de Alice Rohrwacher
produzido por Constância’s Haus of Bürger
com Lupita Nyong’o e Daniel Day-Lewis
30 de maio de 2020 (2º Festival de Cannes)
🇮🇹 Itália, 🇬🇧 Reino Unido
Drama / Romance
Sinopse: Professor Burton (Day-Lewis) tem sua solitária e pacata rotina tornada em caos quando a Condessa Marsani (Swinton) o força a alugar o apartamento do segundo andar de seu palazzo, e o filho dela (Driver) se apaixona por Isola, uma imigrante ilegal (Nyong’o).
Vencedor de 23 prêmios, incluindo a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Melhor Filme. Parte da Criterion Collection.
Leia também: Attraversato: Final Cut, versão de aniversário ampliada e remasterizada do filme.
Consenso da Crítica: Mesmo pecando pela subutilização de medalhões como Daniel Day-Lewis e Tilda Swinton, “Attraversato” traz uma bonita história de amor com visuais inesquecíveis e o toque inconfundível de Alice Rohrwacher.
Média da crítica
79
Média do público
–
Tomatômetro

86%
Pipocômetro

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Ficha Técnica
Direção: Alice Rohrwacher
Roteiro: Alice Rohrwacher, François Ozon
Produção: Constância’s Haus of Bürger
Fotografia: Heléne Louvart
Música: Philippe Rombi
Figurinos: Arianne Phillips
Distribuição: Netflix
Plataforma: Constant+
Elenco
Lupita Nyong’o como Isola
Adam Driver como Mario
Daniel Day-Lewis como Prof. Burton
Tilda Swinton como Condessa Marsani
Proposta Estética
Alice Rohrwacher desenvolve aqui uma fábula em seu estilo usual, que mistura um neo-realismo áspero com uma suspensão onírica, porém fazendo homenagem aos melodramas de Luchino Visconti da década de 1970 (“Violência & Paixão” principalmente).
Helene Louvart retoma a parceria de longa data na fotografia, prezando pelo uso da luz natural e cores quentes e vivas. O palazzo do professor é uma típica construção em estilo barroco do sul da Itália, enquanto que o apartamento remodelado da Condessa Marsani, segue um estilo retro-futurista. O figurino é inspirado na coleção de 1971 de Yves St. Laurent, “The Scandal Collection”.
Narrativa
Prólogo
Com a intensificação das imigrações ilegais no Mediterrâneo, as ilhas italianas se tornaram regiões altamente militarizadas, no intuito de barrar a entrada na Europa. No entanto, milionários de todo o mundo têm sua entrada facilitada, superlotando praias e hotéis de luxo. O Prof. Burton (Daniel Day-Lewis) é um historiador inglês aposentado que tem uma vida solitária em um palazzo com vista para o mar. Seu isolamento é interrompido pela chegada da rica e vulgar Condessa Marsani (Tilda Swinton), que deseja alugar o apartamento desocupado no segundo andar do palazzo. Burton está decidido a não ter inquilinos, mas a Condessa não aceita um não como resposta e por meio de diversos métodos de insistência e manipulação consegue a permissão do Professor.
A Condessa inicia reformas infernais no apartamento, atrapalhando a vida pacata do Prof, além de visitas inesperadas onde ela fazia uso das dependências e empregados de Prof. como se fossem seus. Essas intromissões eram perdoadas pois vinham acompanhadas do jovem Mario (Adam Driver loiríssimo), filho da Condessa, por quem o Prof. logo se afeiçoou.
Durante uma dessas visitas, ao cair da tarde, Mario observa uma mulher se sentar em um banco na praça em frente ao palazzo. Ele acredita já ter visto ela outras vezes ali.
Noites de Verão
Isola (Lupita Nyongo) é uma das imigrantes ilegais que conseguiu driblar o bloqueio e se estabelecer na Itália. Ela trabalha na casa de uma viúva afro-americana. Todos os dias ao final da tarde ela se arruma e vai até a praça da Catedral, onde se senta em um banco até as 21h da noite. Um dia ela é interpelada por Mario. Isola reage com desconfiança às perguntas de Mario, mas apesar disso permite que ele a acompanhe no dia seguinte. Os encontros continuam a acontecer e aos poucos a moça começa a revelar sua história, as dificuldades que passou para imigrar, atravessando o deserto do Saara e depois o mar Mediterrâneo, e seu grande amor por um homem, Meddur, que conheceu na viagem. Eles foram colocados em barcos separados na hora de atravessar o mar, mas prometeram que ao chegarem na ilha, eles se encontrariam naquela praça, custe o que custar. Por este motivo todos os dias ela se sentava lá na esperança de reencontrá-lo. A informação veio tarde demais, Mario já estava apaixonado por Isola.
Mario convida Isola para irem à um praia nos arredores da cidade no dia de folga dela, ela aceita. Eles caminham pela areia, se sentam nas pedras, observando o mar e conversando sobre seus sonhos na vida. Mario aproveita a oportunidade para abrir o coração, deixando Isola em conflito. Ela ainda ama Meddur e tem esperança de reencontrá-lo, mas o afeto por Mario vem crescendo dentro dela. Ela volta para a praia, ele volta logo atrás. O casal entra em um quiosque onde casais dançam ao som de música italiana ao vivo. Ele a chama para dançar “Un Giorno Come un Altro”, tentando acalmar seu coração aflito, ela aceita um pouco sem graça pela sua inexperiência. Eles dançam próximos e por um momento é como se o mundo não existisse ao redor deles, só a felicidade da companhia um do outro. Este momento termina quando Isola percebe que o Sol já se pôs no horizonte, e que ela não estava na praça esperando por Meddur. Nuvens de chuva relampejam, enquanto Mario dirige o conversível em alta velocidade de volta para a cidade. Isola está furiosa por ele não se importar com algo que é tão caro pra ela. Eles discutem, pois na opinião dele é uma grande ingenuidade dela ficar esperando um homem por meses, sendo que as chances de ele nunca aparecer são muito altas, quando ela tem outro que faria tudo por ela. Ao entrarem na cidade ela pede que ele a deixe sair do carro, pois iria sozinha até em casa. Ele a observa se afastar pela rua, de dentro do carro.
Uma Vida em Segredo
O Prof. é acordado por batidas violentas na porta, uma tempestade cai do lado de fora. Lá ele encontra Isola carregando Mario coberto de sangue, ensopados pela chuva. Ele a ajuda a trazer Mario, quase desacordado, para dentro e a limpá-lo. Ela conta que ao ir para casa foi abordada por um supremacista, e que Mario lutou contra ele e o matou para salva-la. Ele abriga os dois num quarto escondido, construído durante a Segunda Guerra Mundial para esconder fugitivos dos fascistas.
A polícia bate na porta de Prof. procurando por pistas do paradeiro de Mario, ele faz a sonsa e despista. Após a saída dos policiais ele sobe para o apartamento redecorado da Condessa, encontrando sua empregada trabalhando pra ela. Burton a confronta com a informação da policia e com o fato de que o filho dela estava desaparecido por dois dias e ela não se importou de o procurar. Ela rebate com fúria o Prof. dizendo que ele não sabe o que é ter filhos para se preocupar, que ela estava naquela ilha com Mario para fugir dos problemas causados pela associação dele com grupos políticos de esquerda, e que afinal ele já é adulto e ela não pode impedi-lo de se envolver com imigrantes ilegais. Ele então diz que o filho dela está abrigado com ele no andar de baixo e se retira.
Mario está começando a se recuperar dos ferimentos, e Isola passa as noites dormindo com ele. O Prof. os informa sobre a questão da polícia e chegam a conclusão de que o melhor seria tirar Mario da ilha o quanto antes. Eles jantam juntos, numa despedida discreta. A Condessa aparece, vestida fabulosamente e pede permissão para se sentar à mesa com eles, apesar de já ter jantado. Mario lhe apresenta Isola, a condessa tenta conter o desgosto e faz um desabafo: com muita tristeza ela estaria renegando o filho, pois não haveria outra opção para ela. Ela gostaria de ser diferente, mas se considera fraca demais para quebrar o status quo. A Condessa se levanta e saí, segurando as lagrimas. O Prof. consola Mario.
Mario e Isola ouvem “Un Giorno Come un Altro” abraçados, ela revela que está dividida entre ir com ele e ficar. Ele não permite que ela o acompanhe, pois seria mais seguro se ela permanecesse com professor, e promete que retornaria para ela.
Epílogo
Vemos Isola com Professor, alguns anos depois. Ela continua a sentar na praça ao final da tarde, mas ela já não tem certeza se espera por Meddur ou por Mario.
Oscar Tapes
Lupita Nyong’o: Isola explode com raiva de Mario no carro, durante a tempestade.
Adam Driver: Mario declara seu amor por Isola, apesar de saber que o coração dela já tem dono.
Daniel Day-Lewis: O professor observa com seus olhos melancólicos de sempre as juras de amor entre Mario e Isola.
Tilda Swinton: Monólogo da Condessa no jantar, sobre como ela é uma mulher fraca apesar de sua aparência de fria e calculista.
Trilha Sonora
Fotografia
Figurino
Prêmios
Total de 23 prêmios e 53 indicações. Clique aqui para ver todos os prêmios da 2ª temporada.
2º Festival de Cannes
- Palma de Ouro (venceu)
2º Screen Actors Guild Awards (SAG)
- Atriz, Lupita Nyong’o (venceu)
- Elenco: Daniel Day-Lewis, Lupita Nyong’o, Adam Driver e Tilda Swinton (indicado)
- Ator, Daniel Day-Lewis (indicado)
- Atriz Coadjuvante, Tilda Swinton (indicada)
- Ator Coadjuvante, Adam Driver (indicado)
- Elenco de Dublês (indicado)
2º BAFTA
- Atriz, Lupita Nyong’o (venceu)
- Filme (indicado)
- Direção, Alice Rohrwacher (indicada)
- Ator, Daniel Day-Lewis (indicado)
- Atriz Coadjuvante, Tilda Swinton (indicada)
- Ator Coadjuvante, Adam Driver (indicado)
- Roteiro, Alice Rohrwacher e François Ozon (indicados)
- Casting (indicado)
- Fotografia, Heléne Louvart (indicada)
- Figurino, Arianne Phillips (indicada)
- Trilha Sonora, Philippe Rombi (indicado)
2º Globo de Ouro
- Filme de Drama (venceu)
- Atriz de Drama, Lupita Nyong’o (venceu)
- Ator de Drama, Daniel Day-Lewis (venceu, empate com Danila Kozlovsky por The Seagull)
- Ator Coadjuvante, Adam Driver (venceu)
- Direção, Alice Rohrwacher (indicada)
- Roteiro, Alice Rohrwacher e François Ozon (indicados)
2º Oscar
- Filme (venceu)
- Direção, Alice Rohrwacher (venceu)
- Ator Coadjuvante, Adam Driver (venceu)
- Fotografia, Heléne Louvart (venceu)
- Canção Não-Original: “Un Giorno Como Un Altro”, Mina (venceu)
- Ator, Daniel Day-Lewis (indicado)
- Atriz Coadjuvante, Tilda Swinton (indicada)
- Roteiro, Alice Rohrwacher e François Ozon (indicados)
- Figurino, Arianne Phillips (indicada)
Premiações da Crítica
- Filme (2 prêmios)
- Direção, Alice Rohrwacher (3 prêmios, 1 vice)
- Atriz, Lupita Nyong’o (2 prêmios, 4 vices)
- Ator, Daniel Day-Lewis (1 prêmio, 1 vice)
- Ator Coadjuvante, Adam Driver (2 prêmios)
- Roteiro, Alice Rohrwacher e François Ozon (1 prêmio, 2 vices)
- Atriz Coadjuvante, Tilda Swinton (1 vice)
Temporadas Posteriores
Nota: prêmios e indicações recebidos em temporadas posteriores não são contabilizados no ranking da temporada de lançamento do filme.
4º BAFTA
- Melhor Filme Britânico (indicado)
1º Festival do Rio
- Seleção Oficial – Filme de Abertura
Críticas do Júri
100
Rio Film Critics Circle
Em todos os sentidos, Attraversato é uma conquista impressionante. Marcado pela direção de arte e elenco impecáveis, é um filme aparenta ter sido feito com cada detalhe milimetricamente pensando, cada cena é uma pintura o que reforça ou restaura a fé no poder do cinema para contar uma história em imagens fascinantes. A troca entre Lupita e Adam Driver é impressionante e inesperada, as cenas entre os dois são de deixar qualquer espectador apaixonado. Tilda, apesar de aparentar ao longo do filme estar em uma zona de conforto, se entrega e destaca no monólogo da Condessa sobre sua fragilidade.
92
South Brazil Film Critics Circle
Original e muito bem feito, Attraversato é um frescor ao cinema original. Elenco, direção e roteiros impecáveis, filme que vale a pena ser assistido e será comentado por anos. Melhor atuação da carreira de Lupita Nyong’o.
90
San City Film Critics Association
Mais uma vez misturando fábula e crítica social a um problema bastante atual: a situação de imigrantes ilegais, Alice Rohrwacher conta um enredo de conflito e amor que nos comove do começo ao fim. Com um elenco de peso, é um impossível não torcer pela história de amor do jovem Mario e Isola, e também não se sentir dividido sobre as memórias de seu trauma dividido com Meddur. Elenco de peso e atuações incríveis, esse filme tem grandes chances de ser o melhor da temporada de premiações.
80
Saint Catherine Film Critics Society
Quando achei que Daniel Day-Lewis não poderia mais surpreender em sua atuação ele me apresenta um personagem totalmente diferente, porém pouco aproveitado, no roteiro que era para ser o personagem principal acaba subutilizado quando a história é focado em Lupita e Adam. Esses dois que apresentam atuações no ponto também. Um filme melancólico com um fundo importante e uma resolução que deixa aquele gosto amargo na boca, mas que é bom.
75
Kings’ Bay Film Critics Circle
O filme de Rorhwacher une o requinte dos tradicionais melodramas italianos à instabilidade política e social que o país vive há décadas, agravada pela crise imigratória que se arrasta desde 2015. Lupita Nyongo e Adam Driver brilham sob as lentes de Louvart em performances marcantes. Mas tendo muito do que falar e também bastante preocupado com ter o que mostrar, Attraversato acaba por subaproveitar criminalmente seus núcleos secundários, com Tilda Swinton e Daniel Day-Lewis perdidos e dispersos.
62
Oz Film Critics Society
Um filme confuso, que não sabe o que quer. Perde a oportunidade de explorar um elenco incrível em um cenário rico. As relações entre os personagens são voláteis, os conflitos são esquecidos por motivos turvos e quando esperamos a resolução de algo, surgem novos problemas e revelações que não importavam para a história que estava sendo contada até então.
56
Syndicat Français de la Critique de Cinéma
Alice Rohrwacher subutiliza o cenário de uma Itália militarizada e fechada aos imigrantes para contar uma história de amor pálida, como tantas outras, sem que sequer conheçamos a outra parte. Os coadjuvantes pouco contribuem para tornar a história da protagonista mais interessante e individualmente também não são interessantes ou conectados ao todo.

