Education (2020)

de Yorgos Lanthimos
produzido por Júlia Fraga
com Glenn Close e Ben Whishaw
9 de outubro de 2020 (4º Festival de Cannes)
🇬🇧 Reino Unido

Comédia / Drama / Suspense
Sinopse: Education é um conto de humor sombrio e absurdo sobre o sistema de ensino. Somos apresentados ao surreal Internato Vis, sob a ótica de um Candidato (Ben Whishaw) a vaga de professor. Nessa escola, o que se faz é desconstruir absolutamente tudo até mesmo a linguagem e, com o pulso firme de sua Diretora (Glenn Close) as crianças e os jovens desse internato beiram a bestialidade a fim de se formarem como pessoas de sucesso.

Vencedor de 3 prêmios, incluindo o Grand Prix em Cannes. Parte da Criterion Collection.


Consenso da Crítica: A estranheza e a gelidez podem afastar alguns espectadores, mas “Education” é uma crítica implacável (e quase sempre divertida) ao sistema de ensino do mundo ocidental — e, de quebra, traz uma das trilhas sonoras mais inventivas dos últimos tempos.

Média da crítica

78

Média do público

8.2

Tomatômetro

100%

Pipocômetro

98%

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Ficha Técnica

Direção: Yorgos Lanthimos
Roteiro: Yorgos Lanthimos
Produção: Júlia Fraga
Fotografia: Thimios Bakatakis
Música: Mica Levi
Figurinos: Milena Canonero
Distribuição: Element Pictures
Plataforma: Catflix

Elenco

Glenn Close como Diretora
Ben Whishaw como Candidato
Roman Griffin Davis como Jovem Garoto
Aidan Gallagher como Garoto Mais Velho


Proposta Estética

Education é um conto de humor sombrio e absurdo sobre o sistema de ensino. A obra pretende críticas ao universalismo das metodologias pedagógicas e a meritocracia que se entranha nas bases da educação. Mantendo seu estilo, o diretor retoma as características mais marcantes de suas realizações passadas, como as atuações palpavelmente desconfortáveis e “endurecidas” que chegam a dar um tom cômico às cenas. Para o roteiro, Yorgos se embasa na teorias desconstrutivistas de Derrida* e subverte noções vygotskianas sobre a aquisição da linguagem**, focando-se na possibilidade de “desaprender” a linguagem e por consequência do pensamento, o cerne da humanidade.

A fotografia fica a cargo do parceiro de longa data do diretor, Thimios Bakatakis, que abusa dos planos abertos e de mecanismos estáticos para demonstrar a vastidão do ambiente caracterizando a solidão e a esterilidade psicológica que habita a instituição. O monocromático do meio é contrastado pelo figurino assinado por Milena Canonero, que convém a força dos personagens nos cortes retos e elegantes com cores básicas ou em preto e branco. 

Education pode ser uma jornada incômoda e gélida, mas certamente é tudo calculado.


Narrativa

O Jovem Garoto (Roman Griffin Davis) olha entediado pela janela enquanto sua mãe dirige pela esbranquiçada e gélida estrada pintada pela nevasca recente. Ele não sabe para onde vão com todas aquelas malas até que sua mãe, cujo rosto não se vê, começa a falar: ele está sendo levado para um internato de grande renome, o Internato Vis, distante de seus amigos e de sua família a fim de se preparar por anos em uma instituição que formou grandes nomes como Elon Musk e… Ele para de ouvir¹ enquanto esbraveja e se bate contra o assento. Aos berros, ela aumenta o som para silenciá-lo. O jovem garoto para e olha para sua mãe, abre a porta e se joga do carro. 

II

O Candidato (Ben Whishaw), nervoso, mexe com a perna ao esperar ser recebido para sua entrevista. Ele observa a elegante sala branca milimetricamente arrumada com móveis desconfortáveis. Ele ajeita sua roupa e a porta que o esperava abre. A Diretora (Glenn Close) aparece e de uma forma amigável o chama para entrar em sua sala. Nem a expressão ou a postura da Diretora mudam, seus passos e seu semblante são elegantes e duros enquanto ela o diz para sentar e se dirige para sua cadeira. Apesar da dureza, sua afabilidade parece até ser verdadeira. 

Frente a frente, o Candidato é questionado sobre sua formação e experiências de trabalho. Ele diz ter se formado e se especializado em instituições de respeito e que sua experiência era vasta com alunos de todas as idades. A Diretora pergunta o que o fez deixar seu antigo cargo e ele, hesitante, responde que achavam seus métodos pouco tradicionais. A Diretora sorri e pergunta se ele conhece o Internato Vis. Ele acena positivamente e ela continua, dizendo que eles irão assistir alguns vídeos sobre a história da instituição e os métodos. Ela liga uma grande TV e os dois assistem, com sorrisos educados, uma gravação, quase como uma propaganda com estética de folhetinhos sobre o paraíso das testemunhas de jeová. Nesse vídeo A Diretora explica que o viés da escola reconhece a importância de se deixar tudo do mundo exterior para fora e construir tudo do zero, como se as crianças fossem pequenas tábulas rasas. Ao mesmo tempo que o vídeo passa, a Diretora repete silenciosamente e orgulhosamente as frases que ela fala na gravação, como se ela tivesse feito isso milhares de vezes. 

Ao fim da exibição, Ela diz que os candidatos a professores do Internato Vis passam por um pequeno período probatório para se ambientarem com os métodos e com o ambiente. A Diretora o convida para uma visita guiada pelas instalações do internato.

III 

Os dois passam por corredores brancos que parecem ser intermináveis que ligam as alas com turmas de diferentes idades. Enquanto andam, A Diretora discorre sobre os preceitos da escola: “Nas primeiras séries, iniciamos o que poderíamos chamar de Focalização! Focamos nas estruturas e regras, tanto da linguagem quanto do comportamento. Ah, a tenra idade!”. Eles param frente a uma grande janela de vidro que mostra uma sala com crianças entre 3 e 5 anos alinhadas em fileiras e, sincronamente, respondendo uma professora que aponta as letras no quadro. Pressionado pelo grande sorriso da Diretora, o Candidato também sorri.

“Nas séries fundamentais temos que desestruturar tudo que estruturamos… Venha, eu vou te mostrar”. Por um longo e silencioso caminho os dois chegam em uma área em que existem pequenas salas com crianças de 6 a 8 anos, sentadas com óculos de realidade aumentada e grandes fones de ouvido. O Candidato pergunta o que eles veem e ouvem e a Diretora diz que é um mistério que ele só descobrirá quando contratado, aos risinhos. Eles se distanciam e a perambulamos sozinhos pelo corredor onde existem pequenas cabines com alunos vendados, ouvimos o que eles ouvem²: uma repetição de palavras incessante. 

“Nas séries mais avançadas nós temos diversas atividades que buscam a destruição de conceitos pré-definidos”, a Diretora continua enquanto observam uma sala de botânica, com crianças silenciosamente podando samambaias. Vemos O Jovem Garoto na sua atividade até que ele encontra o olhar do Candidato e, em um impulso, enfia a ponta da tesoura em sua própria mão³. A Diretora e o Candidato olham a professora correr para contê-lo e o retira da sala, passando perto dos dois. O garoto mantém um semblante de fúria e, ao encontrar a proximidade com a diretora, esfrega sua mão no imaculado terno branco que ela veste. 

Ela diz que a violência faz parte do processo, diz que vai se limpar e pede que o Candidato fique a vontade para andar pela escola. 

IV 

O Candidato perambula e percebe o silêncio do internato. Ele observa o refeitório com crianças e jovens dispostas distantemente, com as bandejas com um copo de água e pão. Elas se movimentam quase que sincronamente. Ele olha assustado. Somos levados para um “passeio” a frente do que o Candidato vê, indo para a área aberta da escola. Lá, podemos ver, em um plano que corta as cabeças e foca-se nos troncos e pernas, jovens se exercitando de forma rítmica e silenciosa, o que se ouve é o que sai do rádio portátil do professor. Um jovem cai e conseguimos perceber seu rosto de dor. O Garoto Mais Velho (Aidan Gallagher) se debate no chão e parece sair de um torpor. Acompanhamos seus movimentos e ele grita enquanto corre por entre seus colegas petrificados e com olhos perdidos. O Candidato enfim chega a cena correndo. O Garoto Mais Velho grita e vai na direção do Candidato, suplica silenciosamente com os olhos e é atingido na nuca pelo rádio do professor. Em silêncio, o professor reboca o aluno para fora da área gramada e o leva para dentro. 

A Diretora chega com um novo terno, dessa vez vermelho, e se desculpa. O Candidato está horrorizado e pergunta que tipo de tratamento era aquele. A Diretora então sorri, com um olhar triste e diz que o achava um candidato promissor. Vemos a mão da diretora enfiando uma seringa no pescoço do Candidato e ele cai. 

“Você nem nos deu a chance de te mostrar as outras atividades!” A Diretora diz, no canto de um quarto em que o candidato jaz preso a uma cama. Com um óculos na ponta do nariz, a diretora avalia algumas anotações e discorre sobre o que está por vir: Como o Candidato não se mostrou apto para as turmas já de cara ao se assustar com o tratamento de uma criança que saía do padrão, ele terá que ser levado a sala da série final da escola. Tudo aquilo era um processo simples: primeiro aprende-se todas as regras possíveis, depois exaustivamente esvazia-se essas estruturas ao expor os alunos repetidamente a elas e, por fim, a linguagem e até mesmo os conceitos morais são esquecidos para que novos sejam criados. É como um renascimento da humanidade, tira-se tudo para colocar novas coisas no lugar. Ao mesmo tempo que ela discorre sobre o viés desconstrutivista da escola, passeamos pelas salas das séries mais avançadas.

Em uma sala escura, as crianças são expostas a músicas altíssimas e gritam ininterruptamente. Em outra sala, só que branca e acolchoada, as crianças se batem e debatem nas paredes e no chão, como um pingue-pongue corporal. Mas essas salas eram para as crianças modelo, as que se deixavam desconstruir por meio da linguagem; aquelas crianças que se desviavam um pouco…  eram levadas à desconstrução através da violência. A Diretora deixa as suas anotações de lado e se levanta, explicando para o homem: “A violência, quando tomada como uma espécie de salto esperançoso, justifica a sua utilização! Crianças que respondem violentamente ao esvaziamento da linguagem precisam se esvaziar de sua força, de sua resistência… Não, não… Não agredimos as crianças ou as torturamos, nós somente as colocamos em situações extremas para que elas reajam… É lindo, é natural!”

VI 

Em um ambiente com grandes mesas em aço inox, crianças com olhares assustados se dispõem em frente de ferramentas médicas. Reconhecemos O Jovem Garoto e o Garoto Mais Velho, que se olham fixamente no mesmo momento em que uma professora traz uma grande caixa tampada para a frente da sala. Ela retira o pano e sorri, seu semblante jovem e delicado é contrastado pelo olhar gélido enquanto entrega a cada criança um filhote de cachorro. Ela instrui que cada criança deverá adotar esse cãozinho a sua frente, mas antes, eles devem customizá-lo para que saibam qual cão é o seu, já que todos são iguais e não devem ter nomes. Enquanto fala, ela não percebe que O Jovem Garoto e o Garoto Mais Velho se comunicam com olhares e piscadelas mesmo que eles já tenham perdido parte da compreensão linguística devido ao histórico no internato. Eles se olham com convicção e, quando a professora fica perto o suficiente, eles a atacam coordenadamente deixando-a desacordada. 

Os dois correm sorridentes, dando rosnados eventuais, pelos corredores e deixam as outras crianças boquiabertas para trás.  

VII 

A sirene nos atinge e seu volume é diminuído pela Ópera 35 de Richard Strauss. Os altos e baixos do instrumental guiam as próximas ações da cena. 

Os garotos passam correndo por várias portas fechadas e A Diretora rigidamente aponta de uma delas. Podemos ver o Candidato amarrado ao fundo, se movimentando curiosamente para ver o ocorrido. Conforme O Jovem Garoto e O Garoto Mais Velho desbravam as instalações da escola, seus movimentos se tornam mais graciosos e suas vocalizações mais humanas, risadas e até mesmo pequenas palavras enchem o ar. 

Ao ver aquela cena, a Diretora fecha a porta atrás de si e brada palavras desconexas. Os garotos prontamente se emudecem e endurecem, e se voltam para a mulher. As palavras saídas da boca da Diretora se tornam mais e mais desconexas, em vocalizações quase inumanas. Esses sons atraem os garotos e eles ficam parados com olhares melancólicos até que funcionários da escola cheguem ao local. 

Epílogo 

O Candidato, ainda preso e com sinais de passagem de tempo (olheiras visíveis e barba a fazer), é conduzido em um carrinho em que se mantinha reto verticalmente, ao lado da Diretora. Ela cantarola e diz que as matrículas não param de aumentar. Ela diz que gosta muito do Candidato e acha que ele pode até ser contratado, se conseguir sobreviver a última etapa da seleção. 

O que se abre na tela é uma porta com ares macabros. Os grandes ferrolhos fazem barulho e o arrastar do metal é estridente. Vemos um interior escurecido, úmido e com aspecto de mau-cheiroso. Crianças e adultos entocam-se pelos cantos do ambiente, entretidos em diversas atividades alternativas, como arranhando as paredes, coletando musgos ou se dependurando nos lustres. A Diretora olha para o Candidato e deseja sorte. 

Rolam os créditos ao som de Another Brick in The Wall — Farinei Dla Brigna.

*A Desconstrução de Derrida: a desconstrução não quer dizer a destruição, mas sim desmontagem, decomposição dos elementos. Para ele, “a linguagem se cria e cria mundos’ e, por isso, perigosamente chacoalha o conceito linguístico da nomenclatura da realidade (o que veio primeiro a realidade ou a palavra? Até que ponto a palavra molda nossa compreensão do mundo? E o mundo, como ele molda nossa língua?). Isso quer dizer que os textos corrompem os significados tradicionais das coisas, criam novos contextos e permitem novas leituras, em um processo contínuo e vertiginoso de pequenas criações de universos próprios (cada um que lê cria seu próprio). A desconstrução, resumidamente, é a interrogação entre o real e o escrito, além da possibilidade de unificação (ou ruptura) do real traduzido em texto.

**Vygotsky e a Aquisição da Linguagem — e por consequência o desenvolvimento do pensamento e a moldagem da realidade: para o pensador, a linguagem é adquirida por meio da exposição a estímulos linguísticos e, com isso, a criança aprende a nomear a realidade. No filme, o que se pega é a ideia de progressão só que o contrário: como seria possível desaprender a linguagem?


Oscar Tapes

Ben Whishaw: Momento da entrevista em que se sente pressionado pela aura altiva da Diretora.

Glenn Close: Cena que se transiciona entre a propaganda da escola e o momento em que a Diretora repete as palavras silenciosamente, de forma orgulhosa.

Roman Griffin Davis: Cena inicial em que, aos gritos, tenta apagar a realidade de que está sendo levado pela mão para o Internato.

Aidan Gallagher: Cena em que dança até cair e, de alguma forma, recobra seus sentidos e corre pra lá e pra cá.


Trilha Sonora

Revolution 9 — The Beatles (a partir dos 0’21”)
Qual música seria melhor para acompanhar uma cena que mimetiza o desespero de uma criança do que a pior música dos Beatles? A desconexão dos versos, os sons estridentes e as repetições já começam a set the mood para aquilo que está por vir.

Me uno me douno — Steve Waring et le Marvelous band
Steve Waring era um músico folk norte-americano que largou tudo e foi ensinar violão na França, lá nos anos 60. Ele resolveu então começar a compor músicas infantis e se tornou um dos maiores nomes da música infantil experimental no país. Suas músicas brincam com a vocalização e com sons orgânicos, além de contarem histórias ou trazerem valores interessantes para a tenra idade. Crianças também merecem músicas mais complexas que Baby Shark!!! Por conta de seu talento multifacetado e esse olhar sensível para a infância ele não entra só uma vez na trilha de Education como entra duas vezes, parabéns meu caro! Essa música em específico foi usada diegeticamente por trazer essa repetição para o esvaziamento de sentido (sabe quando você repete tanto a palavra que ela vira um nada? então). Não tenho ideia de qual idioma ela é, se é francês por favor francófonos traduzam para mim, mas o importante é que ela traz esse sentimento maçante, repetitivo e quase como algo presente em uma sessão de lavagem cerebral.

Concertino — Igor Stravinsky
Tensão, olhares endurecidos, ataques violentos para a libertação e esquisitice são o sinônimo dessa faixa que acompanha a cena do corte na mãozinha do Jovem Garoto.

Conseils aux enfants sages — Cristine Combe
A outra de Steve! Essa é uma música que se apresenta pelo radinho do professor de educação física do internato (quem nunca teve um professor que carregava seu famoso microsystem pra lá e pra cá?). Ela é esquisita e estaria claramente na playlist de academia da Miss Trunchbull de Matilda (1996).

Duetto buffo di due gatti — Rossini
Gente, é uma ópera de miados! Apenas miados, miau. Existe algum tipo de música que poderia se encaixar melhor em um filme que fala sobre o esvaziamento da linguagem humana como forma de aprendizado do que uma que traz miados? Ela mantém a estética de Yorgos de utilização de músicas clássicas e pincela o bizarro presente na ideologia do filme. 

String Quartet No. 7 in F-sharp minor, Op. 108 — Dmitri Shostakovich
Presente na cena em que os Garotos se olham e se entendem de forma “não natural” pelos preceitos da escola e, de certa forma, se conectam e planejam a caça a liberdade, as notas rápidas e cheias de inquietação acompanham a troca de olhares e o desenrolar do plano de alto risco dos dois, que querem quebrar com a instituição por se recusarem a ser “desconstruídos”.

Don Quixote, op. 35 — Richard Strauss
A Variação 2 e 4 acompanham a fuga dos meninos, que ao mesmo tempo é libertadora e assustadora por eles estarem ativamente desafiando uma instituição rígida que manipula a existência humana. É um caminho esperançoso, sombrio e cheio de erros, mas é o momento deles. Mesmo que a fuga tenha sido falha, é uma chama de esperança. 

Another Brick in The Wall, Ehi Cicu — Farinei dla Brigna
Que idioma é este? Será que é de fato uma versão de Pink Floyd? São muitas perguntas das quais não tenho resposta porque essa foi a versão mais sombria que já ouvi na minha vida. E se encaixa perfeitamente nos créditos.


Fotografia

Figurino

O filme não enviou material para a prova de figurino.


Notícias e Imagens

Confira todas as notícias da temporada e imagens de campanha nas revistas Visions e That’s Gossip.


Prêmios

Total de 3 prêmios e 28 indicações. Clique aqui para ver todos os prêmios da 4ª temporada.

4º Festival de Cannes
  • Grand Prix (venceu)
1º MTV Movie Awards
  • Atuação, Glenn Close (indicada)
  • Atuação Cômica, Glenn Close (indicada)
  • Atuação Aterrorizada, Roman Griffin Davis (indicado)
  • Vilã ou Vilão, Glenn Close (indicada)
  • Momento Musical, a ópera de miados (indicada)
  • Momento que Poderia ser Meme: o professor de educação física jogando um CD player no aluno (indicado)
4º Globo de Ouro
  • Filme de Comédia ou Musical (indicado)
  • Atriz de Comédia ou Musical, Glenn Close (indicada)
  • Ator de Comédia ou Musical, Ben Whishaw (indicado)
  • Ator Coadjuvante, Roman Griffin Davis (indicado)
  • Trilha Sonora, Mica Levi (indicada)
4º Screen Actors Guild Awards (SAG)
  • Atriz, Glenn Close (indicada)
  • Ator, Ben Whishaw (indicado)
  • Elenco de Dublês (indicado)
4º BAFTA
  • Atriz, Glenn Close (indicada)
  • Ator Coadjuvante, Roman Griffin Davis (indicado)
4º Oscar
  • Trilha Sonora Composta para Cinema, Mica Levi (venceu)
  • Filme (indicado)
  • Atriz, Glenn Close (indicada)
  • Roteiro, Yorgos Lanthimos (indicado)
Premiações da Crítica
  • Ator, Ben Whishaw (1 prêmio)
  • Direção, Yorgos Lanthimos (1 vice)
  • Atriz, Glenn Close (2 vices)
  • Ator Coadjuvante, Roman Griffin Davis (3 vices)
Temporadas Posteriores

Nota: prêmios e indicações recebidos em temporadas posteriores não são contabilizados no ranking da temporada de lançamento do filme.

1º Festival do Rio
  • Seleção Oficial

Críticas do Júri

95

Joseph Wilker Film Critics Association
Education traz uma crítica a alguns aspectos do sistema de ensino. Glenn Close provavelmente será indica ao Oscar por sua atuação, sustentou o filme interpretando a rígida diretora. Yorgos Lanthimos mais uma vez nos faz refletir sobre as relações neste filme.

88

Cinema Contestado – União Catarinense de Críticos de Cinema
Mais do que uma obra cinematográfica, Education assume o propósito de um tratado acadêmico e uma reflexão pedagógica. Percebemos um evidente intento por parte da equipe de produção em ilustrar conceitos e defender um ponto de vista. Para além dessa proposta, Education também não teme em abordar cenas chocantes e desconfortáveis. As demonstrações violência (física e psicológica) se encaixam no projeto.
A trama, contudo, peca pelo excesso, isto é, pelo excesso de informação e descrição. Foca-se muito em apresentar o mundo e funcionamento do internato, suas salas, seus métodos de ensino. Ao fazer isso, perde-se a oportunidade de aprofundar os personagens e sua subjetividade. A Diretora parece fria, o Candidato parece perdido, e os garotos parecem apenas reativos. Há pouco arco neles, pouco desenvolvimento de seus conflitos e pensamentos. Pode ser parte da experiência do filme, mostrar personagens tão pálidos quanto o internato. Porém, se for o caso, faltou deixar explícito ao espectador essa intenção.

82

San City Film Critics Association
Yorgos ousa mais uma vez, trazendo em Education um pouco do que já vimos nos seus outros filmes, desta vez mostrando como seria se a humanidade descontruisse tudo que aprendemos desde criança, perdendo nossos traços de civilização e construções sociais. Um filme interessante e inovador, que prende o telespectador até o segundo final, com suas atuações incríveis, sendo aqui o destaque pra Glenn Close, que está maravilhosa como sempre.

80

Associación de Críticos de Cine Pastuzo
Com Glenn Close em uma das suas mais brilhantes atuações, “”Education””, mais que uma crítica, traz uma denúncia, louca e espirituosa, sobre os rumos que os processos pedagógicos vêm tomando nas últimas décadas. Yorgos Lanthimos parece se inspirar aqui em “”O Ateneu””, romance de Raul Pompeia, para nos contar uma história ainda mais absurda. A diretora é a cópia fiel em personalidade e atitudes do Professor Aristarco, rígido reitor do Colégio do Rio Cumprido, tão ricamente descrito pelo escritor fluminense. A participação do professor candidato, encarnado pelo pouco carismático Ben Whishaw, na observação do processo educacional nada convencional do internato inglês, lembra o personagem Bento Alves, bibliotecário do romance oitocentista brasileiro. As derivações dos alunos não modulados, parecem descrições atualizadas, dos estudantes Rabelo e Américo, que literalmente põem fogo na rígida instituição de ensino. Yorgos é engenhoso e criativo ao dar vida a essa nova história, mas na ânsia de inovar termina pecando na estrutura e tornando por vezes difícil a tarefa de acompanhar e se conectar com o longa. Apesar disso (e da ausência de “”O Ateneu”” nos créditos) “”Education”” com sua fotografia impecável e diálogos refinados nos entrega uma experiência prazerosa e imperdível.

80

Deep Sea Film Critics Society
Há metodologia mesmo no caos, e Yorgos Lanthimos nos dá uma boa oportunidade de entendê-la isso em seu novo filme. A saga do Candidato pelo Internato Vis é uma jornada curiosa, que nos trás um personagem passivo que é audiência para o estranho método da escola tanto quanto somos audiência para os métodos do filme: vemos o que ele vê, e sentados em nossas poltronas somos igualmente passivos em relação ao que observamos. Intencional ou não de parte do cineasta, o paralelo trás o espectador para dentro da história aos poucos. O estranhamento se constrói com calma, permitindo que as bizarrices sejam devidamente apreciadas pelo que são. A jornada abismo abaixo é bem controlada por Lanthimos, e a atuação primorosa de Glenn Close é um deleite. Sua aparente normalidade tem pequenas rachaduras pelas quais vazam uma histeria que é em momentos hilária e em momentos aterradora. A combinação e a discordância chamam atenção para os absurdos que deixamos passar, e são um belo testamento dos temas do próprio filme. A trilha musical é a maior estrela, apesar da atuação primorosa de todo o elenco. O uso músicas está longe de ser apenas estético, é também estrutural, de forma que a história se completa apenas na trilha. Sem ela, não há filme. A utilização das músicas se transforma então na melhor da temporada ao final, com a versão de Another Brick In The Wall em Piedmontese, uma língua com pouquíssimos falantes — falante estes que, para se integrar ao mundo muitas vezes se veem obrigados à abandonar sua língua materna. A violência desse abandono se encontra também na arte: curtos e vibrantes rompantes de cor irrompem no branco estéril do Internato, como lembranças de tudo aquilo que se tenta esquecer. O filme é belíssimos, e de uma construção visual impecável. Mesmo assim, sentimos falta de algo. Numa história que prima tanto a preocupação com o ensino, alta vermos um pouco daqueles que sofrem com suas falhas. Entender melhor a vivencia dos Garotos, aqueles que não se encaixam naquela caixinha, nos faria sentir mais sua dor. O contraste entre essa dor e sua fuga a faria mais forte, e seu insucesso permitiria identificar mais as falhas de que somos nós mesmos culpados quando o assunto é educação.

77

Rubens Ewald Son Film Critics Association
A carreira de Yorgos Lanthimos é recheada de comentários sobre como nossas relações se dão através da linguagem e sempre com uma abordagem fora do comum que explicita as dinâmicas dos personagens da trama. Em Education, não é diferente. O elenco afiadíssimo nos apresenta o universo construído por Yorgos com a ajuda de sua direção inconfundível, além de edição e fotografia primorosas que nos revelam a esterilidade e mecanicidade do ambiente. Entretanto, o principal problema da película está exatamente no roteiro, que por seu foco na apresentação do universo, se fecha como um oroboro didático com a contínua preocupação em explicar ao invés de instigar uma reflexão. Voltando ao elenco, dois destaques do elenco são Glenn Close que, com a estranheza inerente à personagem, flerta com uma estética camp remanescente de algumas personagens suas de outros filmes (vide 101 Dálmatas e Mulheres Perfeitas), e também Roman Griffin Davis com uma performance que eleva os personagens infantis de terror com um desconforto único com um diálogo cênico muito orgânico com a direção de Yorgos. Por fim, Yorgos entrega mais um filme estranho e intenso com sucesso mas cuja conversa com o expectador não repercute com tanta eficácia quanto seus outros filmes..

72

Oz Film Critics Society
Eu não sei muito bem o que acabei de ver. O exagero é presente no conceito do filme, que se perde um pouco por tentar ser diferentão de mais. Os momentos em que o filme se aproxima mais de um thriller são os mais satisfatórios em termos de entretenimentos, dado que o humor de Lanthimos é muito peculiar e pode não agradar a todos. Vale a pena se você quiser ver um filme estranho e apreciar o talento de Glenn Close.

70

Rio Film Critics Circle
“Education,” o último filme do talentoso Yorgos Lanthimos, é exatamente o que se espera de um filme do diretor: Uma história estranha, situada em um mundo estranho com personagens estranhos fazendo coisas loucas.
Sendo essa mais uma premissa original e instigante de Lanthimos, desta vez o diretor nos coloca no estranho Internato Vis, comandado por uma sinistra Glenn Close, que decola no papel trazendo todo quê de ‘vilania’ que ele demanda. Acompanhamos o que acontece neste instituto educacional pelos olhos de Ben Wishaw, que apesar do talento não faz nada demais na trama.
Um ponto para o momento em que o personagem de Aidan Gallagher é atingido na nuca por um rádio pelo professor que Lanthimos consegue torná-la engraçada de forma sombria.
Mas, ao contrário das outras obras do autor, “Education” peca ao tentar estabelecer as regras básicas da trama. O suspense e a curiosidade estão ali porém em nenhum momento conecta-se com os personagens de modo com que faça o telespectador querer saber o que realmente acontece/aconteceu/acontecerá. O desenvolvimento do personagem e o impulso narrativo se perdem.
Por fim, vale a pena conferir a obra, Lanthimos tem uma visão bem interessante e instigante sobre o sistema de ensino e suas pedagogias.

70

Saint Catherine Film Critics Society
Não é nenhuma novidade relacionar a palavra “absurdo” a qualquer coisa que Yorgos Lanthimos bote as mãos, e aqui senti uma relação com seu filme de 2009 “Dente Canino”. Enquanto os jovens são obrigados a abdicar de tudo que aprenderam até então para que entendam com outros significados a tendência é a rebeldia, que de fato acontece e talvez ilustre muito bem quando pessoas agressivas são postas em questionamento. Porém não é uma narrativa fácil e em alguns momentos parece que mostra mais do que acontece de fato. A trilha sonora faz muito sentido em alguns momentos mas atrapalha em outros, dificultando mais ainda o entendimento do filme. Gostaria de exaltar Glenn Close, que consegue dar vida a uma personagem tão caricata como só ela conseguiria fazer e mesmo com todo o ilogismo do discurso que prega me faz querer acompanha-la assim como faz o personagem de Ben Whishaw.

70

Gotham City Film Critics Secret Society
A essa altura, não deveríamos mais estranhar um filme de Yorgos, porém, ainda assim, acontece. Peculiarmente instigante em certos momentos, o diretor cria uma atmosfera peculiar apoiada em Gleen Close e sua ótima atuação. É interessante ver o desenrolar da narrativa das crianças, mesmo que a história não nos garanta um envolvimento muito grande com eles. Por fim, o longa peca um pouco por querer ser grande demais e talvez, se fosse mais contido, funcionasse melhor, porém, no geral, ainda é uma experiência valida.


Comentários do Público

10

Trabalhadora Chinesa Explorada pela Constância Productions
Mica Levi: com a mãozinha no Oscar de Melhor Trilha Sonora.

Glenn: Close

9

Supla de Sunga
Evocando seus tempos de Dente Canino e O Lagosta, Lanthimos acerta o ponto entre a sátira mordaz e o realismo desolador. Entendo que os personagens são arquétipos, mas gostaria de ver um melhor desenvolvimento deles simplesmente para poder me conectar mais com a narrativa.

8

boulos50
muito divertido

8

Sushi
Miau Olivia Colman ladra miau

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