de Agnieszka Holland
produzido por Constância’s Haus of Antunes
com Lesley Manville e Patrícia Pillar
10 de outubro de 2020 (4º Festival de Cannes)
🇬🇧 Reino Unido
Drama / Suspense
Sinopse: Na Inglaterra, início do século XIX, a solitária Geraldine (Lesley Manville) recebe a visita de sua prima Berenice (Patrícia Pillar) cujo marido foi para a guerra. Com a companhia de Berenice, Geraldine desenvolve uma nova obsessão: o sorriso da prima.
Vencedor de 3 prêmios, incluindo o Prêmio de Roteiro em Cannes. Parte da Criterion Collection.
Consenso da Crítica: “Berenice” só encontra seu ritmo após certo ponto, mas quando deslancha, entrega uma adaptação sombria e envolvente do conto homônimo de Edgar Allan Poe — especialmente pela dedicação notável de Lesley Manville.
Média da crítica
80
Média do público
8.3
Tomatômetro

85%
Pipocômetro

98%
Navegue pelas seções
Ficha Técnica
Direção: Agnieszka Holland
Roteiro: Agnieszka Holland
Produção: Constância’s Haus of Antunes
Música: Jonny Greenwood
Distribuição: Lionsgate
Plataforma: Constant+
Elenco
Lesley Manville como Geraldine
Patrícia Pillar como Berenice
Proposta Estética
Adaptação do conto de mesmo nome de Edgar Allan Poe. Fotografia marcada por tons frios e pastéis exceto quando a mudança de tom é destacada na história. Os vestidos de Geraldine são escuros em contraste com os de Berenice que só perdem definitivamente a cor ao final do filme. As transições entre as cenas nas sequências são marcadas pelos movimentos de câmera pelo set e a mudança de cenário após algum objeto barrar a visão da câmera, um falso plano-sequência. As cenas das transes de Geraldine são caracterizadas pelo excesso de palavras e cortes entre seus gestos, ações e falas. A trilha de Greenwood aparece em momentos mais específicos do filme que preza pelo silêncio em seus momentos de diálogo. Quanto às atuações corporais de Lesley e Patrícia: a primeira possui uma postura rígida e movimentos precisos e objetivos enquanto a última se movimenta de forma fluida pela tela e realiza pequenos gestos que seduzem sem intenção.
Narrativa
O filme começa com Geraldine (Lesley Manville) narrando em off parte do texto do conto de Poe que discorre sobre a infelicidade na Terra [“O infortúnio é múltiplo. A infelicidade sobre a terra, multiforme…”] enquanto são intercaladas cenas dela andando pela casa enquanto seus criados fazem arrumações e cenas de sua prima Berenice (Patrícia Pillar) saindo de casa e entrando na carruagem com destino a casa de Geraldine.
Geraldine abre a porta e Berenice sorri levemente com os lábios cerrados, seu semblante não é dos melhores. Geraldine acompanha a prima pela casa de forma cordial enquanto seus criados levam as malas de Berenice a seu aposento. Geraldine fala sobre o tempo em que viviam juntas na casa quando seus pais ainda eram vivos enquanto andam pelos cômodos da mansão. Berenice permanece calada ouvindo a prima e carrega uma tristeza consigo que vai se tornando cada vez mais aparente conforme as duas se afastam dos criados. No momento que chegam a biblioteca e Geraldine fecha as portas, Berenice desata em lágrimas. Ela confessa para Geraldine seu medo de perder o marido que está em combate nas batalhas contra Napoleão. Geraldine diz de forma muito seca que é o dever do homem e que a morte chega para todos em algum momento. Berenice se espanta com a frieza de Geraldine e sem reagir à falta de compaixão nas palavras da prima diz que prefere ir aos seus aposentos pois está muito cansada da viagem. Geraldine percebe sua indelicadeza sozinha na biblioteca.
No dia seguinte, Berenice desce para o café da manhã e encontra a prima com um banquete farto na mesa. Geraldine pede desculpas pela falta de consideração com as dores de Berenice e diz que programou um passeio para a tarde pois quer ver a prima alegre como sempre foi. Berenice concorda hesitante com um sorriso de canto de boca quase tímido, como se estivesse na frente de um desconhecido. A cena corta para as duas num dos pomares da propriedade enquanto Geraldine divaga sobre os frutos. Ao pegar uma framboesa começa a lembrar do que leu sobre a espécie da planta e detalha os elementos da fruta com uma riqueza verborrágica que acaba deixando Berenice desinteressada. Ela se afasta de Geraldine pelo pomar e prova uma das framboesas. Corta para Geraldine saindo daquela transe sobre a fruta e percebendo a ausência da prima. Na procura pelo pomar ela encontra Berenice imóvel com o corpo enrijecido no chão sem nenhum sinal vital aparente. Quando se aproxima, ela percebe o sugo vermelho da framboesa escorrendo de sua boca. A imagem mórbida de Berenice faz Geraldine ficar igualmente estática observando a cena. Em segundos, Berenice se levanta abruptamente e começa a chorar no ombro da prima.
À noite na biblioteca, Berenice diz à prima que os quadros de catalepsia começaram a se tornar mais frequentes após a ida do marido à guerra. Geraldine diz que separou alguns livros da biblioteca sobre a doença da prima e que deve ler logo para ver se há algum modo de reduzir esses quadros. Berenice ri e diz que pelo visto não é a única doente da família. Geraldine tira os olhos dos livros e fita Berenice irritada, fala que sua monomania não é uma doença física como a de Berenice e que mesmo com vários criados pela casa, suas ideias e devaneios inconclusivos acabavam sendo seus únicos companheiros, mesmo sendo eles os mais desagradáveis. Berenice se aproxima da prima e diz que agora uma tem a outra e que com certeza garante uma companhia mais agradável à Geraldine. Ao final, Berenice sorri e revela sua dentição perfeita. Geraldine olha obcecada para o sorriso de Berenice como se tivesse encontrado em seu sorriso o sentido de tudo, seus olhos se enchem de lágrimas enquanto ela segura o rosto da prima. Elas se olham carinhosamente durante alguns segundos e então Berenice diz que já é tarde e vai se deitar. Após a saída da prima para seu aposento, Geraldine começa a falar sozinha na biblioteca sobre os dentes de Berenice enquanto procura livros sobre a estrutura dentária humana em sua estante enorme em mais uma de suas transes de monomania. A câmera se afasta enquanto, Geraldine não para de falar e pegar livros.
Corta para uma sequência de cenas de passeios e atividades entre as primas com Berenice sempre sorridente e Geraldine encantada pelo sorriso de sua companheira. Nessas cenas, Geraldine sempre provoca o riso em Berenice, seja contando piadas, fazendo alguma careta etc. Essa sequência se destaca do resto do filme: todas as cores são mais quentes e vivas, os pomares se enchem de frutos, os rostos de Berenice e Geraldine estão mais corados e a atmosfera é quase onírica.
Um dia, Geraldine e Berenice estão se preparando para sair para mais um passeio. Geraldine diz que esqueceu um livro de anedotas na biblioteca e já volta. Nesse meio tempo, um mensageiro chega a casa procurando por Berenice. Ela atende o rapaz e vemos da mesma distância de Geraldine, que voltava com o livro, o mensageiro tirar seu chapéu e levá-lo ao peito enquanto Berenice cai ajoelhada em prantos. Geraldine corre para consolar a prima e se ajoelha junto a ela. Passamos para uma cena rápida com as duas primas e alguns oficiais do exército britânico no enterro do marido de Berenice.
Vemos uma sequência de cenas dos dias seguintes: Berenice começa a parecer cada vez mais um cadáver, se recusa a comer e fica cada vez mais pálida e esguia sem mais o viço que lhe era aparente até em dias tristes. Geraldine tenta em vão alegrar a prima, mas como Berenice passa cada vez mais no quarto, ela e Geraldine quase não conversam mais e as refeições à mesa são mais silenciosas que um velório. Ao final da sequência, vemos Geraldine entrando na biblioteca, que já substituiu seu quarto há muito tempo. Ela senta-se na poltrona e uma lágrima cai do seu rosto triste e imóvel. Fade out.
Ouvimos um grito. Geraldine se acorda assustada na poltrona quando um de seus criados abre a porta da biblioteca abruptamente. Geraldine sobe para o aposento de Berenice e a encontra imóvel sem vida sobre a cama. Uma das criadas diz que Berenice teve um ataque epiléptico e então permaneceu rígida sobre a cama. Geraldine pergunta já chorando por quanto tempo e a criada diz que ela está assim a mais de uma hora. Ela não consegue ver aquela cena por muito tempo, então pede para que seus criados preparem o velório. A cena parte para uma sequência do preparo do velório: o corpo é vestido, o caixão é preparado, a sala é decorada… e por fim um lenço de seda é amarrado na cabeça de Berenice para evitar que seu maxilar caia.
No velório, Geraldine observa a prima com tristeza. O silêncio só é quebrado pelo relógio de pêndulo e seu tic-tac constante. Geraldine começa a prestar atenção no tic-tac e move seu dedo no ritmo do relógio. Como em seus devaneios, ela se vê absorta pela cadência do pêndulo que se encontra em sua frente. Em seguida, nota que o dedo de Berenice move-se também dentro do caixão aberto. Ela acredita estar alucinando e volta seus olhos para o rosto de Berenice à procura de outro sinal vital. Neste momento, o nó do lenço que segura o maxilar de Berenice começa a desatar e enquanto sua boca vai abrindo, Geraldine vai ditando baixinho os nomes de cada dente humano (incisivo central superior, canino lateral superior, primeiro molar superior etc.) Durante essa cena, as câmeras se alternam no ritmo do relógio entre a boca de Geraldine sussurrando a nomenclatura científica e a boca de Berenice se abrindo e revelando seus dentes perfeitos. A cena acaba abruptamente após 32 tiques do relógio.
Ouve-se um trovão. A cena abre com um dos criados de Geraldine ensopado entrando pela porta falando que o túmulo de Berenice foi violado e mais surpreendentemente: ela estava viva porém completamente desfigurada. A câmera vai seguindo o chão da biblioteca coberta de pegadas de barro até chegar a Geraldine sentada na poltrona com a roupa coberta de terra e sangue coagulado. As mangas de seu vestido arregaçadas na altura dos cotovelos revelam arranhões por todo o braço. Ela olha para o lado confusa como se estivesse acordando de ressaca e nota um alicate e uma caixinha na mesa do lado. Quando abre a caixinha, lá estão 32 dentes com pequenas manchas de sangue na volta. Geraldine grita de pavor e deixa a caixinha cair no chão. Com a câmera no chão, vemos os dentes caindo junto com a caixinha e se esparramando pelo assoalho. Fade out.
Trilha Sonora
Prospectors Arrive
Cena de abertura que acompanha o monólogo de Geraldine
Sandalwood II
A música começa no momento que Berenice revela seus dentes e nos acompanha até o final da sequência de passeios e atividades entre as primas.
Watashi wo Toru Toki wa Watashi Dake wo Totte ne
A música começa no momento em que o mensageiro leva o chapéu ao peito e revela a morte do marido de Berenice e termina ao final da sequência do luto de Berenice.
Ate mo Naku Aruki Mawatta
Cena do preparo do velório.
Greenwood: Penderecki Popcorn Superhet Receiver:, Pt 2. A
A música começa no momento em que ela olha para o lado e é interrompida pelo grito de Geraldine no segundo 0:40. A partir daí, apenas ouvimos os dentes caírem no assoalho.
Fotografia
O filme não enviou material para a prova de fotografia.
Figurino
O filme não enviou material para a prova de figurino.
Notícias e Imagens
Confira todas as notícias da temporada e imagens de campanha nas revistas Visions e That’s Gossip.
Prêmios
Total de 3 prêmios e 12 indicações. Clique aqui para ver todos os prêmios da 4ª temporada.
4º Festival de Cannes
- Prêmio de Roteiro, Agnieszka Holland (venceu)
1º MTV Movie Awards
- Atuação Aterrorizada, Patrícia Pillar (indicada)
- Vilã ou Vilão, Lesley Manville (indicada)
4º Globo de Ouro
- Filme de Drama (indicado)
4º BAFTA
- Atriz, Lesley Manville (indicada)
- Roteiro Adaptado, Agnieszka Holland (indicada)
- Filme Britânico (indicado)
4º Oscar
- Roteiro Adaptado, Agnieszka Holland (indicada)
- Trilha Sonora Composta para Cinema, Jonny Greenwood (indicado)
Premiações da Crítica
- Direção, Agnieszka Holland (1 prêmio)
- Atriz, Lesley Manville (1 prêmio)
- Roteiro, Agnieszka Holland (1 vice)
Críticas do Júri
90
Joseph Wilker Film Critics Association
A atriz brasileira Patrícia Pillar mais uma vez mostrando que nasceu para a carreira internacional, mostrando que os brasileiros estão para ficar. A estética é impecável, entregou a vibe Poe como prometeu. Geraldine é o típico personagem rígido, embotado emocionalmente enquanto Berenice é enfrenta um período complicado em sua vida, o que faz que essas interações traga uma boa narrativa.
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88
Rio Film Critics Circle
Recriando um fantástico conto de Edgar Allan Poe, a diretora e roteirista Agnieszka Holland mostra de forma simples porém efetiva como criar uma história melancólica mas mesmo assim cativante. ‘Berenice’ tem um decorrer mais prosaico, mas os elementos sublimes, quando aparecem, são no momento exato, o que faz com que o filme se mantenha instigante até o último minuto.
A sequência anterior a morte do marido de Berenice, apesar do tom alegre, parece de certa forma, morta ou estranha – não como algo ruim, mas de forma que ela consegue manter a melancolia no ar -, como se tivessem como objetivo anunciar que algo estava vindo.
Trilha, fotografia e figurino (mesmo o último sendo básico) mesclam e comunicam-se entre si como uma obra de arte.
Patricia Pillar e sua atuação minimalista fazem com que Berenice seja uma personagem interessante, creio que não poderia ter uma escolha melhor de atriz para o papel.
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87
Cinema Contestado – União Catarinense de Críticos de Cinema
Recriar contos de Poe é sempre um desafio para todo cineasta. A ambientação que se tornou a assinatura do autor funciona muito bem no texto, mas nem sempre é bem traduzida na linguagem do vídeo. Berenice assume esse obstáculo e consegue entregar um resultado sóbrio e sombrio ao mesmo tempo. A produção faz um excelente uso de cenários e personagens, entregando a atmosfera adequada através da linguagem visual – atendendo à máxima “show, don’t tell”.
Apesar de ser bem-sucedido nesse desafio, Berenice escorrega por oportunidades perdidas. Ao longo da trama, há vários elementos mostrados por pouco tempo em tela (por exemplo as frutas, o pomar, as caminhadas, a mansão, os soldados). Eles aparecem como recursos episódicos, sem função para além daquela aparição. Mesmo sendo um filme excelente, Berenice poderia ter crescido ainda mais se aproveitasse esses ganchos.
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82
Oz Film Critics Society
Berenice é imersivo, principalmente devido a direção de arte e trilha sonora, mas falta um pouco de tensão no início da história. No entanto, quando as cenas são estranhas e enigmáticas o filme se torna quase hipnótico, e muito disso se deve as atuações. Patrícia Pillar esbanja carisma, mesmo quando sua personagem está deprimida e Lesley Manville certamente merece reconhecimento nas premiações. Filme perfeito para se ver em um dia chuvoso.
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80
Associación de Críticos de Cine Pastuzo
Berenice consegue traduzir com estilo próprio os aspectos sombrios, melancólicos, grotescos e irracionais característicos das obras de Edgar Allan Poe. As expressões estapafúrdias de Geraldine em seus estapafúrdios momentos e o desconforto sutil do rosto de Berenice são essenciais para estabelecer o clima de completo desconforto que permanece durante a totalidade do filme. A boa dinâmica das duas grandes atrizes é terreno fértil para o desenvolvimento da narrativa, mas ela não parece crescer como poderia. A abrupta evolução dos eventos a partir do sorriso de Berenice causa um estranhamento negativo, mesmo para o gênero. A sequência onírica, muito bem dirigida por Holland, que se segue após o transe de monomania de Geraldine teria sido ainda melhor se essa obsessão tivesse sido melhor desenvolvida. Todo o resto da trama, incluindo a cena primorosa(!) dos 32 tics, termina pagando por isso também. O fato é que apesar de algumas substâncias fazerem falta, dois elementos essenciais do suspense se fazem mais do que presentes aqui: a tensão e a originalidade. Pode comprar a pipoca.
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77
Gotham City Film Critics Secret Society
Mesmo o longa se chamando Berenice, seu grande destaque se deve a sua contraparte, Geraldine, que além de uma personagem instigante, foi otimamente vivida por Lesley. Contudo, Patricia também tem seus momentos e entrega uma ótima atuação contida, e não está muito atrás de sua colega, apenas talvez, por sua personagem não chamar tanto a atenção como a outra. A ambientação, tanto visual quanto sonora, traz um charme e um ótimo elemento ao longa. Mesmo que se iniciando de forma morna, quando o mesmo engata, deixa o telespectador curioso para o que está por vir e o desenrolar da relação de ambas.
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75
Saint Catherine Film Critics Society
“Berenice” ou devo dizer Geraldine, nesse caso, é o exemplo perfeitamente mórbido do que pode ser a monomania e como ela afeta suas vítimas. Vemos a decadência da personagem Geraldine, interpretada pela ótima Lesley Manville, e considerando que o filme se baseia apenas em duas personagens não sinto culpa alguma em dizer que o filme existe por sua causa. Patricia Pillar até brilha interpretando o gatilho do filme mas não é tão chamativo quanto sua colega, chega a ser paradoxal usar a palavra “chamativo” visto que as duas atuações são contidas e até monótomas mas em seus momentos aloprados fica claro quem rouba a cena. Achei um bom exemplo do uso do silêncio em tela porém isso talvez tenha aumentado ainda mais o sentimento de monotomia, que faz sentido considerando a narrativa, mas em alguns momentos também pode ser chato.
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69
San City Film Critics Association
Uma adaptação muito interessante do conto de Edgar Allan Poe. O curta constrói a tensão de uma maneira espetacular—e junto com a trilha sonora— que prende sua atenção até o clímax. Lesley Manville e Patrícia Pillar é uma combinação peculiar e certeira, as duas estão sensacionais.
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68
Deep Sea Film Critics Society
Curtas-metragem são notoriamente complicados. O pouco espaço de tempo engana por fazer parecer ser fácil preenchê-lo, mas a verdade é que o pouco tempo exacerba os pequenos problemas por fazê-los tomar muito espaço de tela. Apesar das atuações competentes de ambas atrizes, e da direção de ambas, o filme parece se perder em coisas que não importam tanto, ou talvez ele apenas não entregue de fato o peso daquilo em que tenta colocar o foco. A importância do sorriso e dos dentes é vaga, ao longo do filme, por sua falta de desenvolvimento claro, e as relações são igualmente levadas do ponto A ao B sem que tenhamos tempo de entender e sentir o que elas realmente significam. Por ser um curta-metragem, tentar desenvolver tudo isso ao mesmo tempo talvez tenha sido coisa demais, e todos os aspectos pecam quando nenhum deles pode ser devidamente dado à cabo. É necessário notar, entretanto, que a maior promessa do filme é mais do que cumprida. Como uma adaptação de Edgar Allan Poe, o filme coloca o espectador dentro de uma atmosfera de incomodo e de terror que sabe onde o verdadeiro medo está: nas relações, e nas distorções da própria mente humana. Em momento algum o filme cai na falácia do jump-scare, ou tenta impressionar por motivos sobrenaturais ou baratos. Agnieska Holland entende a natureza do medo, e a cena do relógio é um momento que prova sua capacidade criativa aplicada à essa compreensão. A verdade é que Berenice merecia uma longa-metragem. Tempo o suficiente para fazer jus às atuações, à seus temas, e à tudo que se propõe a fazer, mas não tem tempo de realmente atingir.
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Comentários do Público
10
Trabalhadora Chinesa Explorada pela Constância Productions
É uma pena que Manville, Pillar e Holland não tenham a campanha necessária para chegar às televisionadas, porque este filme é lendário.
10
Sushi
Miau ótima direção de arte e grandes atuações miau
9
coelhinha_16
A aura obsessiva nos oprime ao apresentar, de maneira genial, uma adaptação forte e sagaz de um conto de horror com pinceladas originais. E isso é bom, é ótimo! Os incômodos sombrios apresentam àqueles que assistem a personagens bem desenvolvidas e com atuações brilhantes. É um dos pontos altos dessa temporada de premiações e deve perdurar na história como uma das melhores adaptações de Poe.
8
boulos50
queria que fosse mais longo pra desenvolver mais a história
7
Supla de Sunga
Muito bem-sucedido em transportar o clima e a energia do conto de Edgar Allan Poe e ancorado em performances magistrais, mas senti falta de uma construção narrativa mais sólida e de algumas cenas que pudessem amarrar melhor a história.
