um set sendo montado e passeia pelo local mostrando as pessoas e o cenário até que adentra um dos trailers próximos. Dentro dele vemos Christopher conversando com seu maquiador. Eles conversam sobre o novo filme ao qual ele vai estrelar cujas gravações vão começar. Após a conversa, Christopher se retira do trailer e começa a gravar suas cenas. Depois de breves momentos, ele agradece ao diretor e deixa o set para comer algo, mas encontra Julie próxima ao local. Ambos se cumprimentam e ficam se encarando por um tempo até que Julie se convida para comer com Christopher. Fica claro, através da maneira de Julie falar, que ela o estava esperando aparecer. Eles andam conversando até uma restaurante enquanto Christopher observa que Julie não emite mais a mesma luz de outrora, quase como se algo tivesse se apagado dentro dela. Ele sabe o que fez, mas não demonstra sentimento de culpa. 

Já dentro do restaurante, eles reparam que ele estava quase vazia – O lugar era imenso e muito rebuscado – Ambos Sentam-se e Christopher pede um pequeno lanche, mas Julie diz não estar com fome. Ela o observa e ambos não falam por algum tempo. Julie cria coragem e pergunta como estão as coisas no novo filme ao qual ele responde rapidamente e com poucas palavras. Julie repara o incômodo da situação, mas continua mesmo com Christopher distante. Após alguns comentários, Christopher revela que sua avó havia falecido recentemente. Julie se desculpa, fica tímida e pergunta se ele não a quer ali e ele responde que não tem problema. Ela começa a falar até que finalmente toca no assunto que tanto temem:

“As coisas andam complicadas, mas tenho conseguido lidar com tudo. Talvez eu consiga emplacar um novo filme ainda esse ano! Eu…. eu sei que foi você, mas eu entendo. Talvez eu tivesse feito o mesmo no seu lugar. Eu sabia que eles tinham algum problema comigo. De qualquer maneira, eu entendo o seu lado e te desculpo. Eu te desejo tudo de bom e que você fique bem. Eu realmente fico feliz em acompanhar você crescer na vida… eu só queria que você tivesse me escolhido para fazer parte dela.”

Julie levanta-se e se despede de Christopher. Ele imagina-se indo atrás dela e a abraçando, mas não realiza o feito. Ele continua sentado olhando ao redor e começa a olhar pelas janelas do lugar por algo. Depois da saída de Julie, a porta do restaurante abria-se de vez em quando e Christopher a observava toda vez que ouvia o som. O espectador acompanha Christopher observando a janela e virando-se ao som da porta por um tempo, mas ele logo desiste e termina a comida. Ele chama a jovem garçonete e, após receber a conta, separa o dinheiro e uma pequena gorjeta para a moça. Ele olha pela janela uma última vez, levanta-se e após ouvir o barulho da porta novamente ele vira-se numa tentativa final. O filme corta e termina.


Oscar Tapes

Reeve Carney: É um trabalho de desenvolvimento de personagem focado na queda moral do protagonista. Para simbolizar essa mudança, escolho a cena da ligação entre avó e neto após o que ocorreu com Julie.

Margot Robbie: O último encontro de Julie e Christopher no restaurante quando ela fala sobre tudo o que aconteceu e como se sente.

Julie Andrews: O monólogo sobre sua solidão e invalidez que sente nos seus últimos anos de sua vida. 


Trilha Sonora

O filme não possui trilha, pois, por medo de prejudicá-lo, foi escolhido não criá-la.


Fotografia

Figurino


Notícias e Imagens

Confira todas as notícias da temporada e imagens de campanha nas revistas Visions e That’s Gossip.


Prêmios

Total de 4 prêmios e 13 indicações. Clique aqui para ver todos os prêmios da 4ª temporada.

4º Festival de Cannes
  • Prêmio de Atuação Masculina, Reeve Carney (venceu)
4º Festival de Toronto
  • People’s Choice Awards (3º lugar)
4º Globo de Ouro
  • Filme de Drama (indicado)
  • Atriz Coadjuvante, Julie Andrews (indicada)
4º Screen Actors Guild Awards (SAG)
  • Atriz Coadjuvante, Julie Andrews (venceu)
4º BAFTA
  • Figurino, Mary Zophres (indicada)
4º Oscar
  • Atriz Coadjuvante, Julie Andrews (venceu)
  • Filme (indicado)
  • Ator, Reeve Carney (indicado)
Premiações da Crítica
  • Atriz Coadjuvante, Julie Andrews (1 prêmio, 1 vice)
  • Ator, Reeve Carney (2 vices)

Críticas do Júri

88

San City Film Critics Association
James Gray convém de maneira muito simples uma história sobre como nossas ações e as consequências destas afetam nossas vidas. O filme tem vários momentos marcantes que nos fazem refletir sobre o que poderia ser e não foi, assim como na vida real. Brilhante trabalho do diretor e do elenco, com destaque pra Julie Andrews e sua performance emocionante.

86

Cinema Contestado – União Catarinense de Críticos de Cinema
Hollywood Ending aborda com cuidado a temática do distanciamento interpessoal através da mudança subjetiva de seu protagonista. Outros temas surgem paralelos: ambição, arrogância, isolamento, envelhecimento, abandono, traíção profissional, entre outros. A obra consegue equilibrar os diferentes dramas de seus personagens, optando por não centralizar-se em um específico. Tudo isso é conduzido pelas escolhas (ou ausência de escolha) do protagonista. O espectador é conduzido por Christopher, acompanhando a lamentável transformação interior do personagem. O filme consegue destacar bem as três fases desse desenvolvimento: ambição, soberba e arrependimento. Contudo, o arco do personagem parece dar saltos bruscos entre um e outro. Christopher começa a narrativa como alguém que atrai a empatia do público, mas se transforma muito repentinamente em um sujeito reprovável. Outro exemplo é a cena do quarto de hotel, que representaria a redenção de Christopher e seu desejo de mudança; mas quando lhe é apresentado a chance de mudar – durante o encontro com Julie no restaurante, na cena final – ele não age, optando por esperar passivamente que outros ajam por ele. Isso coloca em dúvida a reparação do protagonista. Em análise, o filme apresenta uma narrativa intrigante e dramas complexos que atraem o interesse do público. O tom melancólico é bem dosado, balanceado com cenas alegres entre Christopher e Julie. Mesmo as cenas clichês de romance tem seu lugar na trama. O recurso de saturação das cores e luzes para simbolizar o momento dramático dos personagens pode desagradar alguns críticos de arte mais ortodoxos, mas não é algo que prejudique a produção. O calcanhar que Aquiles da obra é apenas a ambiguidade do arco narrativo de Christopher, conforme mencionado.

81

Rubens Ewald Son Film Critics Association
Um homem se apaixona por uma mulher mas a vida o leva a decidir entre carreira e amor. Uma fórmula já explorada em diversos filmes hollywoodianos é trazida com novos ares por James Gray em Hollywood Ending. Neste filme, o jovem Christopher se mostra de início como um potencial mocinho com sua ambição pelo sucesso e relação afetuosa com a avó e com a atriz experiente. Porém após seu encontro com executivos de Hollywood, temos o conflito que dá início a decadência moral de seu protagonista.
Ao longo da história, Gray vai eliminando qualquer resquício do trope do jovem humilde que tivemos contato no início do filme e faz isso pois não nos foi prometido uma moral intacta do personagem, apenas a ilusão dela, bem representada pela montagem e desmontagem do estúdio. A partir daí, Christopher se torna o serial killer de suas próprias virtudes.
Na cena do asilo, temos o confrontamento de uma brilhante Julie Andrews – em um papel diferente do que estamos acostumados a vê-la – e a falta de reação do protagonista que faz sua relação com a avó cada vez mais fria e distante. Andrews entrega um monólogo emocionante digno de ser lembrado nas premiações que sintetiza tudo com o que Christopher está rompendo na família.
Depois disso, temos a soberba de Christopher e rompimento com mais um dos elos que o humanizava, Julie. Margot está encantadora no papel e rouba a cena em diversos momentos como se sugasse a vitalidade do personagem de Reeve, enquanto vemos seu declínio moral.
Nesses dois momentos, Gray trabalha com cenas do que poderia ser e não foi deixando bem claro os efeitos das escolhas tomadas pelo seu protagonista na vida de outras pessoas. No último ato, vemos a consequência desses atos para o próprio Christopher e é criada uma espécie de atmosfera de redenção do personagem que logo responde apaticamente ao perdão de Julie e quebra com qualquer possibilidade de arrependimento do mesmo. É como se apenas ele esperasse sua redenção, seu final feliz de Hollywood.
Gray consegue trabalhar toda a história de corrupção de Christopher e quase todos os elementos cinematográficos ajudam, porém existem alguns detalhes que não colaboram para isso. Reeve Carney, por mais que crie esse desgosto intencional no expectador pelo personagem, não consegue entregar uma atuação que externe seus conflitos internos sem a ajuda dos recursos visuais de Gray, se tornando mais uma marionete do diretor do que um protagonista pede. Quanto à outros elementos, uma trilha fez falta em muitas cenas para haver uma alusão mais contundente à quebra com as raízes melodramáticas que vemos na película.
Ao final, Hollywood Ending consegue entregar uma qualidade já esperada de Gray e um domínio da arte de fazer cinema que se faz totalmente visível na tela.

79

Rio Film Critics Circle
Em Hollywood Ending, James Gray entrega um singelo trabalho sobre a realidade e como o amor funciona nesta. O filme encontra delicadezas nas cenas entre Reeve e Margot – onde a atriz se destaca – e constroem a conexão e até mesmo carisma que faltam em Reeve durante a primeira parte do filme. Julie Andrews entrega mais um trabalho excepcional em sua carreira. Apesar de alguns tropeços, o filme, por fim, consegue entregar uma melancólico história.

77

Associación de Críticos de Cine Pastuzo
Diz-se que uma boa poesia precisa ser, ao mesmo tempo, específica e universal. Mostrar um universo original e criativo e, ao mesmo tempo, gerar identificação a qualquer pessoa que a leia. Assim é “Hollywood Ending”, uma poesia amarga, que te põe na boca, mastiga vagarosamente, e depois cospe os restos na calçada. Mas os fins justificam os meios e, estranhamente, a mensagem que o filme transmite é de uma esperança inusitada. Christopher (Reeve Carney) é como o alter-ego que qualquer um de nós pode se tornar caso faça as escolhas mais egoístas possíveis – e sua solidão só é tão provocativa porque conversa com a face gananciosa de cada telespectador. Depois de “Ad Astra” (2019), o diretor James Gray finca nossos pés no chão com seu novo longa, que é um duro lembrete de como a máxima “”persiga seus sonhos!”” pode ser cruel. O ponto fraco de Hollywood Ending é denunciado em seu próprio título: a escolha por se passar no mundo do cinema faz o filme parecer uma versão pessimista de “La La Land”, (2016). Talvez sem as tentativas, já um pouco cansativas, de explorar a metalinguagem os dilemas e angústias tão realistas conseguissem se concretizar com mais profundidade. A ousada decisão de abrir mão da trilha sonora é tão incômoda quanto acertada, já que os silêncios obrigam quem assiste a se colocar na narrativa. Julie Andrews está fantástica. E são os detalhes da direção de Gray que te fazem perceber: viver, e valorizar essa única vida, pode ser tão simples quanto ligar para sua avó — ou estender a mão para o maquiador que tropeçou na escada.

76

Oz Film Critics Society
O protagonista apático torna um pouco difícil a imersão na história, mas o charme de Margot Robbie e a presença de Julie Andrews trazem frescor e imponência para as cenas em que elas aparecem. O filme perde a oportunidade de ser mais direto e abordar questões muito pertinentes que estão lá, porém cheias de nebulosidade.

74

Deep Sea Film Critics Society
Hollywood Ending é um filme curioso, bem executado, que não comete grandes erros, mas que também dificilmente vai à todos os lugares a que poderia ir.
As escolhas de visual são provavelmente as mais interessantes, principalmente considerando a presença Mary Zonphres, que confere ao filme seus nuances mais brilhantes: indo das cores apagadas do inicio, até a força dos figurinos ao final, Zonphres demonstra o colorido artificial hollywoodiano, que esconde sob uma alegria sintética todas as consequências da busca pelo sucesso. Uma vida cinza não se torna verdadeiramente mais alegre: apenas toma a aparência de ser.
O elenco é a outra grande pérola. Christopher é um personagem apático, frio, e a escolha de Reeve Carney para o papel é acertada, de forma que a passividade do personagem acha alguém que saiba expressá-la sem que ela perca seus nuances. Carney dá a ele a impressão de ser levado pelo contexto em que se insere, ao invés de alguém que ativamente trabalhar a seu favor. A doçura de Andrews adiciona profundidade ao ressentimento da avó, dando força ao personagem; e talvez a maior supresa do longa seja Margot Robbie, que transforma uma personagem simples e possivelmente problemática em uma visão da naturalização de um mundo doente. Robbie sabe transformar as pequenas dicas do roteiro em grandes momentos de força dramática, injetando subtexto que provavelmente não estava lá desde o início.
Aos que não se sentem confortáveis com a trama melodramática clássica, as escolhas de direção dão um alento. Os cortes entre os momentos da imaginação de Christopher são bruscos, e a montagem os integra à história como a visão de uma estrada não tomada. Não temos só um grande clímax, nas escolhas de Christopher, mas vários deles: todas as pequenas decisões que constroem sua última.
A cena final fecha muito bem a narrativa, e cria uma moldura que dá ao filme um ar de cotidiano. Traições e grandes falhas de caráter: nada de novo sob o céu escaldante de Los Angeles.
Apesar de algumas falhas no roteiro (mudanças bruscas na caracterização dos personagens, sem tanta relação causal; o ‘trato com o diabo’ com os produtores que é extremamente mal explicado), nenhuma dessas falhas é a verdadeira razão pela qual o filme não se destaca mais.
O que falta é, talvez ironicamente, um grande momento. O pior crime de Hollywood Ending é ser básico: extremamente competente, mas provavelmente esquecível.

73

Saint Catherine Film Critics Society
Creio que o principal problema de Hollywood Ending esteja centrado na falta de personalidade do personagem principal, visto que o filme se mostra através dele e por isso adota um tom mais apático do que necessário. A relação com a avó poderia ter sido mais explorada na intenção de que por ela Christopher conseguiria externalizar seus pensamentos e não ficar tanto na subjetividade, Julie Andrews acaba roubando a cena quando fala tão bem sobre questões como abandono e solidão. Margot se destaca quando em tela, mas não chega a mostrar todo seu potencial.No mais é um bom filme para retratar egoísmo, mas fica apenas nisso.

70

Gotham City Film Critics Secret Society
Assim como os personagens, o filme tem seus tropeços, principalmente quando se trata do protagonista masculino, que as vezes se assemelha a um adolescente, mas o filme tem seus momentos com suas estrelas femininas, em especial, Julie Andrews, que entrega ótimas cenas e consegue emocionar abordando temas como abandono e envelhecimento. Margot também tem seus pontos altos e consegue segurar o filme quando preciso. Num geral, James Gray faz um bom trabalho.

70

Joseph Wilker Film Critics Association
Em Hollywood Ending, Margot Robbie mostra que não é apenas uma atriz de filme de heróis e vilões. O plot se trata sobre um drama nos relacionamentos, a escolha entre um amor romântico e amor de família. O figurino é agradável aos olhos, porém a história acaba não prendendo o telespectador. A temática parece interessante mas o desenvolvimento deixou a desejar.


Comentários do Público

10

Sushi
Miau perfeito miau

9

Supla de Sunga
Um conto extremamente agridoce sobre as armadilhas da fama, com um trio impecável de protagonistas e condução segura de James Gray.

9

Trabalhadora Chinesa Explorada pela Constância Productions
James Gray caga mole na boca do Damien Chazelle!

7

boulos50
começa bem mas termina sem muita inventividade

7

coelhinha_16
Ao trazer uma individualização da hipocrisia hollywoodiana pautada na briga de egos e no poderio masculino, Hollywood Ending é uma crônica bastante razoável e executada de forma mediana. A narrativa do filme é carregada nas costas por Margot Robbie que está fenomenal em uma personagem com algumas falhas em seu desenvolvimento. Reeve Carney está, como de costume, um gostoso, mas seu personagem é volúvel demais e sem tanta profundidade. O filme traz consigo reflexões interessantes mas não passa disso: interessante.

4,5

União de Críticos do Interior de São Paulo
Eu não consigo me livrar a sensação de ter visto esse filme outra vezes. A atuação de Margot Robbie está no ponto, mas a falta de atenção ao desenvolvimento de sua personagem acaba me incomodando. Julie Andrews poderia ter sido melhor explorada. Gosto muito da escolha de não ter uma trilha sonora no filme, entretanto a falta de carisma do protagonista faz com que essa escolha não funcione tão bem. Creio que o filme funcionaria melhor se ele não se levasse tão a sério, em alguns momentos ele soa como um sonho, talvez se essa direção tivesse sido tomada o resultado poderia ter sido bem mais interessante. A tentativa de criar uma narrativa que é um comentário sobre a frivolidade de Hollywood e como isso afeta a vida de pessoas que estão ali se arriscando precisava de uma roupagem nova para funcionar, infelizmente a que foi escolhida não das melhores.

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora